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Minha solidariedade às amigas com cólica

Aproveitando o gancho do assunto de ontem:

Todos os meses agradeço a todos os santos por nunca ter sentido um tiquinho de cólica na vida. Mas me solidarizo imensamente com as amigas que ficam sofrendo à minha volta. E acho tão injusto quando quem está do lado menospreza este sofrimento, como se fosse algo que as mulheres fossem obrigadas a passar, ou seja, deveriam enfrentar sem reclamar.

Se a menstruação é parte da ovulação, e se a ovulação é uma condição para a perpetuação da espécie, então todos os seres humanos deveriam ter uma parcela de responsabilidade com isso. Assim como as mães têm direito constitucional de se ausentar alguns meses do trabalho para cuidar do novo ser humano que gerou, cólicas e outras consequências desse processo também deveriam ser vistas com olhos mais solidários. Não estou propondo aqui uma “lincença-cólica” – apesar que às vezes elas são tão agudas a ponto de incapacitar mesmo a pessoa por uns dias – mas acho que as mulheres precisam começar a dividir este ônus, não escondendo o que sentem, pedindo ajuda e, sim, se ausentando de suas atividades, se necessário.

Também acho que a medicina está muito atrasada neste quesito. Não é possível que os cientistas já estejam quase chegando na fórmula da vacina contra a Aids e não conseguem resolver um problema tão antigo e aparentemente simples como as cólicas menstruais.

Enfim, é só um desabafo de quem não aguenta mais ver as colegas passarem por este martírio todos os meses, chegando ao trabalho como se tivessem sido atropeladas e precisado fazer de conta que tudo está muito bem, obrigada. Como elas ainda conseguem sorrir?

Para os leitores do sexo masculino, ou para as que nunca passam por isso, proponho que façam o seguinte cálculo: Se o problema acontece por uma semana por mês, isso representa um quarto do mês. Considerando uma menina que menstruou com 15 anos e que ovulou até os 50, serão, portanto, um quarto de 35 anos, ou seja, quase nove anos de dor. É tempo demais!

Patrícia, A Solteira

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Tá de TPM?

O cara largou essa logo após eu dispensá-lo pela centésima vez. A história não tinha mais por onde e sequer havia espaço para a amizade. E ele insistindo. E eu sendo fofa, mas dispensando. Aí dei um basta em tanta fofice e pedi que ele me esquecesse. A resposta imediata foi essa: Nossa, tá de TPM? E na seqüência veio a matadora: Ou nasceu de TPM? Bem, isso só confirmou meu desejo de que ele sumisse da minha vida em definitivo. Mas fiquei caraminholando sobre essa frase.

A primeira reflexão foi a de que alguns homens dificilmente entendem o nosso sinal de que não queremos mais saber deles – mas ficam putos quando as mulheres não entendem que eles não querem mais.


A segunda reflexão me tomou mais tempo. Por que catso mulheres não podem simplesmente ficar bravas, nervosas, brutas ou incomodadas com uma coisa pontual sem que estejam no período pré-menstrual ou menstruadas? Por que existe essa patrulha hormonal para cima da gente? É como se ainda esperassem que a gente fosse só doçura, pura compreensão, total acolhimento. E que qualquer ruptura com esse pacto de meiguice tivesse somente a ver com sangue. Como se um chefe, um colega, um assédio abusado na rua não pudessem nos tirar do sério.

Nunca vou me esquecer de uma vez em que a Marta (Suplicy), então candidata à prefeitura de São Paulo, disse que toda vez que ela surtava, era chamada de histérica. E que quando o falecido (Mario) Covas dava seus pitis, era visto como um cara de fibra.

Nós não podemos ser bravas. Não podemos falar duro. Não podemos dar uma cortada num cara inconveniente. Temos que ser doces. Quando acontece de falharmos, ah, tudo bem, é só um período do mês, uma explosão de hormônios por causa da gravidez ou da menopausa. E esse discurso é perigoso porque deprecia o que nos faz fêmeas – o sangue que corre todo mês, o sangue que jorra no parto, o sangue que cessa com a idade. Por que temos que nos envergonhar dele?

Prefiro que me chamem de histérica de vez.

Débora – A Solteira

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