sábado, 14 de novembro de 2009

O cálculo do desbunde

A silhueta ainda não tinha voltado a forma. Mas o cigarro sim. "Pois é, voltei. Mas só fumo à noite". A balzaca estava feliz, tinha acabado de ser mãe. O rebento tinha só um mês, é a cara dela e estampa a tela do celular. Claro que a nossa heróina saca o aparelho na menor chance que tem de mostrar o filho. Está curtindo o seu momento.

"Ué, mas você ainda amamenta?", pergunto. O leite tinha secado. Aí, ela voltou a fumar. Será que foi a frustração de não poder mais dar o peito para o bebê? Fiquei meio sem graça de perguntar.

A criança foi planejada, depois de sete anos de vida em comum. Típica história onde tudo se encaixa. Ela e o marido desbundaram até não poder mais. Quando encheram o saco e viram que iam ficar juntos mesmo, resolveram embarcar na aventura dos filhos. Nem enjoo ela sentiu na gravidez. E, para completar, ela diz ser o pai e chama o marido de mãe. O pai da criança é artista e faz de um tudo, se bobear, até melhor que ela quando o assunto é cuidar da criança. O casal encontrou seu ritmo.

Agora, ela rolou de rir mesmo quando resolvi fazer umas continhas básicas. Reparem: ela e o marido desbundaram sete anos e depois resolveram ter o bebê. Jogando isso para a minha quilometragem isso significa que teria que conhecer alguém tipo ontem, para desbundar sete anos e ter o primeiro filho aos 40. Aglupt! Engulo em seco.

Diante da matemática do absurdo, nada como fazer algumas ressalvas na hora de passar da teoria à prática. "Ah, mas você tem tempo! Desbunda dois anos e tenha filhos a partir dos 35." Reduzindo a vida a pura matemática parece tudo bem mais simples não é mesmo?

Giovana - A Solteira

PS: vejam que interessante essa calculadora abaixo, rs.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O sorvete de 2 euros

Sexta-feira à noite, eu e Adri, minha companheira de viagem, estamos na fila da sorveteria Old Bridge, em Roma. Enquanto penso nos sabores que vou pedir, tenho um súbito peso na consciência e decido ficar com a menor porção do gelato, que custava 1,5 euro, não a de 2 euros, um pouco maior, que eu vinha pedindo desde o início da viagem.

"O que? Você vai pedir o menor? Essa não é a Isabela que eu conheço".

A Adri não precisou fazer muita força para me convencer a me jogar naquela delícia. Às vezes, é muito bom ter por perto alguém que nos lembra quem nós realmente somos quando a gente esquece. Obrigada, amiga. Os gelatos italianos, como você bem sabe, valeram todas as calorias ingeridas. E até o regime que eu estou fazendo agora, hahaha!!!!

Bom final de semana. E muito sorvete procês.

Beijos,

Isabela - A Divorciada

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Eu confio

"O-Negai Shimasu". Com essa expressão e um cumprimento, iniciamos o treino com o colega no Aikido. É um ritual repetido diversas vezes durante um único treino. Inúmeras vezes em uma vida dedicada à prática. E mesmo que já me pareça quase automático, ainda considero um dos momentos mais lindos da aula.

A expressão tem dois significados. Um deles é "por favor". E se quiser deixar mais bonitinho, pode pensar assim: "Por favor, conceda-me o prazer desta luta". Mas o outro significado, tradução literal da expressão, é ainda mais profundo. "Eu entrego minha vida em tuas mãos". Não é lindo isso? Eu fico emocionada toda vez que digo e que escuto. Significa que, a partir daquele momento, você confia plenamente no colega. Ele não vai te machucar, não vai te ferir. Vai treinar com você vigorosamente, mas te preservando.

Eu confio muito nas pessoas. Até naquelas que não conheço. O Charlie (meu ex-marido, para quem não se lembra), costumava dizer que eu sempre parto do princípio que as pessoas são todas confiáveis. Depois, aos poucos, vou desconfiando caso se mostrem pouco fidedignas. E que ele é o contrário: primeiro desconfia e, aos poucos, vai baixando a guarda. Ele brincava que tinha medo de um dia chegar em casa e eu ter acolhido uns desabrigados ou levado uns desconhecidos para jantar.

Acho o procedimento de Charlie mais seguro. E mais saudável. Mas não sei ser assim. Nasci dizendo O-Negai Shimasu à vida. E pago um preço alto por isso. Porque se eu confio até nos mais carrancudos, que dirá naqueles que me abrem os braços ou me estendem a mão? Se alguém me diz "eu te amo", eu acredito. E confio. E me entrego. Se alguém me diz "eu te ajudo", eu acredito. E confio. E me entrego. Porque quando me dizem isso, é como se estivessem dizendo: pode vir, eu estou aqui e te ajudo a segurar a onda.

Talvez porque eu seja assim, acredito que os outros também vão ser. Quando estendo minha mão, abro meus braços, minha casa, minha vida. Meus sentimentos. Algumas leitoras do 3x30 já perceberam isso. Desconhecidas distantes me agradecem pelas minhas palavras e me contam suas histórias. Eu, sem cerimônia, conto a minha de volta. Nessas, fiz uma grande amiga virtual. Sou também a que mais fala da vida pessoal aqui nesse blog. Minha irmã briga comigo. Diz: "Ah, já dividiu isso com seus 400 leitores diários?" (São trezentos. Ela exagera)

Passei minha vida me cobrando para ser mais fechada. Mais reservada. Não me abrir tanto para quem não conheço, nem que fosse para preservar ao menos aqueles que estão a minha volta. Esse ano eu tomei umas pauladinhas educativas nesse sentido. Me serviram para mostrar muita coisa. Principalmente que nem todo mundo segura a onda. Nem todo mundo tem força o suficiente para lidar com os sentimentos e continuar estendendo o braço. Que ninguém é mesmo 100% altruísta, benevolente. E não é que eles mentiram quando se mostraram confiáveis. Mas que são humanos. E humanos erram, tropeçam, têm medo, se traem. Humanos recuam.

Mas eu, estranhamente, continuo dizendo O-Negai Shimasu.

Eu confio.

Débora - A Descasada

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Agora é oficial

Agora é oficial: sou uma mulher divorciada. Já me explico: quando este blog nasceu, em outubro do ano passado, o meu estado civil, segundo a legislação brasileira, era “separada consensualmente”. O divórcio, divórcio mesmo, os papéis finais, saíram há pouco mais de um mês. Já posso até casar de novo! Lembro bem que, na primeira reunião sobre o 3xtrinta, uma das meninas perguntou se eu não preferia assinar “A Separada” simplesmente. De cara, achei que não cabia: o meu sentimento em relação ao meu antigo relacionamento já era, naquele momento, de ruptura total, de quebra, ponto final, já era. E, como sempre me disse o meu amigo Nivaldo, divorciada é uma nomenclatura poderosa. Era, tinha que ser, a minha assinatura aqui.

Ter resolvido as últimas pendências do babado me trouxe uma sensação de alívio. E a oportunidade de refletir, mais uma vez, sobre tudo o que aconteceu, sobre como a vida mudou, felizmente, para melhor. Sobre como eu sou uma mulher mais madura, mais alerta ao comportamento do outro, mais pé no chão. Uma mulher sem certezas absolutas e planos mais que definidos (sim, eu já acreditei em certezas absolutas, a própria Alice vendo o mundo em cima do cogumelo no país das maravilhas).

Agora, vale a intensidade do que trago no coração, o amor saboreado a cada dia para que, assim, o hoje se multiplique por muitos e muitos dias mais. E a vida valha a pena. Sempre vale, quando a alma não é pequena. E a gente recebe de braços abertos as reviravoltas que cruzam o nosso caminho.

Isabela - A Divorciada

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A Uniban desistiu de expulsar a loira

A última da novela da Uniban, onde, no campus de São Bernardo do Campo, a estudante Geisy Villa Nova Arruda, de 20 anos, foi hostilizada em 22 de outubro por assistir aula usando um vestido curto. No último final de semana, Geisy foi expulsa da instituição, que decidiu readmiti-la ontem, sem dar maiores explicações para o recuo. Sabe-se apenas que a decisão foi do reitor Heitor Pinto Filho.

Antes tarde do que nunca, é vero, menos mal que eles tenham mudado de ideia. Agora, fica claro, claríssimo, que o anúncio foi baseado na péssima repercussão que o caso teve. Prevaleceu o medo de ter a imagem manchada e ainda ter que dar explicações a órgãos como o Ministério da Educação, por exemplo. Como se isso já não tivesse acontecido!!!! Como se a Uniban já não estivesse marcadíssima por esse episódio de volta à Idade Média, ao tempo em que uma mulher era punida e julgada pela roupa que vestia.

Outro ponto que me chamou a atenção: na tarde de ontem, durante um protesto na porta da universidade contra a expulsão, que ainda não havia sido revogada, os manifestantes foram vaiados por alunos da instituição, que diziam quer apenas “estudar”. Ou seja, a lógica que fez Geisy ser colocada para fora após ser agredida encontra respaldo entre alguns alunos (prefiro acreditar que esses não sejam maioria).

A universidade promete, para a próxima sexta-feira, a realização de um debate em torno do assunto. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) vai participar. E já se ofereceu para fazer a ponte entre Geisy e a Uniban. Pois tomara que a discussão aconteça mesmo. E de forma limpa, democrática, respeitosa. Que seja uma chance para conversar de forma ampla sobre o linchamento moral pela qual a estudante loira do vestido vermelho tem passado desde 22 de outubro. Um fio de esperança de que não sejamos tão selvagens assim.

Estamos de olho.

Isabela – A Divorciada











Tic tac...tá acabando o tempo!!

Mandem seus textos da nossa promoção de um ano até quinta (dia 12)! Já recebemos vários textos beeeeem legais. Mas queremos muito mais!!

=D

beijocas do trio

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

É verdade: eu detestava buffet infantil...







...até eu descobrir o que é bão!!! Flagrantes do aniversário de um ano da minha sobrinha Marina.
Débora - A Descasada

ps: pelo visto eu não fui a única a me divertir, hehehe