Ser forte cansa

Foi assim, no meio da tarde de um dia útil, dentro das Pernambucanas, na seção de cama, mesa e banho, que ela teve uma crise de choro daquelas. O ar não saia, não entrava. O peito parecia até que estava preenchido com cimento. O corpo doía, as pálpebras pesavam e a cabeça girava. O que mais podia dar errado?

A vida, naquele exato segundo de explosão, parecia totalmente sem sentido. Ninguém tinha morrido, ninguém tinha matado, nenhum coração havia sido partido. Era só a exaustão de ser forte o tempo todo. De carregar os problemas dos outros como se fossem dela. De tentar ser polvo e lidar com todas as queixas, todas as frustrações e todas as mágoas guardadas no peito dos que a rodeavam. Enquanto isso, o peito dela ia ficando encolhidinho.

Ali, no meio da loja, ela chegou ao seu limite. E antes que o seu peito também se enchesse de queixa, frustração e mágoa, ela se permitiu ser fraca. E chorou.

Débora – A Recasada

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Em camas separadas


Quase um em cada quatro casais americanos dorme em camas ou quartos separados, segundo pesquisa da Fundação Nacional do Sono, nos Estados Unidos. Nessa mesma linha, a Associação dos Construtores de Casas dos EUA prevê que 60% dos imóveis feitos sob encomenda terão duas suítes master até 2015. Li as informações acima no caderno com uma seleção de textos do New York Times que a Folha de S. Paulo publica todas as segundas-feiras. E fiquei pensando no assunto. Será que dormir na mesma cama não faz mais parte do pacote casamento? Será que estamos ficando individualistas demais?

Tem gente que ronca absurdamente, eu sei (OBRIGADA SENHOR por não ter problemas dessa ordem), pode ser complicado, mas, fora isso, por que não dormir junto? Tem coisa melhor, nesse frio que tem feito em São Paulo, do que dividir o leito com quem se ama? No quentinho? Mesmo sem temperaturas baixas, tem o aconchego, o cheiro, o acordar no meio da noite e ver o parceiro dormindo, aquela sensação de paz e intimidade que, na minha opinião, só une os casais. Literalmente, neste caso.

De acordo com a reportagem, alguns dos motivos alegados por aqueles que preferem camas separadas são priorizar o próprio sono (os companheiros dos roncadores, imagino) e desejar ter seu espaço pura e simplesmente. OK, OK, cada um na sua, vamos respeitar diferentes modos de viver, não quero aqui ditar regras. Mas gostaria de encerrar este post com algumas das conclusões de uma pesquisa citada na mesma reportagem, feita pelo professor de psiquiatria Paulo Rosenblatt, da Universidade de Minnesota, para o livro Two in a Bed: The Social System of Couple Bed Sharing (Dois numa Cama: o sistema social do compartilhamento da cama entre casais).

Segundo Rosenblatt, que desconfio ser um romântico como eu, dormir junto é melhor para a saúde, já que, em casos de emergências médicas durante a noite, tem alguém do lado para socorrer. Outro argumento apontado foi o fato de que o hábito, claro, é melhor para a vida sexual. Ou seja, em quartos separados os casais namoram menos. Assim sendo, senhoras e senhores, vamos tratar de ser mais saudáveis. E dar uma chance à boa convivência entre lençóis, por que não?

Much love,

Isabela – A Divorciada

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Sobre pais e mães

Datas são sinônimos para as mais variadas reações. Sugerem lembranças, recuperam ou reforçam laços. Mas também revelam aquilo que se partiu faz tempo. Um dia das mães tem este efeito, um dia dos pais também.

Aos ausentes, resta o esquecimento ou a obrigação de telefonar, ou seja, restam os restos. Aos sempre presentes, nada melhor do que a renovação do afeto eterno. Há também outro aspecto interessante destas datas. O de legitimar quem conquistou o título por direito e dever. O pai que cuidou dos filhos abandonados pela mãe merece celebrar um dia dos pais em dobro. E também jamais ser esquecido no dia das mães. Ele foi as duas coisas mesmo... Nada mais justo.

O mesmo para elas que, hoje, podem olhar para trás e dizer sem exagero que foram "pai e mãe". Cumpriram o seu papel de direito com excelência, e também o que lhes foi atribuído por dever, ou melhor, pela falta do dever de quem o possuía por direito. E, calma, muita calma antes de crucificar quem abriu mão do seu papel. Pode ter sido por pouco caso sim.

Porém, há outro motivo, este muito mais difícil de lidar; o daqueles que abriram mão de exercê-lo plenamente por pura inaptidão. Sim, isso acontece e os motivos disso não cabem em um divã, mas sim em vários e sem garantia de respostas ao final do processo.

Quem tem pai ou mãe do gênero "híbrido" deveria se orgulhar. Bom, eu me orgulho bastante. No dia dos pais, minha mãe dormiu lá em casa.

Giovana - está solteira

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Mãe coragem




Hoje faz um ano que a Marie Laure Picat morreu. Marie-Laure quem? Pois é, eu também não conhecia a história dela até receber o livro “A Coragem de uma Mãe” (Editora Fontanar). A Marie-Laure foi uma francesa comum que se tornou celebridade nacional ao brigar contra a justiça francesa para garantir que seus quatro filhos ficassem juntos após a morte dela.

Ao descobrir que tinha um câncer terminal aos 36 anos, e sabendo que não podia contar com o pai das crianças para quase nada, dedicou seu último ano a encontrar um lar para seus filhos e para ter a garantia de que eles não seriam separados. Marie-Laure achou um casal disposto a adotar os quatro, mas encontrou resistência na burocracia do país que lhe dizia que o Juizado de Menores que decidiria o futuro deles após a morte dela.

Ela chamou a imprensa (sim! Às vezes servimos para causas nobres, rs), fez aquele auê e conseguiu a garantia de que eles viveriam com Valérie, a mãe adotiva, e seu marido. Até para um jantar de gala com o presidente Sarkozy e a lindíssima Carla Bruni ela foi convidada.

O livro é simples, é um diário dela dos últimos meses de vida, mas não tem como ler sem derramar “um litro de lágrimas” (parodiando a novela japonesa) e sem desejar que Julie, Thibault, Matthieu e a pequenina Margot estejam unidos, felizes e orgulhosos da mãe deles.

“Escrevi esse livro para meus filhos, para que saibam quem eu sou, e também para que exista uma lei que ampare as pessoas na mesma situação que eu. Não é porque estamos doentes que está tudo acabado” (Marie-Laure).

Débora – A Recasada

PS: Na primeira foto, Marie com os três filhos mais velhos e, na segunda, com a pequena Margot.

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José Heleno, meu pai


Pouco antes de morrer, no hospital, numa maca indo de uma sala para a outra, fraquinha e já não mais lúcida, minha avó Maria olhou para o meu pai, segurou a mão dele e se dirigiu aos enfermeiros à sua volta: “Esse é o José Heleno, meu filho”. Foi assim que ela, que tinha tanto orgulho do seu caçula, se despediu dele.

Vovó Maria tinha todos os motivos para cobrir-se de glórias por ter dado à luz e educado um homem tão bom, tão íntegro, tão generoso, tão comprometido. Tanto que hoje, painho, estando longe de você, faço minhas as palavras dela. E, daqui do meu teclado, seguro a sua mão e digo: “Esse é o José Heleno, meu pai”. Esse mesmo, na foto acima em uma das nossas primeiras imagens juntos, ainda na maternidade, mas já me conduzindo vida afora.

Te amo. Feliz Dia dos Pais. Beijão.

Para ele e para os painhos de vocês, tá?

Much love,

Isabela – A Divorciada

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Corpo forte, mente forte

Eu acho que sou uma esportista frustrada. Passo mal de admiração vendo atletas se preparando para uma competição. Outro dia fui correr – corridinha picareeeeta – no Parque das Bicicletas e vi uma moçada se aquecendo para alguma prova de atletismo que ia ter ali. Aqueles corpos esguios, pernas fortes, suor no testa, roupas coladas ao corpo e cada um buscando seu canto, seu momento de concentração e inspiração.

Enquanto corria – minha corrida capeeeeenga - e observava aquela moçada, fiquei fazendo uma analogia do esporte com a vida. Acho que se todo mundo fizesse aquela preparação que eles fazem antes da competição – alongamento, aquecimento, concentração – todos os dias pela manhã seria em mais fácil enfrentar cada dia. Porque se cada dia é um grande desafio que se apresenta, merece ser vivido com toda a disposição e concentração que podemos ter.

Eu, particularmente, medito e pratico aikido. Fortaleço minha alma e meu corpo antes de começar a parte prática do dia (confesso que às vezes pulo essa etapa e vou correndo para a insanidade). Acho que toda forma de trabalhar corpo é também uma forma de trabalhar a mente e alma. Como dizem os taoístas, nosso corpo é a nossa morada, nosso templo sagrado. Não precisamos ser esportistas de ponta, mas podemos nos inspirar nos atletas.

Débora – A Recasada

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Dez coisas que eu odeio no jornalismo

Não sou lá de odiar as coisas visceralmente. E menos ainda de escrever sobre o ódio. Mas há momentos na vida que se a gente não desabafa ao menos no nosso próprio blog, tem um burnout. Eu amo ser jornalista – e prometo um dia escrever as dez coisas que eu amo. No entanto, em se tratando de uma profissão um tanto estressante e quase esquizofrênica, pode nos deixar malucos. E eis as coisas que mais me irritam no geral:

1. Se deixar sempre pautar pela Time ou pelo NY Times como se tudo o que eles dissessem fosse lei. Mesmo quando o que eles dizem não faz o menor sentido para o Brasil.
2. Achar que uma notícia é velha demais e não dar. E resolver dar depois que o Fantástico deu.
3. Achar que uma tendência é vanguarda demais e que o leitor não está preparado para aquilo. E resolver dar depois que o Fantástico deu.
4. Achar que os entrevistados são pessoas que estão disponíveis 24 horas por dia.
5. Achar que “personagem” é coisa que se compra por R$ 1,99 em uma máquina de depoimentos que tem em qualquer esquina. Como se não fossem seres humanos, como se não fosse a vida deles em jogo na revista/jornal/TV/internet/rádio.
6. É a profissão que mais exige sensibilidade. E é onde mais tem gente insensível (MAFÊ, ESSA EU ROUBEI DE VOCÊ, TÁ?).
7. É a profissão que mais exige uma mente aberta. E é onde mais tem gente preconceituosa.
8. A obsessão por números. Ofereça uma matéria sobre velhinhas que usam piercing e teu chefe te perguntará: tem número mostrando que cresceu o número de velhinhas usando piercing?
9. As coisas serem sempre ao gosto do patrão e nunca ao gosto do freguês (depois não entendem porque tem tanta gente fazendo blog...). 10. A falta de respeito e de delicadeza no trato dos chefes com seus subordinados. E, algumas vezes, entre colegas.**


Débora – A Recasada


*Matéria fria, para quem não sabe, é matéria que não precisa de nenhum fato atual para ser publicada.
** Até que nesse item tive, no geral, muita sorte, tive muitos chefes incríveis e colegas maravilhosos! Tanto que tenho entre meus melhores amigos gente que fui conhecendo pelo caminho das redações (Né, Belita?).

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Piriguete que é piriguete...

Dizem que o termo surgiu em Salvador, da união de “piranha” e “cat”. Em bom baianês, virou piriguete. Antes de começarmos a descrição de como uma representante da categoria se comporta, uma observação: a palavra também pode ser usada em tom de piada. Eu, por exemplo, já brinquei várias vezes com as minhas amigas falando coisas como “vai piriguetar, hoje?”, “Mas é muito piriguete, viu?”. Isso com carinho, fazendo graça. Para mim, piriguete no mau sentido, a perigo mesmo, é aquela que, de tão desesperada para conseguir um homem, passa por cima de qualquer coisa. Inclusive das outras mulheres. Mas vamos em frente:

Piriguete que é piriguete....

Põe uma foto seeeeeeeeeeexy no perfil do Facebook (ou do Orkut). De preferência fazendo biquinho. Não importa a pose, a legenda sempre poderá ser: me janta!!!


Destrata todas as outras mulheres que dela precisam. E atende bem os homens, claro. Uma vez, tendo problemas ao ligar para uma agência bancária, comentei a situação com Guarda Belo, que, na tentativa de me ajudar, ligou para o mesmo local. A telefonista, estúpida comigo, foi fofa com ele. Piriguete com P maiúsculo!!!


Dá em cima do homem alheio sem se preocupar se a parceira dele está do lado. Como diz uma amiga minha, toda mulher tem o direito de investir no homem que quiser. Tá certo: se eles são comprometidos, que cortem as asas das bruacas, cada um com a sua consciência. Agora, na minha modesta opinião, fazer isso com a fulana por perto é descer mais fundo que o fundo do fundo do poço. Categoria fim do mundo. Como diria Leão Lobo, dignidade já!!!


É arroz de festa, figurinha fácil em qualquer evento. Não perde batizado de boneca, bota fora de desconhecidos, aniversários de quem sequer conhece direito. Tem homem? Aqui vou eu. Fala sério!!!


Odeia trabalhar com outras mulheres. Há muito tempo, entrevistei uma médica que me disse que, quando fosse abrir a própria clínica, não ia contratar uma profissional sequer do sexo feminino. Apenas homens. Piri-piri-piri-piri-piriguete!!!


Tem por hábito secar as outras mulheres com olhares de cima abaixo, sem disfarçar. Eu, que já me irritei muito com essas coisas, agora tomo como um elogio. Se me olhou muito, é porque gostou.


Trata homens com os quais não tem a menor intimidade com...intimidade!!! Roberto, por exemplo, vira “Robeeeeeeeeeeeeerto”. Isso falando ou escrevendo, tanto faz. Vergonha alheia é pouco.

E aí, esqueci algum item importante neste breve manual das piriguetes? Pois podem me ajudar a completar a lista nos comentários.

Beijos, beijos (mas sem piriguetice, hahaha!!!),

Isabela – A Divorciada

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O lado trash de cada um

Já ouviu falar em lado sol e lado lua? É como alguns especialistas em gente costumam classificar nossos talentos e desafios. O sol corresponde a tudo que, onde botamos a mão, somos os melhores. Já a lua é o lado que exige mais dedicação por não termos aquela aptidão natural que nos faz executar certas coisas com um pé nas costas.

Um exemplo raso: escrever bem e ser um desastre em matemática. Só que antes de entender dos astros, nada como conhecer o próprio lado trash; aquele que aflora ao “assassinar” uma frente única com um sutiã de alça de silicone. Já aprontou uma dessa consigo mesma? Pois é, era o seu lado trash aflorando em rede nacional.

Consciente ou sem querer, o lado trash está aí e esperto é quem sabe a hora de fazer o seu aparecer, ou sumir na ventania. Ele se manifesta naquele brigadeiro de panela detonado sem dó, sem piedade e de pijamas, claro que na paz inabalável do seu lar. Na espera inútil do telefone que não vai tocar, e você já deveria ter ido para o cinema sozinha faz horas.

Ou naquela balada-roubada que você vai e tem como desfecho uma fila interminável, acompanhada dos epílogos dor no pé, bêbados inconvenientes e aquela fome que te faz parar no primeiro posto de conveniência para tomar um Toddynho com pão de queijo. Nesta hora, a maquiagem já dá coceira nos olhos.

Mas para algumas modalidades do tipo humano, o lado trash é que faz toda a diferença. É quem ganha onde deveria perder. Por isso, fique de olho naquela conhecida de cabelo detonado, desenganada pelos cabeleireiros e pelas melhores fórmulas de shampoo, mas que tem a auto-estima e seu próprio séquito em dia.

Fique ligada naqueles que erram feio como quem palita os dentes na mesa, e acha que ninguém vê. Mesmo assim, essa galera segue adiante e faz a diferença com o tal do seu lado trash. Auto-estima vários tons acima e uma boa pitada de ingenuidade podem fazer a receita funcionar. Se não desse certo para alguns, o sutiã com alça de silicone já teria saído de linha.

Giovana - está solteira


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Por que eles fazem isso?

Sabe uma coisa que eu acho meio besta? Homem que esconde que tem namorada. Aliás, vamos começar do começo: como eles conseguem esconder? Por que, quando a gente convive muito com as pessoas, inevitavelmente a gente acaba falando do nosso consorte (às vezes, sem sorte, rs). Eu não consigo contar uma história do meu passado, de uma viagem, uma cena engraçada, uma mania de dia a dia, sem citar o Charlie. Ele faz parte da minha vida há nove anos, oras, é meio difícil não citá-lo. Mas os homens – incrível – conseguem.

No trabalho, uns caras ficaram meses “escondendo” suas respectivas de um grupo grande de meninas. Quando descobrimos, a reação foi geral: uau, mas eles não se comportam como se tivessem namorada! Minha única conclusão é de que o cara que faz isso tem sempre alguém do grupo de quem ele esconde a namorada como uma “marmitinha” em potencial (desculpem, foi meio caminhoneiro isso, mas é bem real...). O cara prefere não se dizer comprometido porque...vai que rola algo, né?

Pior que esse, só aquele que é comprometido e mesmo assim dá em cima geral. Esse é campeão. Uma coisa, para mim, é certa. Um cara desses já despenca várias posições no ranking de “caras bacanas que eu conheço” quando fico sabendo dessas coisas.

Débora – A Recasada

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Mas eu te amava

Ela já esteve por aqui antes. E abalou com o post Como ir das nuvens ao calabouço da manhã para a tarde. Agora, a Solteira à procura de um novo grande amor volta com um texto lindo sobre um sentimento que já se foi. Mas que foi grande enquanto durou. Obrigada pela colaboração, queridona. Amei. Volte sempre.

Beijos,

Isabela – A Divorciada

Mas eu te amava

Quando te conheci, seus cabelos cheiravam a escapamento e seu perfume era o do desodorante mais barato da farmácia da esquina. Mas eu te amava.

Quando te conheci, nosso ninho de amor era um colchão já ondulado pela idade avançada e nossa trilha sonora vinha de fitas cassete gravadas de discos de vinil. Mas eu te amava.

Caetano, Cult, U2 estavam todos na mesma seleção após longas horas em frente ao aparelho de som. Suas camisetas muitas vezes cheiravam a gaveta e você fazia a barba com espuma feita de sabonete Lux. Mas eu te amava.

Lembro que te amava mesmo quando usava uma zorba sem elástico, uma camiseta com furo ou uma meia trocada. Quando te conheci, as flores que ganhava vinham do fundo do quintal e comer pizza fora era em ocasiões especiais. Mas eu te amava.

Quando te conheci, você usava tênis, não sabia dar nó em gravata nem limpar direito a unha do pé. Mas eu te amava.

Naquela época, seus cabelos batiam no ombro, seu peito cheirava a parafina e eu tinha que passar horas te esperando na praia. Ainda assim, te amava.

Te amava até com touca de banho cor-de-rosa, blusa do avesso ou calça um número maior. Até quando esquecia as datas especiais, pechinchava cinquenta centavos ou alugava um filme repetido.

Naquela época, eu acabei concordando que não ter carro era descolado, que ir à praia com chuva podia ser interessante e que acampar era super confortável. Mas porque eu te amava.

Quando você contava a mesma história milhares de vezes, não ria da minha piada ou não levava a sério minha TPM, ainda assim eu te amava.

Quando te conheci, só te chamavam pelo primeiro nome, seus amigos chegavam sem avisar e no fim do ano você foi papai Noel.

Hoje, não te conheço mais. Mas, por favor, nunca se esqueça:

Eu te amava.

A Solteira à procura de um novo grande amor

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O batom e o salto alto


Eu não tenho nada contra o gloss. Pelo contrário, sempre levo um na bolsa, rosinha, para manter os lábios protegidos sem ter trabalho quando preciso. Agora, para encarar a vida e levantar o visual, de domingo a domingo, no trabalho ou fora dele, não conheço nada melhor do que batom. E vermelho, em 99,999999999% das situações.

Por isso mesmo adorei ler, na Criativa, uma entrevista com o diretor criativo da linha de maquiagem da Chanel, Peter Philips, que disse:

“Para mim, usar gloss é como calçar chinelo de dedo. Já o batom é como um sapato de salto.”

Bom domingo, meninas (e meninos também). De preferência com batom caprichado nos lábios. Beijos!

Isabela – A Divorciada

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Doidas e Santas


Adoro Doidas e Santas, livro de crônicas da colunista e escritora gaúcha Martha Medeiros. Tanto que já dei o título de presente para a minha mãe e para duas grandes amigas. São textos leves, curtos, simples, mas cheios de reflexões com as quais eu me identifico muito, a maioria sobre o universo feminino, com todas as nossas alegrias, decepções, neuroses, loucuras. Minha dica de leitura procês hoje.

Para deixar um gostinho, reproduzo aqui um trecho que eu acho super verdadeiro extraído da crônica que dá nome à obra:

“Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra.”

Ótimo sábado, doidonas. E doidões também!

Besos, besos,

Isabela – A Divorciada

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Quando não rola

É, tem vezes que não rola. A amizade que se restringe à cor do esmalte. A paixão que nunca passa da página 2, a convivência que não cruza a porta da firma. Da sua parte, até rola um desejo genuíno de ir além. Mas é só conhecer um pouco mais para a ter certeza absoluta de que não rola.

Alguns chamam de intuição, não importa. Quando este estalo acontece convém não ignorar. Jamais force a barra quando não rola. É uma regra básica que deve ser respeitada sempre. Isso vale para o menor comentário enviezado, largado como um petardo na sua direção. É, coisas de se viver em sociedade... Aquele que você finge não entender e só mesmo através da evolução do espírito para deixar para lá. Deixe para lá, nem perca seu tempo. O não rola é o desapego do novo milênio.

Não rola, então bola para frente.

Outro sinal precioso para não entrar em roubada. Beijou, foi mais ou menos, pode escrever: não vai rolar, nem adianta. Explicar isso num post é igual entrar num labirinto de olhos fechados. Enfim, não vai rolar.

Então, faça um retrospecto da sua própria experiência e depois me conte se é ou não é batata? A pessoa pode até ser legal. O problema é que, mais tarde, é exatamente assim que você irá lembrar dela: como uma pessoa legal, e ponto. Lógico, não rolou, não acrescentou nada ou grande coisa.

Qualquer coisa pode ser legal, até o que não rola. Mas é tão melhor quando é legal porque rola. Aí é o zênite. Os amigos que marcam um fim de semana bacana em dois tempos. Pode até fazer tempo feio, frio e chuva. Será incrível e isso é certeza. O mesmo para as relações intensas, nas quais dias, meses e anos são apenas mero detalhe. Falo dos amores de todos os tipos sejam daqueles que nos fizeram quem somos aos que nos desafiam a todo momento. O tempo ali é outro. Não se sente passar e pode ser revivido graças a outro estalo. O das lembranças daquilo que é bom de verdade.

Giovana - está solteira

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Me bate, Fragoloni!


“Me bate! Me bate, Fragoloni! Olha que horrível, me bate. Eu sei que vai doer, não vai ser legal, mas me bate, acaba comigo.”

Foi assim que, no capítulo do último sábado, dia 24, a personagem Jéssica, interpretada pela atriz Gabriela Duarte em Passione, reagiu ao saber que seu marido, Berilo, vivido por Bruno Gagliasso, decretaria uma greve de sexo. Eu estou chocada até agora. Para mim, só não foi pior porque Berilo respondeu o absurdo com um “Eu nunca vou bater numa mulher. Nunca!”.

Gente, num momento em que a Lei Maria da Penha está em plena discussão pela falta de condições de aplicação no país, que os noticiários estão repletos de casos gravíssimos de violência contra nós, que se tenta estimular as vítimas a denunciarem as agressões, como assim uma das mocinhas da novela pede para apanhar? Não se trata de fetiche sexual, nada na linha “um tapinha não dói”, que seja, mas de ser castigada para voltar a ter sexo. Jéssica sabe que é “horrível”, que “vai doer, não vai ser legal”, mas pede para ser redimida pela porrada.

Alô, Sílvio de Abreu!!! Haja vacilo para esse texto ter ido ao ar. Não dá meeeeeeeeesmo. Nem com uma flor. Nunca.

Severas críticas.

Isabela – A Divorciada

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Essa nossa mania de achar que a gente controla tudo...

Foi uma conversa interessante. Um jantar com mais duas mulheres sábias e cheias de vida e um rapaz calado, que só fazia balançar a cabeça concordando ou discordando. E elas queriam me convencer de que uma paixão só acontece quando a gente abre brecha para isso, quando a gente busca isso. Que não existe essa coisa de “aconteceu! Me apaixonei”. Disse que concordo com elas que de fato muitas vezes buscamos isso – especialmente quando estamos solteiros e queremos isso – mas que não é bem assim que funciona. A gente pode até abrir brecha, dar espaço, desejar uma grande paixão e isso acontecer. E que bom que acontece! Desde que estejamos livres. Mas que não temos tanto controle assim sobre as coisas do coração, como diria Raulzito. Que muitos sentimentos escapam ao nosso controle. Que é ilusão achar que a gente comanda o barco. O menino, que não dizia nada, levantou a mão para me cumprimentar e finalmente disse algo: como se fosse possível racionalizar o amor...

Acho que é preciso ter uma certa humildade em aceitar que o nosso controle vai só até um ponto. Depois, é se entregar ao imponderável.

A vida como um todo, ao meu ver, é isso.

Débora – A Recasada

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A certeza do reencontro

O reencontro sempre é precedido pela perda. A ideia me ocorre por causa da morte do filho da atriz Cissa Guimarães, atropelado em um túnel no Rio de Janeiro. Ganha forma quando ouço uma mãe resumir a perda de um filho ou filha como "quando as engrenagens do relógio andam para trás". Na mosca, é isso mesmo. Quem já viveu isso na família sabe do que estou falando.

O curioso é que, dependendo da perda, a certeza do reencontro é algo reconfortante. E ela carrega este sentimento de maneira ainda mais forte neste grupo, no das mães que tiveram que se despedir de seus filhos em vida. Pensando um pouco mais nesta ideia, há também a certeza do reencontro entre os grandes amigos. Esta é livre, solta e gostosa de sentir. Vai acontecer e é incrível que seja assim, quase que por acidente. Neste caso, as afinidades fazem o papel de ímã. Quer coisa mais reconfortante que isso?

Tem aqueles reencontros que desejamos, porém não queremos. Deu para entender? Estes são mais de foro íntimo, complicados de resolver. Simplesmente porque não paramos de imaginar como vamos reagir na hora "H". Aí o pensamento vai longe mesmo, em geral desencadeando um tanto de confabulações inúteis que não levam a nada. Na hora do reencontro, sempre acontece tudo diferente do que se imaginou mesmo....

Há os reencontros que nos fazem perder o sono de tanta felicidade. Já tem hora, local e data marcada. A simples certeza de que irão se tornar verdade muito em breve já funciona como um injeção de ânimo e tanto.

O reencontro como episódio, de um modo geral, carrega consigo um significado de ciclo que se fecha. Ou de um novo período que se inicia. Agora, existem por aí alguns reencontros que tem um quê de "acho que já te conheço de outros tempos". Aquelas de afinidade imediata, grande intensidade e uma boa dose de verdade. Seja lá o que for, são uma grande novidade, sempre à nossa espreita pelas esquinas da vida.

Giovana - está solteira

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A cada três anos

Eu resolvi estudar tarô. Não foi bem planejado, surgiu de um convite e acabou virando um vício. A primeira coisa que a gente aprende no curso, antes mesmo de estudar os arcanos, é fazer uma continha para descobrir nossos números. O principal deles é a soma da sua data de nascimento. O meu dá três, o que significa que a “minha” carta é a Imperatriz. Gostei dela. Sentadona no seu trono, austera, segurando um escudo, ela faz a ponte entre o espiritual e o material. Outra coisa que a gente aprende é que o tarô é um caminho que se expressa nas 22 cartas chamadas “arcanos maiores”. Nesse caminho há vontade, prazer, dor, livre-arbítrio, provações externas e internas e evolução. O seu número principal define a cada quanto tempo você vai reviver esse ciclo. Então, no meu caso, a cada três anos vivo todo esse caminho.

Pode ser uma grande bobajada, mas fiquei relembrando o que aconteceu na minha vida a cada três anos e não é que fez todo sentido? Aos quinze, comecei a namorar meu primeiro namorado. Marcante. De 17 para 18, o segundo. Aos 21, conheci e me apaixonei pelo Charlie. Diria que foi a fase da minha primeira grande crise pessoal. Fui parar na terapia. Aos 24, realizei meu sonho de ir para a Espanha ficar um tempinho por lá. Aos 27 comecei, sem perceber e sem grande consciência, meu caminho espiritual ao entrar no aikido. E aos 30 eu rompi meu casamento, vivi uma grande história de amor e passei pelo que eu considero agora a segunda grande crise da minha vida. O que vai acontecer aos 33? Sabe-se-lá! Mas possivelmente viverei mais um ponto de virada.

Já descobriu seu número?

Madame Débora – A Recasada

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I love Recife


Eu já escrevi aqui o quanto eu sou louca pela capital pernambucana? Disse que Recife é uma das minhas cidades prediletas? E que eu vivi lá cinco anos maravilhosos, entre 1996 e 2000, o período da faculdade de Jornalismo? Pois é, a terra de Manuel Bandeira é TUDO para mim. Amo de paixão, morro de saudade.

Para expressar parte deste amor, escrevi na semana passada, na Agência de Notícias Brasil Árabe – Anba, uma reportagem de turismo destacando o roteiro das artes no Recife, com parte das lindezas que aquele lugar tem nesse campo. E isso dentro e fora dos museus, viu?

Ficou interessado? Pode ler aqui.

Bom domingo, minha gente. Beijos especiais para todos os leitores e leitoras de Pernambuco, esses privilegiados.

Isabela – A Divorciada

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A Cinderela mudou de ideia


Recebi na redação um livro muito bacana, diria que é a cara desse nosso blog. “A Cinderela mudou de ideia” (Editora Planeta) conta a história de uma princesa muito da moderna. A começar que ela volta tão bêbada do baile que, quando se dá conta, aceitou a proposta de casamento sem pensar muito bem. O sapatinho de cristal não cabe perfeitamente no pé dela – o salto altão e o bico fino a oprimem! (essa parte eu adorei, claro). Mas ela faz de tudo para se encaixar nele e no papel de princesa. Até cozinhar perdizes para seu príncipe glutão, mesmo sendo ela vegetariana e tendo horror à carne, ela faz sem pestanejar. Um belo dia ela diz CHEGA! E eis que a fada do “Chega” – morena, gordinha e peluda – aparece na frente dela. E, pela primeira vez em anos, a “Cindi” chooooora.

Depois do episódio, ela manda o príncipe embora (a parte mais difícil, segundo a própria) e passa a tomar conta de sua própria vida, seguindo de acordo com suas crenças e convicções.

O livro é de duas espanholas, a ilustradora Myriam Camelos Sierra, e a escritora Nunila López Salamero. E a história por trás da história, ou sobre todo o rebolado que elas tiveram que fazer para lançá-lo, também é contada de forma ilustrada. E igualmente divertida.

No final, há um pequeno texto da Nunila contando quando foi a primeira vez que ela chamou a fada do CHEGA e porque, desde então, brigou com ela mesma por causa dessa mania de perseguir príncipes. Até finalmente entrar em paz consigo própria. No final, ela escreve uma coisa que é o resumo do que penso ser o amor. Me senti quase que aliviada por alguém escrever exatamente o que sinto:

“...porque amar não é encontrar sua alma gêmea; amar é cuidar, cuidar de nós mesmos primeiro e depois de todo o resto.”

Amei!

Débora – A Recasada

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Fogo de saudade

Ele está com um brilho no olhar e um sorriso que eu conheço bem. Está encantadíssimo. Ela pensa como ele, sente como ele, projeta a vida como ele. Só que ela não é a namorada dele, é outra mulher. E a mesma razão que o faz sorrir, gera uma crise no peito sem precedentes. Ele fica entre o “fazer o que é errado e pagar para ver no que dá” e o “frear a paixão, esquecer o encantamento e fingir que nada aconteceu”. Afinal, a paixão não elimina o amor pela titular. E isso gera conflito. Para aliviar a alma, foi jantar com uma amiga que o aconselhou da seguinte forma: “O que te faz feliz não pode te fazer mal”. Eu disse que concordo com a frase e também sou de me jogar, mas que completaria a sentença da seguinte forma: “...mas sempre pode ter conseqüências dolorosas, só que isso não deve te impedir de fazer o que você quer. É só ter consciência disso”.

A crise é braba, a culpa é grande e o medo é o que o faz ficar paralisado. No entanto, o sentimento é delicioso. É o que o faz ficar aqui e acolá cantarolando “Fogo de Saudade” no ritmo da Beth Carvalho. E eu reforço, e assino embaixo, quando ela diz: “Quem ama para valer, do amor se fortalece”.

Disso, ah, disso eu não tenho a menor dúvida!

Débora – A Recasada

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'Minha ex está namorando'

Não faz muito tempo, nosso leitor Fernando (nome fictício), de 34 anos, administrador de empresas, morador da muy linda capital baiana, Salvador, escreveu para nós contando que estava se sentindo mal por saber que a sua ex-mulher, de quem ele se separou em agosto do ano passado, após cinco anos de casamento, estava namorando.

Fernando mantém uma boa relação com a ex. E inclusive já tem um novo relacionamento também, mas não nega que ficou baqueado quando soube que ela estava em outra. Ao ler isso, não perdi tempo e propus a ele uma entrevista sobre o assunto, para a gente entender melhor essa história: até que ponto eles se sentem nossos donos após o fim? Abaixo, Fernando responde. Mas, antes disso, eu agradeço super a gentileza de ter atendido o nosso pedido. E de ser nosso leitor. A gente ADORA quando os meninos abrem o coração aqui.

Beijos e boa sorte com tudo,

Isabela – A Divorciada

Como você ficou sabendo que a sua ex estava namorando?

Batíamos papo no MSN. Ela sabia que eu estava com uma pessoa e eu que ela ainda estava só. Um dia, ela começou a falar, contar dois casos de pessoas que estavam dando em cima dela. E eu escutando atentamente. Fiquei meio nervoso, mas me mostrei imparcial, mesmo porque as duas pessoas eram casadas e eu conheço muito bem a mulher com a qual casei. Sabia que eles não tinham a menor chance. O que fez meu coração se acalmar!

Uma semana, depois ela me disse que ia sair com o pessoal do trabalho para uma festa com o grupo Asa de Águia (ela detestava esse tipo de festa quando estava casada comigo). Na segunda, nos falamos pelo MSN. Eu estava com um pressentimento de que alguma coisa ia acontecer.

Aí ela começou a dizer que a festa foi legal, que ela tomou uma cervejinhas, que tinha ate ficado “altinha” (coisa que quando estava comigo não fazia também) e que tinha encontrado por acaso um aluno (ela é professora) e que ele tinha passado a festa toda conversando com ela. No final, rolou um beijo. Segundo ela, não ia ser nada sério porque ele era muito mais novo. A culpa foi da cervejinha!!!

Nessa época eu a acompanhava no Twitter e via alguns sinais de que eles iam jantar, ao cinema. Um tempo depois, ela assumiu o namoro e eu não a acompanho mais desde então.

Como reagiu diante da notícia? Como se sentiu?

Na hora meu coração parou, a boca secou e eu pensei: putz, fudeu! Perdi a minha mulher para sempre... Ela vai se apaixonar e eu nunca mais vou ter uma chance de novo. Mas respirei fundo e escrevi para ela que estava feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz por ela ter voltado a viver a vida dela, que ela estava se recuperando de mais de dois anos de depressão e que isso me deixava extremamente feliz. E estava triste porque sou ex-marido e agora ela está com outra pessoa. Mas que a respeitava muito. Dei força para ela assumir, tentar, independentemente da idade dele.

Não sei o que de fato ocorreu: não senti ciúmes, acho mesmo que senti medo de perdê-la mais rápido do que já estava perdendo, ou de admitir para mim mesmo que já havia perdido. Não era ciúme e sim medo da verdade.

Ficou pensando no assunto depois?

Claro que fiquei, não tem como não pensar a respeito. Ficava imaginando o que podia ter feito de diferente, o que podia ter feito a mais, fiquei pensando no que fazer para reverter a situação, onde foi que eu errei. Mas fiquei só no pensamento. Não tinha como voltar no tempo e desfazer o que já estava feito. E era impossível naquele momento fazer um novo começo. Ela já estava muito magoada comigo.

É verdade que os divorciados, por um bom tempo, se sentem meio donos da ex? Por que?

Se é verdade eu não sei. Até acredito que sim. A idéia de posse é intrínseca a todos nós. É normal, é compreensível quando existe ou existiu amor, carinho na relação. Eu acho aceitável, não sendo patológico, é claro. Mas nunca me senti dono, nunca quis controlar os passos nem a vida de ninguém.

Acha que as mulheres são assim também? Como a sua ex reagiu quando você começou a namorar?

Acho que todos são assim, esse sentimento de posse existe. Mas eu e minha ex pensamos diferente. Quando ela soube respeitou. Ficou bem chateada por ser alguém que fez parte do nosso convívio no final do nosso relacionamento. Mas nunca me disse nada que desrespeitasse a mim ou a pessoa que está ao meu lado hoje. Ela é muito inteligente e sabe que brigar não vale a pena.

Dá para ser amigo da ex? Como você conseguiu isso?

Dá sim. Tenho certeza de que nos tornaremos amigos. Mas para isso precisamos superar algumas coisas. Não tem fórmula e não tem tempo pré-determinado. Mas nos conhecendo e sabendo o bem que queremos um para o outro, sei que de fato isso no fim vai acontecer.

O nosso casamento não acabou por traição, brigas, desentendimento. Até existiram brigas e desentendimentos, mas a motivação foi outra. Ela passou por um longo processo de depressão e fomos nos afastando lentamente. Quando acordamos para a situação já estávamos morando em estados diferentes. Já não nos entendíamos e não conseguíamos nos comunicar. Passamos meses sem diálogo, sem troca de carinho. Não existe um culpado. O que fica para mim de lição é que não podemos descuidar um só minuto da pessoa que amamos.

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