Minha solidariedade às amigas com cólica
Aproveitando o gancho do assunto de ontem:
Todos os meses agradeço a todos os santos por nunca ter sentido um tiquinho de cólica na vida. Mas me solidarizo imensamente com as amigas que ficam sofrendo à minha volta. E acho tão injusto quando quem está do lado menospreza este sofrimento, como se fosse algo que as mulheres fossem obrigadas a passar, ou seja, deveriam enfrentar sem reclamar.
Se a menstruação é parte da ovulação, e se a ovulação é uma condição para a perpetuação da espécie, então todos os seres humanos deveriam ter uma parcela de responsabilidade com isso. Assim como as mães têm direito constitucional de se ausentar alguns meses do trabalho para cuidar do novo ser humano que gerou, cólicas e outras consequências desse processo também deveriam ser vistas com olhos mais solidários. Não estou propondo aqui uma “lincença-cólica” – apesar que às vezes elas são tão agudas a ponto de incapacitar mesmo a pessoa por uns dias – mas acho que as mulheres precisam começar a dividir este ônus, não escondendo o que sentem, pedindo ajuda e, sim, se ausentando de suas atividades, se necessário.
Também acho que a medicina está muito atrasada neste quesito. Não é possível que os cientistas já estejam quase chegando na fórmula da vacina contra a Aids e não conseguem resolver um problema tão antigo e aparentemente simples como as cólicas menstruais.
Enfim, é só um desabafo de quem não aguenta mais ver as colegas passarem por este martírio todos os meses, chegando ao trabalho como se tivessem sido atropeladas e precisado fazer de conta que tudo está muito bem, obrigada. Como elas ainda conseguem sorrir?
Para os leitores do sexo masculino, ou para as que nunca passam por isso, proponho que façam o seguinte cálculo: Se o problema acontece por uma semana por mês, isso representa um quarto do mês. Considerando uma menina que menstruou com 15 anos e que ovulou até os 50, serão, portanto, um quarto de 35 anos, ou seja, quase nove anos de dor. É tempo demais!
Patrícia, A Solteira