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Criaturas estranhas: mitômanos

Tenho um tremendo cuidado com os mitômanos, e isso nada tem a ver com plantas ou qualquer algum ser vivo misterioso do gênero elo perdido. Mitômanos são criaturas como nós; apenas com uma característica um tanto perversa: bem lá no fundo, sabem que é mentira o que dizem embora insistam; é tudo verdade!

Com uma tremenda vontade de tornar seus desejos realidade, o mitômano esforça-se para ser o primeiro a crer piamente no que fala e nos valores que defende. E olha que eles são bons nisso. Em acreditar no que não são.

Toda a solteira que se preza - casadas e divorciadas também fazem parte do pacote - já devem ter cruzado com um mitômano na vida. Claro que alguns chegam a ser engraçados de tão inofensivos. Captamos a mentira só de olhar para o sujeito. Outros contém doses cavalares de crueldade. Quando a verdade chega, é um tapa na alma e no coração.

Porém, ao revirar alguns arquivos, os exemplos mais cruéis de mitômanos que encontrei são justo mulheres. Antes que alguém se levante em prol da ala feminina, sugiro ler o post até o final. Isto é apenas uma constatação baseada em experiência própria. Dos exemplos que já presenciei, as mulheres foram as mais "profissionais" na arte da mitomania.

Acredito que isso tenha sido uma infeliz coincidência adicionada ao fato de que nós, raramente, brincamos em serviço. E isso vale para qualquer coisa. Mulheres cobram-se pela excelência em tudo que fazem, e olha que é absolutamente qualquer tarefa ao mesmo tempo agora. Somos multi-facetadas e queremos a perfeição de cálculo e métrica deles, dos homens, mestres da lógica pelo simples fato de só conseguirem fazer uma coisa de cada vez. O lado bom disso para o time masculino é que eles, pelo visto, se estressam bastante; só que bem menos que a gente.

As mitômanas com quem já cruzei por aí constroem seu castelo de mentiras com detalhismo diabólico. Sabem escolher com quem se relacionar, por quais empregos lutar, as palavras certas para cada ocasião. Não perdem uma batalha à primeira vista, já ganhar a guerra.... Observam, categorizam, determinam, acreditam na utopia que criaram para si e, quando seguras, partem para o ataque. Aí, é um salve-se quem puder. Quanto mais tempo num lugar, mais estragos virão. Ter mitômanos e mitômanas por perto é, com o perdão da palavra, uma bucha só viável para os de sangue frio.

O mais curioso é que a máxima de que castelo de areia não fica em pé é tiro e queda para essas criaturas. A derrubada do pedestal sempre acontece por uma precipitação da hora de fazer e acontecer, e o resto que se exploda. E isso vem em forma de um comentário infeliz, de um ato de deslumbramento, daquela atitude de usar o que não é seu como auto-promoção. Ou de um pré-julgamento, sempre decidido às pressas, sobre os outros. Nada como rotular as pessoas depois de 1 hora de reunião. Assim, é moleza! Só que, cedo ou tarde, o teatro desaba. O mitômano põe os pés pelas mãos, se enrola na própria língua, toma as decisões erradas, em miúdos, mostra quem é, fica nu no palco.

Depois disso, é só uma questão de tempo para ele (ou ela) decidir por conta própria incomodar outra vizinhança. Ou alguém mais acima na relação, seja ela qual for, decidir que mitômanos por ali, nem pensar. A segunda opção nos dá um tremendo senso de justiça. No final das contas, é bom até para o mitômano ou mitômana que, assim, poderá encontrar a sua turma e ser feliz enganando a si mesmo.

Giovana - está solteira

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