De volta pra casa
Eu voltei. Voltei para a cidade que me acolhei desde os seis aninhos, Praia Grande. Mas de onde, devido à ânsia por novos ares, me afastei por praticamente uma década. Primeiro fui trabalhar na cidade vizinha, maior e mais importante. Foi pouco. De lá, voei uns 12 mil quilômetros e me aventurei por quase dois anos no velho continente. De volta, só fiz escala por aqui, e fui jogar minha âncora em São Paulo, cidade que adotei como minha e aprendi a amar e odiar como qualquer paulistano da gema.
Mas o lugar onde a gente cresceu exerce um poder magnético na maioria das pessoas e, cá estou, de volta.
Sinto-me privilegiada. Vejo que muitos profissionais acabam se sujeitando a abandonar suas raízes por questões mais financeiras que sentimentais. Por isso, sinto-me feliz em estar recebendo reconhecimento profissional no lugar que me é mais importante na vida.
“Mas quem rodou o mundo se contenta em voltar para cá?”, me perguntaram. “Aqui também é um lugar do mundo”, respondi. Agora, um lugar diferente aos meus olhos, já que vi tanto lugar diferente e descobri também o quanto tudo é muito igual, no que diz respeito a problemas sociais e relações humanas principalmente. Mais uma vez, sinto-me sortuda por poder contribuir, depois de rodar este mundão, para melhorar a realidade do lugar que sempre acolheu.
Agora, o azul do mar enche os meus olhos, em vez de passar despercebido. Da minha janela, consigo ver um pedacinho dele todos os dias e isso me alegra. Agora, os 10 minutos (sem trânsito) que levo para chegar ao trabalho me trazem o bom humor de volta nas manhãs de preguiça. Agora, comer comida de mãe me faz esquecer de que existe dieta. E, agora, posso definitivamente declarar: Eu amo Praia Grande.
Patrícia, A Solteira