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Teremos novidades para breve, viu? 2010 promete. E, como sempre, para e-mails, sugestões de posts, histórias e babados, é só escrever: 3xtrinta@gmail.com
Much love, obrigada, beijos e ótima semana para todo mundo,
O Trio
Bobas são as mocinhas que adotam o pior do universo masculino. Aquela praticidade rascante, a atitude agressiva de quem acha que pode tudo, reafirmando através de frases e ações uma auto-estima que deve viver lá no pé.
Tem também outro triste exemplo de leitura equivocada, a das que resumem os moços a pintos ambulantes, como se isso fosse uma grande revolução. Nestes casos, melhor abrir uma borracharia, pois não há salto alto, roupa cara, perfume bom e toneladas de charme óbvio que disfarcem o estrago já feito na personalidade destas donzelas, como diz um amigo meu, "trabalhadas no erro".
Porque não adicionar ao nosso sexto sentido, a maior habilidade social do macho em relação às mulheres. Você nunca teve a sensação de ser um dos nomes no páreo? Nunca, nunquinha? Se a resposta for não, querida, você só saiu com gênios nessa habilidade. Como os geniais neste quesito não são a maioria, melhor parar de se enganar.
Sim, muito deles sabem administrar a agenda. Porque não fazer o mesmo? Olhar de forma clara e objetiva onde estão as suas maiores e melhores chances, quando e onde investir melhor. E tentar. Não deu certo, passe a caneta em cima do nome, risque do caderninho. Parece meio frio né? Mas isso poderá lhe poupar um tempo precioso. Até para decidir que, por enquanto, o que anda aparecendo não é interessante o suficiente.
O que há de errado? Às vezes, umas histórias adquirem um sabor de que as pessoas envolvidas gostam de passar perrengue na vida afetiva. Elas sofrem e estão curtindo, embora não admitam. Depositam todo o resultado da situação pelo próprio fato de estar no olho do furacão. O centro da tormenta atrapalha a visão, é verdade. Só que uma hora é necessário se projetar para fora desse lugar e ver sob outra perspectiva. O coração pode estar partido e não deve impedir a decisão de pular fora.
Saiu da tempestade, então toca a bola pra frente. Olha a sua listinha, repense no que anda aparecendo e distribua o seu charme de forma inteligente por aí. Uma hora o radar vai avisar que tem alguém interessante no pedaço.
Giovana - A Solteira
Tem razão quem diz que o Big Brother Brasil é mesmo um zoológico humano. Há jaula, ração, atividades e um esforço danado dos tratadores - digo, produtores - em proporcionar um ambiente idílico, com as provações típicas de um cativeiro. E, como não podia deixar de ser, todos os participantes (animais?) são devidamente monitorados 24 horas por dia pelos funcionários do tal zoológico, e por nós, o curioso e respeitável público.
Até a última segunda, gostava de acreditar que a expressão "zoológico humano" era mais metafórica que qualquer outra coisa. Isso até assistir, de queixo caído, a mais nova invenção dos criativos produtores: dividir os participantes em times, cada um, com um nome específico, que tem a pretensão de expressar o estilo e personalidade dos participantes.
Há os "belos", "ligados", "cabeças", "coloridos", entre outras classificações. Ou seja, mais que um zoológico, o reality show resumiu as criaturas participantes a um catálogo humano de rápido acesso para a massa. Com quem você se identifica mais?
Do lado de cá das grades, ou da telinha, fico imaginando como se chegou nestes nomes....
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...bora chamar de Coloridos porque lembra arco-íris, símbolo dos GLS, quiosque em frente ao Copacabana Palace, sabe?....Ah, pra aquele pessoal mais sarado vamos chamar de belos, bonitos, são os gostosos sem muita caraminhola no cérebro....E aqueles ali que não sabemos definir direito?....aham...vamos chamar de ligados, é, ligados, tipo, modernos....e aqueles outros ali, meio malas intelectualóides, cineasta atormentado, vamos botar logo o nome de cabeças porque não ocorre outra coisa....
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Gente, acabou a angústia e a vergonha alheia. É o mesmo exercício de olhar para o leão, privado de tudo, e ver só a etiqueta do lado de fora da jaula. Tá lá: Panthera leo. Pronto, o serviço está completo, tudo esquematizado. Daqui em diante, vamos ver, será com os participantes. Quem vai ter a coragem de se revelar um "belo" "cabeça"? Ou um "cabeça" "colorido"? Será que pode? Afinal, todo o mundo vestiu a camiseta do rótulo que lhe foi entregue. Cada estigma tem seus símbolos e invejar a grama do vizinho, sempre mais verde, pode bagunçar o roteiro perfeito.
E aí, sabe Deus se por vias tortas ou não, o reality show mostra a sua face mais crua. Vestir a camiseta do rótulo acontece o tempo todo na selva de verdade. Viram só como é fácil fazer isso? O cara te dá uma camiseta com um nome que categoriza a sua personalidade, a partir de uma opinião que pode não ser a mesma que a sua. Geralmente, não é.
E a pessoa faz o quê? Veste e assume. E pior: aqui deste lado, a criatura nem concorre a 1 milhão de reais para se prestar a este tipo de coisa. Afinal de contas, são 1 milhão de reais não é mesmo? O que custa vestir uma camiseta para facilitar a vida de pessoas que jamais esses participantes irão conhecer e, independente disso, querem agradar tanto?
Claro que na selva do mundo real tem aqueles que fazem isso de caso pensado, e sempre por sobrevivência. Vestir a camiseta do rótulo serve bem como estratégia de camuflagem, basta ser só um pouquinho inteligente.
Voltando ao jogo com pote de ouro no final, indefinido mesmo é sempre o estado civil dessa rapaziada. O que dá de casado que diz ser solteiro, de casada que abre as asinhas livre, leve e solta; isso é o que não falta. Neste aspecto, ninguém é de ninguém naquela casa. Façam as suas apostas.
Giovana - A Solteira
Outro dia eu vi um filme tonto. Algo como “Jovens demais para casar”. Típico filme que a gente só assiste nas noites de insônia. Mas té que foi interessante. Um casal apaixonado high school pede autorização para os pais para casar, já que mocinha não tem nem 18 anos. Todo mundo acha uma loucura, claro, mas eles estão tão convencidos que acabam convencendo uma parte da parentela.
O que segue é o óbvio. Mocinha entra em Harvard, mocinho não. Para não abrir mão do casamento fresquinho, ele dispensa as cinco faculdades nas quais foi aprovado e segue com ela para Nova York, onde vira pedreiro. Logo, cercada de amigos geniais e intelectuais, ela começa a achar o marido um boçal. Um, dois, três e ela se apaixona pelo colega-fofo-músico de classe.
Casamento esfria, os dois param de transar (AOS 18 ANOS!) e ela sai de casa. Um dia ela volta para buscar uma roupa e dá de cara com as malas dela – e um ursinho de pelúcia – no primeiro degrau da escada. E era aí que eu queria chegar.
Um dia voltei para o meu ex-apartamento para buscar algo, nem lembro o que, e Charlie estava lá. Educado como sempre, me convidou para tomar café. Eu tomei. Depois fui ao escritório e lá vi....todas as minhas coisas empacotadinhas, minhas coisas de escritório e de trabalho, encaixotadas, prontas para partir. Ali soube, tinha acabado mesmo. Fiquei arrasada. Acho que nem quando descobri que ele estava namorando fiquei tão arrasada quanto ver minhas coisas empacotadas. Por ele.
Entendi a mocinha do filme na hora. Especialmente quando ela pega o ursinho e abraça forte. Uma coisa é certa: não importa se você tem 17, 27, 37 ou...57. A dor da separação é sempre grande. Tá certo que quanto mais maduro e mais experiência, melhor, mas dor é dor.
Claro que o filme não termina assim. Como qualquer filme tonto de noite de insônia ele é happy end. Ufa. Do contrário, os...47 telespectadores do Telecine Light da madrugada ficariam tristes.
E quando acabou, mudei para o Telecine Action. Queria ver uns pornôs e dar umas risadas. Tem coisa mais divertida que as historinhas que eles colocam para introduzir uma furunfada mecânica feita de peitos de borracha e "galãs" sempre tão iguais? Tão tonto que...talvez renda um novo post. =D
Débora - A Descasada

Pois é, resolvi começar o ano aproveitando uma promoção e renovando o estoque de lingerie. Mas há um fenônemo nas araras de sutiã que, instalado faz tempo, não dá pinta de ir embora. Sutiã não é mais para segurar os peitos e modelar a sua dupla dinâmica. A primeira missão do suporte anti-gravitacional é fazer brotar peitos em você, e de qualquer maneira. Mesmo que seu desejo seja apenas manter direitinho no lugar o que a Natureza proporcionou de fábrica.
Diriam as "despeitadas", Graças a Deus! Mas, gente, todos os sutiãs do planeta precisam vir com enchimento ou qualquer revestimento acoplado para nos criar um efeito Pamela entre o pescoço e o umbigo? E tem mais: dependendo da marca, o modelo 42 não é 42, o 44 é 40 e, pronto, você leve gato por lebre e o sutiã faz os seus peitos parecerem duas omeletes estouradas de tanto que aperta os coitados. Não sei vocês, mas detesto provar lingerie, aliás, não provo lingerie. Compro e seja lá o que Deus quiser.
E sim, chego em casa e corto todas as etiquetas na mesma hora, sem dó nem piedade. Às vezes, meio precipitadamente, confesso...
Dependendo do lugar, não dá para trocar a lingerie - ainda mais depois de cortar todas as etiquetas, certo? Então, o jeito é exercitar o desapego e doar os sutiãs que você pagou caro e não vai usar. Doe-os para alguma amiga menos favorecida. Pense assim e você se sentirá melhor.
Sabe qual o meu sutiã, digo, sonho de consumo? Achar um sutiã que tenha apenas renda e um bom corte como bojo. Nada mais! Nada de espuminha que tira e bota. Nada de efeito upside up tonificante para peitos extraordinários, nada, nada! Só um bom sutiã ali como primeira opção de umas três araras. E de todas as cores do arco-íris, incluindo o preto, branco, bege e um violeta que lançaram há pouco, que some no branco. Olha que é verdade, eu testei.
Além disso, o tal sutiã violeta que desaparece, por mais que venha no formato de um peito, pelo menos não deixa maior o que não precisa. Dizem que é tecnologia esse bojo tipo fôrma... a verdade é que parece de encaixe mesmo. Só que tem que comprar o número certo, porque não tem como "ajeitar" nada, ou entra e fica perfeito ou sobra peito pra tudo que é lado, enfim um desastre dispensável na vida de qualquer uma.
Ah, sim, e ainda há aqueles sutiãs inteligentes, que servem para vários tipos de decotes, é só uma questão de "ajustar" as alças. Até parece....
Resolvi ver um para mim dia desses. Bom, a vendedora levou mais de cinco minutos para me explicar todas as possibilidades, eram muitas, infinitas eu diria. Uma delas terminava com o ganchinho fechando na barriga. Tipo, mais confortável que um espartilho do século 12... Claro que não levei. Se para vestir uma blusa com as costas cavadas será preciso decorar um manual de instrução, então, melhor meter um biquini por baixo mesmo... É igual ir naqueles restaurantes que você escolhe tudo quando está morrendo de fome. Ou seja, não rola!
Será que há luz no fim desse bojo, gente?
Giovana - A Solteira
PS: aproveito, depois de curtir um recessinho básico, para desejar a todos um FELIZ ANO NOVO mais uma vez!!! Que 2010 seja incrível!
Essa semana, minha amiga Vanessa Pessoa me contou uma lição fofa que ela ouviu no programa da apresentadora Oprah Winfrey, dos Estados Unidos. Achei tão interessante que divido aqui com vocês neste post levezinho de sábado. Seguinte: sempre que algo acontece na vida da gente, especialmente algo ruim, ao invés de se perguntar o por que daquilo ter acontecido conosco, devemos nos questionar sobre de que forma podemos aprender com aquele fato, o que ele tem a nos ensinar.
Não é interessante? Pois bem, vou começar a adotar a reflexão com o meu dedinho do pé esquerdo quebrado, numa topada boba no calcanhar de Guarda Belo, lá em Maceió, na folga do Natal. Juro que não reclamei pelo que aconteceu, até porque foi no último dia de viagem, após o último banho de mar daquela temporada, tudo bem. Com o ocorrido, conclui que preciso meeeeeeeeeesmo fazer ginástica esse ano, para fortalecer esses ossinhos quebradeiros que eu tenho. Além do que, depois dessa, vou encarar o fato de poder tomar banho molhando os dois pés como o luxo dos luxos. Mal posso esperar para fazer isso de novo.
Obrigada, Van. Obrigada, Oprah.
Beijos e bom finde,
Isabela – A Divorciada
Ela, 39. Ele, 54. Ela, mãe de dois filhos adultos (ela começou cedo). Ele, pai de uma menina adolescente. Ela, um histórico amoroso turbulento. O pai dos filhos, um desregrado, em estado permanente de bebedeira. Pouco atencioso com as crianças. Ele, uma mulher que não gostava lá tanto assim dele. Pouco atenciosa com a filha. Um belo dia, o inevitável. Ela mandou o ex-marido catar coquinho depois de tantas idas e vindas. E ele saiu de casa. E o dois deixaram o amor acontecer. Já trabalhavam juntos fazia um tempo, mas só então permitiram se conhecer melhor.
Moram em casas separadas, em cidades diferentes, mas estão sempre juntos. Ele a ajuda com a louça, com a comida, com as roupas. Vai com ela ao supermercado – isso ela nunca tinha vivido antes. Ele adora os filhos dela. Ela o ajuda com a rebeldia da filha dele.
O que eu mais gosto nessa história familiar é que às vezes o amor tranqüilo demora mesmo a chegar. Muitas vezes é preciso viver as turbulências e até chegar a ter uma família com os amores turbulentos – como no caso dela – para um belo dia, quando menos se espera, o amor bater à porta.
Débora - A Descasada

Não, eu não ganhei a mega-sena da virada. Mas eu ganhei a...vaquinha da virada!!! Comecei o ano ganhando incríveis R$ 42 no amigo da onça da minha família no impagável Reveillon de Conchas. O último a ser sorteado leva o dinheiro arrecadado. Eu fui a última, tirei eu mesma, e levei a melhor. Sorte de principiante – foi a minha primeira participação no amigo da onça da family.
Imediatamente distribuí R$ 5 para meus priminhos ainda crianças e paguei algumas bebidas para os mais crescidinhos. Ainda sobrou um troco para a Coca da ressaca no dia seguinte. O ano mal começou e o dinheiro evaporou. Não importa. Adorei o simbolismo de ter ganhado dinheiro logo de cara. Muita sorte!
Depois subimos em bando – e olha que minha família é um bando grande - até a praça da cidade onde apreciamos a queima de fogos de vinte minutos. Acho que foi mais que isso, acho que batemos Copacabana! Ou acho que a essa hora eu já tava meio mamada. Essa foi a hora que eu troquei a cerveja pela garrafa de champagne que eu roubei da mão do meu primo de 11 anos (aquele pilantra que eu julgava ainda ser uma criança!).
Depois de tentar responder todas a mensagens recebidas – e não ter conseguido (juro que Conchas ainda é estado de São Paulo, mas acho que estava tudo congestionado) – fomos para frente do bar do Bexiga. Mas eu só descobri que se chamava Bar do Bexiga quando, no dia seguinte, um dos meus 530 primos me disse: arrasou na frente do Bexiga, hein? MEDO. Essa foi a hora que eu troquei a champagne por vodca com schweppes.
Depois migramos para a frente do palco, a banda do meu primo ia começar a tocar. Minha prima loira, de 17 anos, diz tristonha: “Meu pai quer que eu vá para casa”. Eu, do “alto” nos meus 30 anos, a prima velha e responsável, fui até meu tio dizer que cuidaria dela e a levaria para casa. Torci para que minha língua não enrolasse nessa hora. Precisava ser séria, madura, responsável. Deu certo. E eu e a prima loira trocamos a vodca por água.
A prima grande subiu no palco e deu um show ao lado do primo cantor. Eu e os primos que estavam ali vendo – mais a minha concunhada, a agregada, e o primo do meu primo quatro-olhos – nos acabamos de rebolar e dançar. Quatro e tanto, chega a polícia e manda meu primo cantor parar com aquela barulheira toda. E assim trocamos 2009 por 2010.
Débora - A Descasada
ps: não estou no retrato, estou atrás da câmera garantindo esse momento lindo - os primeiros minutos de 2010 da "Manducada"
*post postado com relativo atraso porque me dei férias de internet no feriadão =D
Atendo por Débora, tenho sol e lua em Gêmeos e meu ascendente é Áries – o que garante um pouco de fogo nesse vendaval todo. Nasci em São Paulo, em 1979, numa noite gelada de maio. Para compensar, ganhei um coração bem quente. Trabalho como jornalista, mas penso como aikidoca. Como não passei de 1,58 metro, faço minha alma ser gigante.
Já tentei ser atleta, empresária e até esposa. Alma ao mesmo tempo caiçara, caipira e paulistana. Uma mistureba de japonês, italiano e talvez português. Ariana que se encanta e se entedia com a mesma velocidade. Que não sabe mentir, nem parar de rir. Dizem que não tenho papas na língua e que sou boa companhia, mas que precisava de um pouquinho mais de paciência com a vida.
Divorciada, alagoana, escorpiana, trintona. Conto histórias sobre o mundo das separadas desde que comecei a inventar tramas para as Barbies, ali pelos dez anos. O enredo predileto, aliás, era aquele em que, após um divórcio péssimo, Barbie começava a namorar com o advogado. E voltava a ser feliz. Sou viciada neste blog e fã de Clarice Lispector, Leila Diniz, Marilyn Monroe e Magali.
Passei o dia pensando no que poderia escrever aqui um dia antes da comemoração do Natal. E lembrei de uma história boa, de um casal de amigos da minha tia Ângela. Uma história de amor que eu registrei, em 2005, no jornal Diário do Comércio, de São Paulo, onde trabalhava. A seguir, a reportagem que escrevi sobre Yolanda e Kojy, meu presente de Divorciada- Noel procês.
Much love,
Isabela – A Divorciada
“A pacata Diadema da década de 60 ficou pequena demais para eles. Era preciso uma São Paulo inteira a servir de cenário de dias e noites clandestinas e deliciosas como foram aquelas. A história de Yolanda e Kojy Shimizu foi uma história de amor proibido. Um folhetim que incluiu 13 anos de namoro e outros três de casamento sem que os pais dele, japoneses, soubessem que tinham uma nora loira e falante. A família queria que o filho casasse com uma boa representante da colônia.
“Nunca tinha olhado uma brasileira do jeito que olhei para ela”, lembra ele. Yolanda foi surpreendida pelo charme contido daquele moço de olhos apertados, na época estudante de Direito no Largo de São Francisco. “O Kojy falava pouco, mas falava bem. Era culto, educado, tinha uma voz ótima e cantava boleros para mim quando estávamos a sós”, conta ela.
Os dois se conheceram nos corredores da Câmara de Diadema, local de trabalho de Kojy e da mãe de Yolanda. Decididos a levar adiante o namoro, ele tratou de pedir permissão à família da moça. Seus parentes, no entanto, permaneceriam sem saber. Diante da clandestinidade daquele amor, o casal começou a procurar locais charmosos para se encontrar no Centro da capital paulista, longe do ABC. Então, foram ótimos momentos nos restaurantes perto do Largo de São Francisco ou nos cinemas da região.
Depois de dez anos de namoro escondido e da informação de que seus sogros estariam planejando o casamento de Kojy com uma moça de origem nipônica, Yolanda decidiu largar tudo e foi trabalhar em Peruíbe, no litoral paulista. “Passei três meses deprimida. Até o dia em que ele apareceu na escola em que eu trabalhava e disse que não podia viver sem mim”, explica ela.
A próxima etapa dessa novela inclui o casamento dos dois, escondido. “Moramos uns três anos sem que os pais dele soubessem. Kojy passava a semana com os pais e os finais de semana comigo”. E tudo seguiu assim até o nascimento de Lygia, a primeira filha do casal. “Ele entrou na casa dos pais, fez as malas e comunicou que estava indo morar com a mulher e a filha”, diz ela.
O desfecho? Uma visita dos pais de Kojy num domingo pela manhã. “Yolanda foi nobre ao abrir a porta e receber os dois com um ‘bem-vindos’”, diz ele. O saldo de tantas reviravoltas é de 44 anos juntos, três filhos, um neto e lembranças de um amor vivido em São Paulo para toda a vida.”
Uma conversa por e-mail entre duas mulheres que se separaram esse ano
- Sexo? Também não sei mais o que é isso não! Compartilho da sua abstinência dos prazeres carnais.
- Pois é, menina...após a separação, eu bem que tentei, viu? Aí veio aquela galeria bizarra. Aquele que uivava, aquele que se recusava a pagar motel e aquele que se achava o rei da cocada preta e que, antes de me comer, me contou – em detalhes – todas que ele já tinha papado.
- Nem fale. Depois do menininho que sequer terminou a faculdade, também tentei um aqui outro acolá. Mas dá uma preguiiiiça.
- Dá, né? Dizem que para as mulheres é mais fácil “conseguir” sexo aí no mercado. Só abrir as pernas e pá...não é bem assim não. Veja o caso do rei da cocada. Quase disse a ele: que tal se você me passar essa lista de mulheres por e-mail e irmos logo aos finalmentes? Mas eu teria sido terrivelmente machinho se tivesse feito isso, não?
- Ah, fora que a gente ainda tem que lidar com os machismos...um homem está sempre afim de sexo, logo é normal que se comporte daquele jeito meio “te comendo com os zoio”. Vai você comer os caras com os olhos...”Ih, olha só, tá desesperada”.
- Hum. Se você tem 30, então, danou-se. “Olha a tia, meu! Precisando dar!!”. Oras bolas, e que mulher não precisa?
- Já tentou vibrador?
- Joguei o meu fora. Muito impessoal. Nem me ofereceu um vinho antes...
- Também não curto muito. Mas quando bodeio desses tipos aí do mercado, aciono meu consolo.
- A verdade é que eu acho que tudo é fase. E eu agora entrei numa fase ermitã urbana. Meio monja. Fico lendo livros de meditação, medito na pracinha, corro feito uma retardada e vejo House horas seguidas. E de vez em quando trabalho também. Vida tranquila...
- E passa a vontade de sexo?
- Definitivamente...não! Mas ao menos não penso tanto sobre isso.
- Hum...vou tentar.
- Você acha que era melhor quando estava casada?
- Taí uma pergunta que não sei te responder. Posso responder em 2010? É que agora vou sair com um gatinho que inté que rola uma química. Talvez eu nem precise compartilhar dessa sua vida “monja”, hehe.
- Vai na fé, irmã!
- Amém!
Débora – A Descasada
Já estava decidido: a viagem curta serviria de janela para encerrar de vez aquele assunto. O "assunto" começou como um casinho e evoluiu para a ocupação de metade do armário com roupas, uma escova de dentes dividindo espaço na pia e uma agenda social cheia de cobranças.
Não houve convite "fica aqui em casa". O sujeito chegou, chegando e ficou, ficando... Conversas sobre cada um no seu quadrado terminavam em quebra pau, e em uma dor de cabeça insuportável. Voltar para a casa tinha virado um tormento para aquela mocinha. O "assunto" pertencia a mesma roda de amigos, assim tinham se conhecido. Apelar para a caixa de papelão e com os pertences do rapaz na portaria colocava em risco a convivência com a tal roda de amigos, sempre tão divertida.
As caraminholas sobre como resolver a situação sem fim só aumentavam. Mas não resistiram a quatro perguntas óbvias:
_ Chamei o cara para morar na minha casa? Não
_ Estamos namorando ou tendo um relacionamento mais sério? Não
_ Gosto dele? Não
_ Se esses amigos gostarem de mim, vão me entender? Sim
O plano estava traçado. Enquanto estivesse viajando, ela trocaria a chave da porta e arrumaria as roupas que o "assunto" não tinha levado para a viagem numa caixa de papelão e deixaria tudo na portaria. Se encontrariam antes e, em mais um quebra pau, ela comunicaria o fim. Só que devidamente resguardada de qualquer possibilidade dele, mais uma vez, virar a chave e se acampar na vida dela de novo; sem o seu consentimento.
Já sabia até como terminaria a última discussão:
"Mas eu ainda tenho coisas na sua casa, preciso buscá-las", diria ele.
"Não precisa não. Sei onde você mora e mando entregar tudo lá", responderia ela.
E ponto final.
Giovana - A Solteira