Eram 18h, quase final de expediente, quando o celular fez aquele barulho de que acabou de chegar mensagem. Ela nunca podia imaginar que reagiria daquele jeito, nervosa, meio tonta, tomada por uma dor de barriga instantânea. Era ele, seis meses depois de tudo, aparentemente retomando contato a partir de um torpedo banal, dizendo que se sentia cansado de tanto trabalhar.
Voltemos a fita: ela é uma amigona minha. Ele, um amor repentino e intenso, que surgiu no momento em que ela se sentia mais feliz ao lado do marido, vejam que coisa doida. Se conheceram do jeito mais inusitado: ele foi o advogado indicado para cuidar do divórcio da irmã dela, um processo complicado. Era um homem lindo e uma espécie de salvador da família numa situação delicada. Estamos falando do advogado perfeito, eficiente, atencioso e gentil. Foi fulminante. Logo, trocaram olhares e números de celulares, torpedos que entregavam o jogo mesmo que ambos tentassem evitar o óbvio. Depois de várias mensagens de aproximação mais sutis, ele deu o primeiro passo e escreveu que ela era especial. Tentaram marcar um encontro, nunca deu certo. Até que, ao se despedir da irmã após uma reunião no escritório, numa tarde dessas, ela decidiu ir à casa dele, a convite do próprio.
Foi sexo do bom e do melhor. Puro instinto e vontade. Não importava a falta de planejamento, a calcinha que não combinava com o sutiã, o fato de estar traindo o marido. Ela não podia evitar aquela situação. Não conseguiria se tentasse, tinha certeza. Daí por diante foram semanas de amor nos tempos do cólera, ideia fixa, muita expectativa. Acontece que, ao contrário do que se podia esperar, o advogado se retraiu, não deu mais notícias. E ela achou melhor deixar quieto, já que amava o marido, afinal. Tinha sido apenas um flerte, alguém que veio para despertar nela o sentido da paixão, da beleza, da vaidade. Que mulher não quer ser cortejada por um homem lindo? Sentir-se absolutamente desejada?
Tudo resolvido. Pelo menos era o que ela pensava até se ver diante do dilema: afinal, o que leva um homem a retomar contato assim, seis meses depois? Pura e simples demarcação de território? Vontade de ter de novo aquele ótimo sexo casual? Mas foi só uma mensagem, um oi praticamente. Ele não a convidou para sair, não foi além nas semanas seguintes, voltou a ficar mudo. Comunicação zero. As dúvidas continuam. Certeza, ela só tem uma: a de que nada mais será como antes depois daquele torpedo.
Isabela - A Divorciada
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