Boicotes


Sabe quando tudo que você sonhava de repente está perto de virar realidade, mas você passou tanto tempo não acreditando, que coloca um monte de pedra no caminho só para poder dizer que tinha razão em não acreditar?

Sabe quando a felicidade bate à sua porta e você, por ter propagandeado tanto que ela não apareceria novamente, agora fica constrangido de admitir que ela existe, então você fica boicotando tudo?

Sabe quando a melhor pessoa do mundo aparece dizendo que quer ficar do seu lado para sempre e você não acredita, porque achava que isso só acontecia em novela?

Eu já tinha ouvido falar sobre isso. Que quando a gente almeja muito alguma coisa na vida, tende a fugir quando esta coisa realmente acontece. Porque é ver o sentido que a existência antes tinha se perder: a de perseguir este ideal. Louca demais a mente humana.

Só sei que colocar pedras no caminho da felicidade não me parece algo sensato. Mas o que fazer com aquela sensação de querer fugir diante de uma coisa muito boa? Já aconteceu isso com vocês?

Patrícia, A Solteira

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Inferno menstrual

Essa semana é porreta para mim. Junta meu inferno astral com meu período pré-menstrual, carinhosamente apelidado como a fase TPM. Poderia ser um inferno menstrual. Mas eu não quero não. Decidi que vai ser diferente. Vou fazer meus ajustes, me recolher um pouco, comer menos porcaria e simplesmente aproveitar o que a vida me trouxer. Comecei a trabalhar esse climão bão já nesse fim de semana, com mais uma maratona de meditação sábado e domingo. Durante a semana, me dou de presente duas massagens e minhas aulinhas de yoga. Se minha lombar falida e judiada deixar, vou também ao aikido. E, na sexta, faço a minha última sessão de um looongo e delicioso tratamento/coaching com a Melissa, que tem me ajudado a trilhar um novo caminho.


Não quero que a minha semana de despedida dos 32 anos seja chata, irritada e dolorida. Talvez ela até seja um pouquinho, afinal, astros e hormônios têm lá seu poder. Só que tudo tem seu lado bom. Um inferno astral pode trazer grandes insights sobre nós mesmos. E a fase luteal, o nome oficial da fase menstrual, é uma ótima fase para plantar sonhos, adubar projetos e semear ideias. Nada mal, hein?

Que meus 33 cheguem serenos e cheios de ideias para o próximo ano que vai nascer.

Ótima semana para todos!

Que seja infernal de boa =D

Débora - A Divorciada

ps: Meu Deus...33!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




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Tão bom às vezes ficar sem assunto

Está certo que as grandes histórias normalmente são escritas nos momentos de extremo desespero ou incontrolável felicidade. Mas confesso que às vezes é até saudável perder a inspiração para escrever histórias incríveis justamente por estar com o coração mais manso. Ai ai... fazia um tempão que não passava por um período assim de calmaria.

Uma vida emocionante nos traz muitas experiências sensacionais, mas ter paz de espírito e sentir o coração leve de vez em quando faz um bem danado também. Foram uns oito anos de turbilhão e vida na gangorra, me mudando pra lá e pra cá, me aventurando aqui e ali, sem eira nem beira, sem rotina. Claro que não me arrependo nem um tiquinho, porque foi graças a este período frenético que consigo ter serenidade e menos ansiedade para tocar meus dias agora.

No momento, portanto, sinto vontade de injetar emoções no espírito de outras formas, sem precisar trocar todas as peças do tabuleiro. Pode ser uma viagem incrível, um curso inusitado, um desafio profissional, uma rebeldia aqui e ali... Ou (por que não?) ter paz e tranquilidade para escrever uma história de tirar o fôlego?

Patrícia, A Solteira

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A Parisiense



Este post é dedicado a todos aqueles que, como eu, sempre sonharam com a cidade luz (Dorinha, sinta-se citada!). Li e amei o livro A Parisiense, de Ines de la Fressange, na verdade um guia de dicas, compras e programas na capital francesa. Na obra, a ex-modelo e chiquérrima (nascida no pais de Catherine Deneuve, claro) vai além e divide com os leitores um pouco do estilo de vida das mulheres que moram por lá. E aí entram referências de beleza, elegância, atitude, moda. Fofo, prático, leve, bom de ler. Me lembrou Danuza Leão, outra diva cujo texto e as opiniões me interessam muito.

Para deixar um gostinho, divido com vocês alguns trechos particularmente encantadores do trabalho de Ines:

“Para ficar sempre bela:
(...) Sorrir
Ser indulgente
Ser descontraída e esquecer a idade
Ser menos egoísta
Estar apaixonada por um homem, um projeto, uma casa. Isso tem o efeito de um lifting.
Só fazer o que tem a ver com a gente. A perfeita atitude zen.
Aceitar que existem dias ruins. E aproveitar os dias bons!”

Querem mais? Pois aqui vão dois dos vários “lembretes” espalhados pela autora ao longo dos capítulos:

“A frivolidade é a chave da eterna juventude”. (Achei o máximo!!!) e “Mais vale passar uma hora dormindo ou fazendo amor do que ir a um dermatologista aplicar botox”. (Muito sábio!!!)

Não é demais? Eu achei. E recomendo muito.

Beijos a todos, estilosas e estilosos do meu coração,

Isabela – A Casada que terá acabado de conhecer Paris quando esse texto for publicado

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Dez coisas (muito) simples que me fazem feliz


1. Ouvir Edith Piaf cantando La vie en rose, uma das minhas canções prediletas, tudo a ver.

2. Comprar chocolate. Nas Americanas, na Kopenhagen, na Padaria Esplêndia, onde for. Eu sempre fico feliz quando estou prestes a abrir um.

3. Conseguir ir para academia quatro vezes por semana. Para compensar o item anterior, hahaha!!! É raro, sendo bem honesta, mas já aconteceu. 

4. Ler os comentários que vocês deixam aqui no blog (a gente adora, de verdade).

5. Tomar café da manhã com Guarda Belo, na nossa casa, numa boa, ou na Esplêndida, sempre ela, a minha padaria.

6. Sonhar com as viagens que eu ainda vou fazer.

7. Almoçar filé à parmegiana, tentação das tentações, um dos meus maiores pecados à mesa.

8. Descobrir uma nova combinação a partir de peças que já estejam no meu armário.

9. Esperar Mainha chegar cheia de guloseimas para me visitar em São Paulo, trazendo Painho – O Fofo, junto.  

10. Dormir com lençóis limpinhos, macios, passados, com cheiro de amaciante. Sonho de consumo: adotar o sistema Clodovil de roupa de cama em casa, trocando tudo duas vezes por semana e tendo as peças passadinhas todos os dias. Luxo é pouco, adoro, almejo.

E você? No melhor estilo propaganda do Pão de Açúcar, o que faz você feliz?

Isabela – A Casada 


PS:  Depois de programar esse post, fiquei com a impressão de que já escrevi algo nessa linha aqui. Fiz? Alguém lembra? Bom, se fiz, tudo bem. É sempre tempo de lembrar daquilo que nos faz bem. Beijos! 

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A Bonequinha



Eu tenho uma bonequinha assim
Ela veio de Paris para mim
Ela tem um bom chapéu
Que é da cor daquele céu

Com muita frequência, geralmente quando estou sozinha, eu consigo te ouvir cantarolar os versos acima. E isso me esquenta o coração.

Obrigada por me fazer sonhar com Paris antes de saber o que isso significava. Por me dar asas e me mandar sair correndo para ver o mundo. Tenho seguido os seus conselhos. Eu te ouço muito, você sabe. Sorte minha, muita sorte, ser a sua bonequinha.

Te amo. Feliz Dia das Mães!!!

Para mainha e para as mamys de vocês todos.

Beijos, beijos, muito amor,

Isabela – A Casada e  A Filha  

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Nossos pais estão morrendo

Quem tem mais de 30 já percebeu: nossos pais estão morrendo. Não o meu ou o seu especificamente. Os pais da nossa geração. Em dezembro, fui ao velório do pai de um amigo. Eu não o conheci, mas é sempre triste e tocante ir a um velório segurar a mão de um amigo. Você fica imaginando como foi aquela relação, como era a vida daquela pessoa que partiu. Hoje, vou abraçar uma amiga muito querida, mas de quem me afastei faz uns anos. É minha xará, minha primeira amiga no jornalismo. O pai dela faleceu ontem. Só o conheci de vista. Sei que essas últimas semanas foram um sofrimento para ela e para a família. Não há nada mais difícil de lidar do que com a morte. Nada. Separação chega perto. E é sempre um pouco constrangedor ir a um velório de alguém que você sequer conheceu, mas que é parente de alguém que você adora. A gente não sabe o que dizer. Eu só faço abraçar.

Em setembro, meu pai teve um troço e foi parar no hospital. Lá, eu e minha irmã mais nova ouvimos do médico que ele teria poucos meses de vida normal. Que em seis meses ele estaria usando balão de oxigênio e que, dali em diante, as coisas piorariam. Já se passaram oito meses e, apesar de evidentemente mais cansado e mais envelhecido, meu pai continua tocando a vida normalmente. De forma até mais estressante do que deveria. Cada vez que o pai ou mãe de um amigo morre eu penso que esse dia impreterivelmente vai chegar - a não ser que por obra do destino eu me vá antes. Pensar na finitude daqueles que me deram a vida dói, assusta e angustia. Mas me faz querer ter momentos de pura paz e felicidade quando estou com eles.

Débora - A Divorciada

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Eu escolhi ter tempo


Eu não me identifico com as mulheres citadas nas revistas femininas. Eu não acordo de madrugada para malhar antes de ir para o trabalho. Não estou cercada por uma legião de babás e empregadas. Aliás, eu sequer tenho filho. As mulheres das revistas sempre têm. Também não tenho que rebolar para manter a “chama acesa da paixão” no meu casamento. Até porque não sou casada. Não sigo aqueles manuais de como conquistar mais espaço, e aumento, no trabalho porque já não tenho mais emprego. Não visto aquela calça incrível de R$ 500 que a Lola publica em um lindo editorial de moda coloridérrimo porque com R$ 500 eu pago meu aluguel. Eu não sou essa mulher enlouquecida, multitarefa, workaholic que se orgulha de ser assim e que adora pontuar as conversas com a frase: “É que eu não tenho tempo”.

Eu já quis ser assim. Porque me parecia o único caminho possível, o certo a se fazer. E o único digno de admiração. Mas, de uns quatro anos para cá, eu fui percebendo o que eu queria. E eu queria ser amiga do relógio. Meu mantra é o reverso do chavão: dinheiro, para mim, é tempo.

Descobri que apesar de aparentemente agitada e afobada, gosto é de fazer as coisas devagar. Não me entendo com a boiada que anda frenética pelas estações do metrô de São Paulo. Acho minha vida social suficientemente intensa – e acho que poderia até reduzi-la. Gosto de tomar café da manhã com calma, parar para almoçar e jantar. De preferência com boas companhias. Faço minha própria faxina, preparo a minha comida, pago minhas contas, resolvo as pendengas da minha empresa e, duas vezes por semana, paro tudo para fazer yoga ao meio-dia. Ah, sim, e também trabalho. Evito pegar muita coisa ao mesmo tempo para não pifar. Para tudo isso é preciso ter tempo. E, mesmo assim, às vezes me atraso.

Vivo com pouco, mas com conforto. Vivo sozinha, mas sempre acolhida. Não tenho muito dinheiro, mas não tenho dívidas. Não sou magra, mas sou saudável.

Às vezes me questiono se não escolhi a rota errada. Se não era para ser mais. Mais ambiciosa, mais poderosa, mais gostosa e mais rica. Se já era hora de ter meu próprio apartamento e manter o padrão de vida alto, como um dia já foi. Se os outros não acham que eu sou uma grande preguiçosa, afinal, eu prezo o tempo.

Esse pensamento, ainda bem, passa rápido.

Talvez um dia eu tenha que voltar a correr contra o relógio. Talvez eu só consiga fazer academia de manhã. Pode ser que eu tenha filhos e, com eles, venham as babás e afins. Pode ser.

Por hora, no entanto, vivo a vida que escolhi para mim.

Débora - A Divorciada

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UFC: Eu vi



Sim, crianças, eu confesso que vi. Foi num sábado à noite, depois de ouvir Guarda Belo anunciar, por dias e dias, que haveria uma luta imperdível na ocasião, naquele card (é como eles chamam os conjuntos de disputas, creo) até os nomes dos lutadores, Jon Jones e Rashad Evans, ambos poderosos e bombados, eu aprendi, vejam bem (será mais um sinal de que o apocalipse virá em 2012? Não me espantaria se fosse).

Como eu aguentei ficar das 23h até umas 2h e pouco nessa função? Vendo porradas em série? Bem, na verdade nem foi tão difícil assim. Para começar, os combates são rápidos, o que confere um certo dinamismo à coisa. Além do que eu tenho lá os meus truques, como me encarregar de preparar os petiscos para ver diante da TV e, depois, devorar eu também todos os salgadinhos, azeitonas e pãezinhos a que tenho direito, o que me permitiu desviar licitamente a atenção da pancadaria por uns minutinhos. Sem falar que eu virei o rosto e me recusei a ver as cenas mais desagradáveis. E sem ouvir protestos do telespectador ao lado, claro. Com algumas taças de vinho por perto, acreditem, não foi nada complicado.

Muito pelo contrário. Foi mais uma noite de sábado na companhia do meu marido, na nossa casa, sempre um programão para mim. E o que fazer a não ser dizer sim quando ele me pediu, todo fofo, para ver as lutas com ele? Foi o que eu fiz. E não me arrependo jamais. Amar é ver UFC de vez em quando também.

Beijos a todos, lutadoras e lutadores,

Isabela  - A Casada

PS: Léo, foi lutaço nenhum o embate Jones x Evans. Duas mocinhas no octógono, uma com medo da outra. Hahaha!!! 

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Quem inventou o “coxinha” foi minha amiga Dane

Há duas semanas, foi a vez da Folha especular sobre o que é e como surgiu o termo “coxinha” para definir certos tipos de homens. Achei engraçado a gíria ser pauta em um grande jornal. Porque, para mim, quem inventou o termo “coxinha” foi a minha amiga de infância Dane Morato, de Praia Grande. A matéria diz que o termo começou a ser usado em São Paulo por volta de 2002. Até parece... Era comecinho dos anos 1990, ou seja, já há mais de 20 anos, e nós já nos divertíamos na escola rotulando os amigos (bullying, diriam hoje). “Esse cara é muito coxinha, não quero namorar com ele não”, “Deixa de ser coxinha e vamos para a festa”.

Também questiono a definição trazida na matéria, que tem mais a ver com almofadinhas cobertos de roupas de grife. O “coxinha” original é outra coisa. O que é? Nem sei explicar muito bem, confesso, mas não é isso que falaram lá.

Para entender, é só pensar no formato do quitute e transferir a ideia para definir um traço de personalidade. Ele não é arrogante, apenas certinho demais (não necessariamente tímido). Não está preocupado em ter tudo de marca cara, mas dificilmente você o verá de roupa suja. Também não está preocupado em ter o cabelo na moda, mas suas madeixas raramente se encontram desgrenhadas, normalmente estão lambuzadas de gel. O “coxinha da Dane” tampouco é um chato. Ele apenas faz questão de rir de tudo para não perder os amigos e tem uma forte tendência a contar piadas meio sem graças, rindo muito ao final. Enfim, o nosso coxinha era um cara que estava sempre por perto e que parecia adorar ser chamado assim só para se sentir parte da turma. A Dane mesma nunca explicou direito esta história. Quando questionada sobre o que queria dizer, só fazia com as mãos o formato de uma coxinha, dando a entender que se tratava da definição mais óbvia do mundo.

Mais uma evidência da autoria é que a Dane lançava mão de todo o cardápio de festinhas de aniversário para adjetivar estados de espírito ou definir pessoas. “Estou encroquetada hoje”, por exemplo, quer dizer: “Não estou a fim de sair de casa, quero ficar sem fazer nada debaixo do edredon”. E também: “O cara é mó empada”. Aí sim uma definição de mala, chato, arrogante. E por aí sua criatividade ia... Ah Dane, que saudades de rolar de rir com suas piadas gastronômicas. E que reconheçam de uma vez por todas seus direitos autorais.

Patrícia, A Solteira

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O casamento do meu melhor amigo



A gente se conhece já faz mais de dez anos. Éramos bem novinhos e estávamos ambos começando em nossas respectivas carreiras, eu no jornalismo e ele na fisioterapia. Apesar de pertencermos a mundos tão diferentes, de cara percebemos várias afinidades. O tempo passou, perdemos contato e, um belo dia, lá por 2007, nos reencontramos graças a duas coisas: rede social e aikido. Naquele tempo a bombação ainda era o Orkut. E foi por causa das saudosas comunidades orkutianas que ele me achou. Coincidência: estávamos ambos praticando aikido.


Voltamos a nos falar com frequência e descobri que ele estava namorando uma menina chamada Rita, muito linda nas fotos dele do Orkut. Demorei a conhecê-la pessoalmente, mas já sabia que ela era incrível por tudo o que ele dizia sobre ela.

Dois anos depois, o Ricardo virou peça fundamental na minha vida. Era ele que acompanhava os bastidores do tumulto que eu vivia. Que aguentava minhas ligações chorosas a qualquer hora e qualquer dia (Rita é uma santa!) e que me deu ombro durante o meu maior sofrimento. Só por isso, sou eternamente grata.

Nos últimos meses, acompanhei a empolgação dos dois, Ri e Ri (um casal bem risonho!), nos preparativos do casamento deles, que acontece hoje. Eu estarei lá, bem pertinho deles, como madrinha, mandando toda energia do amor e da felicidade ao casal.

Que Ricardo e Rita sejam muuuuito felizes!

E prometo postar algumas fotos lá no Face depois ;-)


Débora – A Divorciada



Legenda: Os noivos lindos no dia do casamento civil

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Vida na nuvem

Tem gente que faz a gente se sentir uma velhinha coróca. Tenho um colega de trabalho assim. Tudo dele está na nuvem. Não, ele não é avoado e fica contando carneirinhos o dia todo. Não estou falando das nuvens branquinhas lá em cima do céu. Mas do mundo digital.

Ele não tem agenda. Ela está na Google Agenda, onde é possível não só marcar seus compromissos como compartilhar eventos com outros interessados. Arquivos gravados em pastinhas no computador é coisa do passado. Está tudo no Google Docs, onde ele também pode dividir com outros, sem ter que ficar anexando e-mails. Aliás, e-mail pra ele já está meio ultrapassado, só usa porque a maioria ainda está presa a esta antiga (?) ferramenta. Ah, as contas do banco. Eu que me achava super organizada com minha pastinha com divisórias para os comprovantes de cada coisa fiquei constrangida quando ele me disse que não guarda nada destas coisas. Ainda tentei argumentar. Mas fui vencida: “Para que se está tudo arquivado no seu banco, é só ir lá e imprimir se precisar”.

Senti-me ainda mais ultrapassada quando demonstrei uma certa preocupação com relação à privacidade destes dados. E mais uma vez perdi a parada: “Estes dados não ficam disponíveis para todo mundo, só para você e com uma senha que só você sabe”.

Acabei me convencendo do quanto essas ferramentas são mesmo revolucionárias, porque elas conseguiram até aposentar o próprio PC, que é a sigla de personal computer. Ou seja, com a vida na nuvem, ninguém precisa nem mesmo carregar pra lá e pra cá o micro. Necessita apenas de qualquer micro conectado à rede para trabalhar e se comunicar.

Essas coisas me fascinam e ao mesmo tempo plantam um certo temor de ficar para trás. Mas que venham mais facilidades que nos dão cada vez mais liberdade (tanto de expressão quanto de ir e vir) e que eu tenha fôlego pra entender tudo isso, mesmo quando me tornar de verdade uma velhinha coróca.


Patrícia, A Solteira

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Dicas de anfitriãs: post coletivo


Vamos fazer um post no melhor estilo amiga dona de casa (pode ser amigo dono de casa também, só para registrar) sobre fofices domésticas? Não sou nada prendada, morro de preguiça de ficar horas cozinhando, nunca consegui colocar sequer uma linha numa agulha, mas adoro receber. Com carinho e com alguma pequena produção, um toque.

Nesse sentido, vocês me contam o que de especial gostam de fazer quando recebem pessoas queridas em casa? Eu, por exemplo, gosto de ter sempre flores na mesa. E guardanapos fofos (de papel mesmo, mas daqueles melhores, maiores, mais macios), coloridos, combinando com o arranjo. Também não abro mão de servir algo com chocolate para a sobremesa, pode ser um doce com o sabor ou bombons. O prato principal é sempre algo que eu mesma adore comer, faça bem e fique pronto em até duas horas (acho um porre ficar mais do que isso na beira do fogão, não tenho paciência). Minha especialidade é moqueca de camarão.  

E vocês, o que têm produzido? Eu quero saber. Aguardo as experiências de todos e organizo num texto coletivo. Combinado?

Uma versão 3xtrinta dos posts do blog Anfitriã, que eu acho fofo e adoro.Vamos lá? 

Beijos, beijos,

Isabela – A Casada 

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Ninguém atropela


Cantada na rua é algo que eu detesto e dispenso. Devo confessar, no entanto, que adorei quando, dia desses, perto do trabalho, prestes a atravessar uma rua, um senhor que aparentava ter 80 e poucos me disse:

“Mulher elegante e bela ninguém atropela”.

Com um sorriso, respondi: “Tomara”. Sinal aberto, me despedi com um “até mais” para, em seguida, ouvir:

“Tchau, bela!”.

É claro que ele deve dizer isso umas 200 vezes por dia nos semáforos da vida, mas eu quase perguntei se ele lia o 3xtrinta, hahaha!!! Muito bom. Todos os homens deviam envelhecer assim, fofos, ternos e galanteadores.

Beijos, beijos, beijos,

Isabela – A Casada 

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Vocês eram muito diferentes...


Agora é assim, viro, desviro, cruzo a rua e ouço a frase: é que vocês eram muito diferentes...
Decidiram me dar o diagnóstico do fim do meu casamento. Dois anos depois. Vai ver é porque, passado um tempo e assentados os sentimentos, todos ficam mais confortáveis em dizer o que pensam.
Na festa de casamento, a mãe da amiga disse a frase e ainda completou: esse daí é mais animado, tem mais a ver com você.
Já ouvi isso também da minha irmã, da cunhada do cunhado, do amigo do amigo e até do papagaio.
E é verdade. A gente era muito diferente. Durante a maior parte dos nove anos juntos, no entanto, esse diferente foi o tempero da coisa toda. Era aquilo mesmo que eu queria: o certinho, limpinho, contido, tímido, calado, inteligente e educado. Eu, a debochada, queria mais era a minha compensação. E deu certo porque me sentia completa. Até o dia em que eu já não queria mais aquele modelo.
O tempo vai deixando a gente diferente. E os dois vão ficando diferentes do que eram no começo. Quantos casais verdadeiramente mudam e continuam conectados? É difícil. Ou é sorte.
Não vejo o fato de ele ser diferente de mim o motivo da separação. Mas entendo a necessidade das pessoas em achar um argumento. Eu, volta e meia, palpiteira que sou, me pego fazendo isso também.
O casamento acabou porque o amor e a admiração acabaram. E é tudo.
E agora, que delícia, tenho alguém que tem a mesma energia animada ao meu lado, mas ainda assim, um bocado diferente.
Se a gente não ficar junto, não ficarei surpresa se voltar a ouvir isso.
É que vocês eram tão diferentes...

Débora – A Divorciada

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Síndrome da boazinha

Uma vez ganhei, de aniversário, um litro de cachaça chamada Boazinha, uma mineira forte que, confesso, só dei umas curtas bicadas. Ficou mais para os cabras presentes na comemoração. Mas o presente foi emblemático. Eu tenho mesmo esta mania, de querer agradar sempre, e uma necessidade desesperada de receber a aprovação de todos. Sei lá qual a fonte psicológica deste traço de comportamento – algum episódio da infância, diriam os terapeutas.

O fato é que descobri já há algum tempo que ser boazinha e ficar correndo atrás de um elogio ou afago nem sempre é saudável. E tenho conseguido me livrar muitas vezes da culpa por não agradar ou do sentimento de peso por possuir desafetos. É um grande alívio, garanto para vocês, e também descobri que a gente acaba sendo mais respeitado por se impor e ainda sobra mais tempo para tomarmos conta da própria vida. É muito cansativo ficar o tempo todo tentando ir ao encontro das perspectivas alheias, porque a gente acaba se perdendo das nossas.
O tema me veio à cabeça devido à notícia do lançamento de um livro justamente sobre pessoas assim. Aliás, nem sabia que isso era uma síndrome. Para os muito bonzinhos que precisam dar chegas pra lá por aí fica a dica:

A síndrome da boazinha - Como ser poderosa curando sua compulsão por agradar”, de Harriet B. Braiker
Síntese: Embora as pessoas que se esforçam constantemente para ajudar os outros sejam vistas como "boas", muitas vezes elas sofrem em silêncio por não realizar seus próprios desejos. Em “A síndrome da boazinha - Como ser poderosa curando sua compulsão por agradar”, a psicóloga Harriet B. Brakier ensina as mulheres que estão sempre dispostas a fazer o bem para os outros a inverter esta lógica e se colocar em primeiro lugar. A autora elaborou um teste para descobrir se o nível de bondade ultrapassa o limite do que é saudável e oferece um plano de ação para que a compulsão por agradar seja superada. Neste livro, a Dra. Harriet também relata casos de seus pacientes e mostra que agradar os outros é bom, desde que a pessoa não anule suas próprias necessidades.


Patrícia, A Solteira

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2006, 2008, 2010, 2012


Seis anos. Quanta coisa cabe nesse tempo.
Fazia mais sentido eu fazer uma retrospectiva em maio, que é quando começa meu ano novo. Simplesmente aconteceu.

Aconteceu porque eu me lembrei que eu estava na Nova Zelândia em abril de 2008 quando a Bela me mandou um e-mail falando de sua separação. Junta da tristeza de não poder estar por perto, me veio a sensação boa daquela fase. Lembrei da vibe gostosa de estar naquele lugar tão distante e entre uma gente que prezava tanto o bem-viver, o frugal, o tempo livre. E não essa maratona diária e doida dos workaholics paulistanos.

Foi ali que eu decidi que eu queria ser assim também.

Puxei na memória e tentei me lembrar o que eu estava fazendo nos outros “abrils”. Dois anos após a NZ, eu estava começando na Istoé. Empolgadíssima, cheia de gás e ideias, conhecendo aquelas pessoas que, mal sabia eu, seriam meus grandes amigos. Eu também estava, naquele abril de 2010, tentando reatar meu casamento.

Quatro anos antes, era o início do meu casamento. Abril de 2006. Fazia poucos meses que eu tinha me mudado para a casa do meu ex e tava toda feliz brincando de casinha, cheia de planos. Tinha saído de uma redação grande e ido para uma agência pequena, com um ritmo mais tranqüilo. Na verdade, aquela decisão tomada na NZ de ter uma vida menos complicada foi gestada já na essa época.

E eis me aqui, em abril de 2012 num movimento parecido com o desses outros anos pares. Troquei a vida agitada por uma mais tranqüila, estou brincando de casinha de novo – dessa vez, sozinha; estou empolgada e cheia de gás para outros projetos, vou lançar meu primeiro livro e faço planos com um novo amor.

Confesso que já achei que estava vivendo um retrocesso quando a vida parecia repetitiva. Mas a danada é cíclica: traz e leva coisas que parece que já vimos e vivemos. São os tais recomeços. O que não quer dizer que não existe a evolução. A caminhada nos leva sempre por uma nova picada, por mais que pareça velha conhecida.

Importante é saber que olharei com doçura para esse momento agora quando abril de 2014 chegar (se passarmos desse ano claro =P).

Débora – A Divorciada

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Preta, preta, pretinha




Preta é uma cachorrinha linda, fofa, educada e querida que, perdida na rua, não resistiu a um cafuné do meu vizinho, um anjo chamado Fernando, e o seguiu até a porta de casa. Hoje, ela vive numa casinha colocada na nossa vila, na Vila Mariana, e é alimentada e cuidada por todos os moradores, mas não tem um lar para chamar de seu. Quando chove, por exemplo, fica complicado, já que a água molha o edredon deixado no local para ela.

Resumindo a história: Preta precisa de um dono, alguém que lhe dê todos os cuidados que ela merece. Aos interessados, aviso que ela já passou por um veterinário, foi vacinada e, segundo o médico, tem ótima saúde. Isso sem falar que obedece todos os comandos básicos, como “senta”, por exemplo. Uma lady total.

Gostou da Preta? Só mandar e-mail para 3xtrinta@gmail.com Eu mesma farei a ponte para a adoção.

Beijos, beijos, muito amor para nós, obrigada,

Isabela – A Casada

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A pior geração de mulheres


Que mulher nunca se pegou pensando “e se eu tivesse nascido em outra época, como seria?”. Tendemos a achar que qualquer outra época, por mais romântica que fosse, devia ser um fardo para as mulheres, sempre privadas de liberdade. Somos sortudas de vivermos agora. Quando penso sobre qual época foi a pior de se viver, não vou muito longe. Acho que foi a da geração da minha mãe.

Desculpa, mamãe (ela sempre lê esse blog), mas é verdade.

Analisem só. Essa geração, entre 50 e 60 e poucos anos, se viu entre dois paradigmas fortes e opostos: elas tinham que ser independentes financeiramente. Foram, em massa, para o mercado de trabalho e se dispuseram a ser como homens no front. Fortonas!

Por outro lado, foram ensinadas pelas nossas vovós, mães delas, que elas deveriam ter um macho para chamar de seu. E, o pior, um macho só a vida todinha! “Casamento é para sempre!”, ouviram da mãe, do pai, do padre, da vizinha. E ser “solteirona” era quase pecado. Para piorar, essa escolha tinha que ser feita muito cedo. Afinal, 25 já era idade considerada velha para casar. E assim elas se tornaram dependentes emocionalmente.

Que conflito imenso esse de ganhar seu próprio dinheiro, mas ter que ser dona de uma casa, cuidar dos filhos e ser quase uma serva do marido.

Não é à toa que vemos agora uma horda de cinquentinhas e sessentinhas se separando e descobrindo que há vida fora do casamento. Ou que, com os filhos, crescidos, permitem-se viver além dos muros da vida doméstica e das asas do marido. Elas ganharam dinheiro, afinal. Podem ser livres.

Claro que nós, trintinhas e quarentinhas, herdamos fortemente os dois paradigmas: da independência financeira e do príncipe encantado. E tendemos a repetir padrões. Mas conseguimos ir um pouco além. Vemos outros caminhos, novas possibilidades, nos permitimos mais. Não sem certo sofrimento, claro.

E os homens de hoje também já não são tão ambíguos como os nossos pais. Muitos desses homens mais velhos eram revolucionários fora de casa – contracultura, contraditadura, contracensura – e grandes canalhas machistas e repressores dentro de casa.

Honestamente? Acho que foi essa a pior geração de mulheres. Elas sofreram mais para que nós pudéssemos ser mais livres. Graças a elas, buscamos a independência financeira sem ter que parecer homem e acreditamos muito mais no amor que no casamento (no fundo, somos uma geração muito romântica).

Obrigada, senhoras!

Estamos sempre abrindo novos caminhos para as novas gerações. E não duvido nada que as meninas que têm, hoje, dez anos, um dia sintam pena da vida que a gente levou.

Débora – A Divorciada

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Sobre solteirice, felicidade e solidão


Me fez muito bem entrevistar, para o blog da revista Herbarium, a psicóloga norte-americana Bella dePaulo. Especializada em solteirice, ela levantou pontos muito interessantes sobre a vida sem marido (ou mulher). Não que eu nunca tivesse refletido sobre o assunto, claro. Já refleti bastante e inclusive registrei pedaços da minha opinião aqui, mas Bella (Com esse nome, ela só podia ser ótima, né? Hahaha!!!) me fez pensar além.

Em primeiro lugar: por que tanta gente se incomoda com o fato de que o mundo está cheio de pessoas que não se casaram? Por que os casados são aqueles que mais querem arrumar casamento para os outros? “(...) Algumas pessoas consideram assustador que tanta gente esteja vivendo só e amando essa escolha. Isso vai contra a crença delas de que é preciso estar casado para ser feliz”. Achei perfeito. É a velha história da diferença que incomoda. Por que é tão difícil aceitar que os outros tenham feito escolhas opostas às nossas? Ai gente, que preguiça dessa superficialidade. Que preguiça de lembrar o óbvio: exibir uma aliança na mão esquerda não é garantia de felicidade para ninguém, nunca foi.

Outra questão que eu achei ótima: abaixo o mito de que os solteiros estão fadados à solidão na velhice. “Alguns estudos feitos nos Estados Unidos apontaram que os solteiros ajudam mais seus parentes, amigos e vizinhos do que muitos casados. Isso além de manter contato com esses grupos com mais freqüência. Muitas vezes, os casais dedicam quase todo o seu tempo e atenção para o parceiro. Nesse caso, quando o casamento acaba, eles descobrem que estão sozinhos, que não têm ninguém ao lado deles já que, até então, só tiveram olhos para o companheiro. Já os solteiros, especialmente as solteiras, normalmente dedicam parte do seu tempo aos parentes e amigos ao longo de toda a vida adulta. Isso significa que eles têm menos chances de ficarem solitários na velhice.” Viram só? Eu só tenho a acrescentar um comentário: para mim, ter um filho ou permanecer ao lado do marido só para ter quem cuide da gente lá na frente é de um egoísmo sem tamanho. Melhor economizar para poder pagar um bom lar de idosos no futuro. Eu já fiz matéria sobre um tão luxo, glamour e riqueza perto da Av. Paulista que fiquei com vontade de me mudar no dia seguinte.

Obrigada pelas reflexões, Bella! Vamos tratar de ser felizes. E, como a gente adora registrar aqui, independentemente do estado civil.

Besos a todos, muito amor,

Isabela – A Casada que acredita que a solteirice pode ser ótema também 

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Meus maridos e minhas mulheres


Alguma outra mulher além de mim, diante de alguma patacoada do marido, já se perguntou um dia se só as lésbicas são felizes, por serem casadas com outras mulheres?  Pois bem, a leitora Cecília Amarante, de 34 anos, dentista, é capaz de esclarecer a minha dúvida. Ela já foi casada quatro vezes: duas vezes com homens e duas com mulheres. Foi só saber disso, claro, para pedir post. Vamos ouvi-la então? Poucas pessoas que eu conheço têm mais o que dizer em matéria de casamento do que ela.

Obrigada, Cecília! Mesmo. Amei o texto. Parabéns pela coragem, torço por você, be happy.

Beijos, beijos, para a nossa autora de hoje e para vocês todos,

Isabela – A Casada e A Curiosa

Eu tinha 18 anos quando aproveitei um raro dia de camaradagem entre eu e minha mãe para lhe contar uma coisa que me era muito importante naquele momento dividir:

 - Mãe, eu vou morar com a Alice.
- Vai morar com sua amiga, então?
- Mãe, ela não é minha amiga, é minha namorada.

Ela ficou em choque, chorou uma semana e por uns três meses não falou comigo. Não a culpo, eu simplesmente deveria ter contido o meu impulso “sincericida”. O fato é que, àquela época, perdidamente apaixonada que estava pela minha então patroa – alguns bons anos mais velha –, eu estava obviamente cega e tinha certeza de que era lésbica.

A relação durou quase quatro anos, o suficiente para viver várias fases: paixão, vida em comum, crises, relações familiares, e ciúmes, muitos ciúmes. Ela me deu um carro e, na primeira noite, fez questão de ir me acompanhando para saber quanto tempo eu gastaria entre nossa casa e a faculdade. Se eu me atrasasse um pouco, o mundo caía.

Com o tempo eu fui percebendo que a relação era como uma bolha. Toda nossa vida em comum era uma repetição de programas, companhias e padrões.  Não havia espaço para improvisações, nem para espontaneidade. Eu tinha 21 anos e fui com os amigos da faculdade para um seminário numa outra cidade. Participei das palestras, mas nas horas vagas, eu me dediquei a matar as saudades de estar com um homem.  Atolada em culpa, contei tudo a ela na volta, declarando-me bissexual (o pesadelo das lésbicas).

Fui mirim, eu sei. Ela quebrou o apartamento todo, enquanto eu quase podia garantir que se houvesse trilha sonora, seria a Elis Regina cantando Atrás da Porta. Peguei minhas (poucas) coisas e fui para um apartamento, morar sozinha. Lembro-me bem, era uma quinta-feira. Na sexta, uma amiga me ligou convocando-me a estar num jantar com outros amigos, alegando que eu precisava de companhia neste momento.

Foi uma noite deliciosa entre amigos queridos até hoje.  Também especial por causa de um par de meias alaranjado usada por um homem heterossexual (HT). Achei aquele tipo HT com alma gay muito interessante, tanto que dei para ele naquela mesma noite, e fiquei casada (com ele) por quase cinco anos.

Foi uma relação muito didática. Com ele, aprendi o quanto é delicioso cozinhar para os amigos em casa, escapar para uma cachoeira no final de semana, ligar para os amigos para saber se estão bem. Mas ele é um tipo mal humorado e com o tempo foi se fechando de tal forma, que não era possível para mim acessá-lo mais, sequer ajudá-lo. Então, fomos nos distanciando um do outro, até que a separação ocorreu.

Voltei para casa da minha mãe, e tive que ouvi dela que não sei “segurar homem“. Não a culpo. Ela é de uma geração que foi criada para casar-se para sempre.

Mudei de emprego e de cidade, e durante muito tempo só namorei, ou fiquei mesmo sozinha. Até que conheci o Artur. Mesmo padrão: HT sem preconceitos, sem frescuras – alma 60% gay. É talvez um dos homens mais feios que já vi, mas fiquei fascinada pelo mundo dele, e na sua forma muito particular ele era um ugly sexy. Era para ser só um namoro, mas fomos morar juntos quando fiz uma cirurgia delicada e acabamos nos casando de papel passado, com direito à mudança de nome da minha parte. De novo, eu estava cega de paixão.

Até o casamento foram quatro anos, e depois, menos de um ano. Sim, me separei menos de um ano depois de ter me casado no papel, e transei com ele no dia em que assinamos nossa separação diante da juíza. A crise toda começou porque ele não aguentou a barra de me dividir. Explico-me: um dia ele me disse que eu poderia ter quem eu quisesse, desde que (1) não levasse esta pessoa para nossa casa, (2) não andasse com esta pessoa nos lugares que frequentássemos e (3) que eu não me apaixonasse.

Olhando por perspectiva, os dois primeiros itens são fáceis, mas o terceiro é uma incógnita, de tão imprevisível quanto imponderável. Ele não suportou meu encantamento por uma jovem estudante de medicina, que conheci numa boate gay na minha cidade natal.

Depois de mais este casamento que deu certo, mas que durou tão pouco, eu resolvi que não dividiria mais minha vida com ninguém. Até que conheci a Duda. Tive um estalo, e na hora pensei “eu quero esta mulher para mim”. Na tarde do dia em que a conheci, escrevi no MSN para um amigo que eu havia conhecido a minha futura esposa.
Tem uma piada que ilustra bem o que aconteceu entre nós:

- Sabe o quê uma sapa leva no segundo encontro?
- Não, o quê?
- A Granero (a mudança, as chaves).
- Sabe o quê um gay leva no segundo encontro?
- Que segundo encontro?

Em menos de um mês depois que nos beijamos pela primeira vez, ela estava morando na minha casa. Fiz por ela o que a Alice tinha feito por mim, ou seja, cuidando mais financeiramente do que afetivamente. Assim, da mesma forma alucinante que nasceu, a relação morreu, um ano depois, sufocada por cobranças, ciúmes e paranoias. Dei um basta e o que se seguiu lembrou-me novamente a Elis Regina.

Foram então quatro casamentos, sendo um apenas com papel passado, dois com homens, dois com mulheres, e não posso dizer que os melhores foram estes ou aqueles. Em todos, a união só ocorreu porque eu estava apaixonada e queria muito viver a experiência de estar na companhia daquela pessoa. De minha parte, posso afiançar que nunca me importei com pequenas coisas, tampouco com a dor da separação, donde nunca me faltou vontade de pular de cabeça em todas minhas paixões.

No entanto, hoje, pensando de forma um tanto mais racional, quero viver um dia de cada vez quando conhecer um novo amor. Sem pressa, sem atropelar fases, ir sentindo a relação amadurecer serenamente.

Se será com um homem, ou com uma mulher, só depois poderei lhes contar. Para mim, o que importa é sentir as borboletas batendo asas na barriga e a vontade de engolir aquela pessoa inteira, impressionada com o que quer que seja que venha dela.

Não me importo com grana ou posição social: quero é me apaixonar de novo. Arrependimento só o de ter saído do armário para minha mãe. Eu poderia tê-la poupado disto tudo.

Cecília Amarante 

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Mais mulheres, mais eficiência


Vocês sabiam que equipes de trabalho com mais mulheres do que homens apresentam resultados melhores? Pois fique sabendo. Só clicar aqui para ler mais a respeito.

Beijos a todos, Feliz Páscoa,

Isabela – A Casada 

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