Hora de falar dos dilemas das nossas leitoras. E quem conta a sua história hoje é a Júlia (nome fictício), de 30 anos, que mandou um e-mail para a gente. Namorando com Paulo (nome fictício), de 33 anos, há um ano e cinco meses, ela se sente apaixonada e em ótima companhia. O nó da relação é o fato dele nunca ter dito que a amava. Quando ela se declara, ele solta frases como “Eu também” ou “Também te adoro”. E se mostra inseguro, assim digamos, meio fechado para o amor.
O que acontece é o seguinte: antes de namorar Júlia, Paulo viu terminar um relacionamento de forma traumática. A ex dele o traiu quando eles já faziam planos de casar e, para completar, ficou grávida do fulano três meses depois do fim deles. Nossa leitora imagina que, por conta disso, ele tenha se tornado “um homem frio, travado” e que “não consegue se entregar, não consegue ser espontâneo, não é muito romântico, nem muito atencioso”. Apesar de tudo, diz Júlia, ele já melhorou “uns 60% nessas questões de frieza desde o inicio do namoro”.
Há poucos dias, Paulo teve uma crise. Após chegar de viagem, ficou distante da namorada, que percebeu a mudança de comportamento. Foi quando ele abriu o jogo e, aos prantos (até então ela nunca o tinha visto chorar), disse que estava confuso, que eles vinham falando muito em casamento e filhos, que ele não sabia se queria isso ou preferia ficar para sempre namorando, mas vivendo em casas separadas. Para completar, contou ainda estar desiludido com tantas histórias tristes sobre casamentos, que acha que “todo mundo trai todo mundo” e que, apesar dela passar toda a confiança ele morre de medo que ela apronte quando eles estiverem casados. E ainda arrematou dizendo que não tem certeza do que sente por ela.
Júlia ficou zonza, claro, mas conseguiu deixar claro para ele que pode até aceitar não casar, mas que não quer estar do lado de quem não tem certeza do que sente por ela. Depois desse turbilhão, o casal fez uma viagem a dois no final de semana, para simplesmente relaxar e curtir. Deu certo, correu tudo muito bem. Tanto que Paulo disse a ela que era exatamente daquilo que estava precisando, de ficar ao lado dela para comprovar quão maravilhosa era aquela companhia. Agora, nossa leitora está confusa. Teme acabar um namoro que considera bom, mas também não quer se sentir “abrindo mão da própria dignidade aceitando alguém que não tem certeza do que sente”.
Situação difícil, não? Mas deixa eu dizer o que eu achei: o discurso dele realmente deixa claro que esse homem ficou com os dois pés atrás ao ter sido traído por uma mulher com quem planejou casar. Mas, por outro lado, a boa convivência entre vocês, um ano e cinco meses depois, já deveria ter feito com que ele se soltasse mais. É lógico que cada um tem um tempo, um jeito de digerir as coisas e superá-las, mas, digo isso por experiência própria, quando o amor acontece de novo na vida da gente, quando nos arrebata de verdade, a gente se entrega, não tem jeito. E, mesmo com todo medo do mundo, dá um passo adiante e diz “Eu te amo” para o novo eleito. Além disso, ele afirmou, com todas as letras, estar confuso. Foi bacana ao não esconder isso de você, eu achei.
Para fechar, só posso te dizer para deixar o radar ligado, observando muito bem as atitudes de Paulo daqui por diante, isso além de ouvir com carinho a sua própria intuição. Não tenha medo de nada, querida. Não precisa. Assim como ele, há outros mil homens maravilhosos no mundo, muitos dos quais querem casar, acredite. Ele pode ser incrível, mas, se vocês não estão em sintonia em relação a questões tão importantes, é o caso de pensar duas vezes mesmo. Observar melhor a relação e então decidir. Só me prometa que não vai abrir mão dos seus sonhos, da vontade de dividir a vida com alguém morando na mesma casa, por que não? Eu sou romântica, que nem você. Te entendo perfeitamente. E torço pelo melhor para os dois.
Amigos leitores, agora é com vocês. Opiniões, experiências e força para a Júlia nos comentários.
Beijão, Júlia. Be happy.
Much love,
Isabela – A Divorciada
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