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Tá de TPM?

O cara largou essa logo após eu dispensá-lo pela centésima vez. A história não tinha mais por onde e sequer havia espaço para a amizade. E ele insistindo. E eu sendo fofa, mas dispensando. Aí dei um basta em tanta fofice e pedi que ele me esquecesse. A resposta imediata foi essa: Nossa, tá de TPM? E na seqüência veio a matadora: Ou nasceu de TPM? Bem, isso só confirmou meu desejo de que ele sumisse da minha vida em definitivo. Mas fiquei caraminholando sobre essa frase.

A primeira reflexão foi a de que alguns homens dificilmente entendem o nosso sinal de que não queremos mais saber deles – mas ficam putos quando as mulheres não entendem que eles não querem mais.


A segunda reflexão me tomou mais tempo. Por que catso mulheres não podem simplesmente ficar bravas, nervosas, brutas ou incomodadas com uma coisa pontual sem que estejam no período pré-menstrual ou menstruadas? Por que existe essa patrulha hormonal para cima da gente? É como se ainda esperassem que a gente fosse só doçura, pura compreensão, total acolhimento. E que qualquer ruptura com esse pacto de meiguice tivesse somente a ver com sangue. Como se um chefe, um colega, um assédio abusado na rua não pudessem nos tirar do sério.

Nunca vou me esquecer de uma vez em que a Marta (Suplicy), então candidata à prefeitura de São Paulo, disse que toda vez que ela surtava, era chamada de histérica. E que quando o falecido (Mario) Covas dava seus pitis, era visto como um cara de fibra.

Nós não podemos ser bravas. Não podemos falar duro. Não podemos dar uma cortada num cara inconveniente. Temos que ser doces. Quando acontece de falharmos, ah, tudo bem, é só um período do mês, uma explosão de hormônios por causa da gravidez ou da menopausa. E esse discurso é perigoso porque deprecia o que nos faz fêmeas – o sangue que corre todo mês, o sangue que jorra no parto, o sangue que cessa com a idade. Por que temos que nos envergonhar dele?

Prefiro que me chamem de histérica de vez.

Débora – A Solteira

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