Terça-feira, 14 de Julho de 2009

O manual do matador: se ela dança...

Tem mulher que adora reclamar quando o cara não curte muito uma pista. Já algumas adorariam estar no lugar dessas desavisadas, ao invés de carregar a tiracolo um aspirante a dançarino de axé. Agora, quando eles resolvem dançar bem, aí já é outra história. Não é bem a deste post; à exceção da foto acima, claro.

A pista de dança é a prova de fogo do matador. Nada é mais decisivo na hora de provar se o cara tem ou não tem borogodó. E isso também inclui dispensar os quadrados coloridos do chão. O matador com pouca desenvoltura na quebrada sabe que não vai desenrolar, então, nem tenta. Poupa a mulher daquela vergonha alheia que é pior do que quando o negócio é com a gente. Já os que gostam de ser bacanas, no sentido sem critério da palavra, correm sério risco de terminar a noite com duas pizzas de suor debaixo dos braços em vão. Deu para imaginar?

Tá difícil? Então o Manual do Matador vai facilitar o quadro da dor para você. Pensa num cidadão de dois metros de altura, simpático, culto e educado. Era para ser um gato, porém, esconde-se por trás de um par de óculos fundo de garrafa - do naipe vidro temperado a prova de balas. O aparentemente inofensivo acessório, num infeliz efeito ótico, aproxima as têmporas do rapaz. Ou seja, deixa o seu rosto mais estreito só ali, enquanto faz os olhos parecerem três vezes o seu tamanho real. Resumindo: o cara parece usar um aquário na cabeça ao invés de apenas óculos.

Agora, imagine o conjunto da obra arrasando na pista. Movimentando seus dois braços de Golias no sentido horário e antihorário. Sacudindo a cabeça, mãos e pernas, cada um numa direção, enquanto o quadril, vixe, esse não se move um milímetro de jeito nenhum. Nessas horas, um buraco no chão é ou não é uma benção?

Outra desgraça é aquele cara cheio de "molejo", manja? Sacudido, numa saúde e alegria típica de quem samba pra trás sem saber onde vai parar, que pisa no seu pé quando baixa a gafieira e que termina a noite com as famigeradas pizzas, a manga da camisa amarfanhada e alguns botões abertos. E ainda por cima, numa felicidade de dar raiva até em monge, enquanto você fica sem saber o que fazer com aquele demônio da Tasmânia alucinado. E são cinco da manhã!

Isso tudo é para dizer que Matador que é Matador sempre sabe onde lhe aperta o sapato. E se isso inclui a tal pista de dança, ele vai estar ali por perto, quietinho, fora da cena, e por isso mesmo chamando muito a sua atenção.

Giovana - A Solteira (que adora dançar, tá!)

PS: A foto é do filme "Vem dançar comigo" (Strictly Ballroom). Quem não foi ao cinema ver quando era adolescente, que atire a primeira pedra.

PS2: Mais sobre o Manual do Matador: Parte 1, Parte 2, Modo de Usar, Na Cozinha

PS3: Verônica, agora só falta a entrevista com o Solteiro. Aguarde! :O)

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Entrevista com um canalha

Depois do Casado e do Divorciado (Gio promete a entrevista com o Solteiro para breve), chegou a vez do Canalha. Isso mesmo, nosso leitor Canalhus Forever, exemplar assumido da espécie, aceitou o meu convite e, gentilmente, esclareceu todas as minhas dúvidas a respeito do assunto. E tem mais: ele promete responder às suas perguntas também, basta registrá-las nos comentários ou no nosso e-mail: 3xtrinta@gmail.com. Para tanto, faremos um novo post/entrevista. Valeu, Canalhus, você teve muita atitude em colaborar com a gente. Adorei.

Beijão,

Isabela – A Divorciada

Um homem nasce canalha ou torna-se um ao longo da vida?
Um canalha é um verdadeiro amante das mulheres e esse espírito vem desde o nascimento. As artimanhas da alma feminina a gente aprende depois de muita reflexão, observação e amor, muito amor.

Só existem canalhas porque há mulheres tontas que aceitam determinados comportamentos?
Discordo completamente que existam mulheres tontas, acho essa afirmação um absurdo!!! O que existe são criaturas especiais, que não poupam amor e carinho para o mundo. Além disso, elas também sabem respeitar a liberdade de almas livres, que estão dispostas a amar e conhecê-las o maxímo possivel. Deixo abaixo a definição de liberdade segundo o Wikipédia, para reforçar minha afirmação: Liberdade em filosofia designa, de uma maneira negativa, a ausência de submissão, de servidão e de determinação, isto é, ela qualifica a independência do ser humano. De maneira positiva, liberdade é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional. Isto é, ela qualifica e constitui a condição dos comportamentos humanos voluntários.

Qual foi a sua maior canalhice?
Não gosto do tom perjorativo da sua pergunta em relação à palavra "canalhice". Assim, vou redefinir o sentido de canalhice : amor, amor, amor. Por exemplo, certa vez estava retornando de uma viagem e tinha uma doce criatura para quem eu estava dando amor que se ofereceu para me buscar no aeroporto quando eu chegasse (sem que eu pedisse). Eu fiquei de ligar quando estivesse no terminal, porém o destino me fez cruzar com uma outra criatura também maravilhosa, que estava no avião. Uma bela estudante francesa que estava conhecendo o Brasil. Ela estava sozinha, fazia frio, não conhecia ninguém e só voltaria para seu país na noite seguinte. Por ter muito amor para dar, pensei: a doce criatura número um tem casa, está bem, e pode receber meu amor amanhã ou quando ela quiser. A doce criatura número 2 , não. Por amor eu liguei para a criatura número 1 e disse que minha mala havia extraviado e que iria demorar muito para resolver o problema. Como não sou um monstro, levei a doce francesa para minha casa, dei-lhe abrigo, comida e bastante carinho, afinal eu tenho muito para dar.

Existe mulher canalha? Você já encontrou alguma? Conta aí.
Existe sim!!! Acho até que não é certo chamá-las de canalhas, elas são piores, cruéis, terríveis. Acho melhor chamá-las por um outro nome, escolhi o termo: "monstras insanas". Acredito que existam os bons e maus canalhas, e tenho certeza absoluta de que os maus só o são porque já cruzaram um dia com essas monstras insanas e acabaram indo para o lado negro da força, por puro trauma. Eu também cruzei com várias em minha vida, felizmente pude perceber seus instintos perversos a tempo e me safar ileso.

Quem são seus ídolos?
Jece Valadão, Wando, Sean Pean (que deu um pé na bunda da Madonna) e o Sr. Bernardo Bidlowsky, de 96 anos, recém separado e em busca de uma nova paixão.

Canalha que é canalha....
Ama, ama muito. Ama tanto as mulheres que não cai na tentação egoísta de guardar seu amor apenas para uma, tenta distribuir para quantas puder.

Um recado para as leitoras do 3xtrinta...
Amem, amem muito!!! Sejam livres e não deixem de viver situações que surjam do nada, mergulhem sempre. Não fiquem com essas idéias bobas de casamento, filhos, familia, etc. Isso vira neurose braba e vocês deixam de viver belas histórias. O bom da vida é ter o que lembrar, não o que lamentar.

Domingo, 12 de Julho de 2009

Armas, flores e sexo

Dia de convidada especial. Como esse blog anda muito comportado, e nós sabemos que vocês querem ler sobre sexo aqui também, pedimos a uma amiga querida, linda e fofa, que aqui se apresenta como "A Amante", um texto sobre as experiências sexuais dela com um policial do GOE, a elite da polícia paulista. Se eu fosse você, continuava lendo..... Obrigada, lindona. Arrasou, escreva sempre para a gente.

Beijos,

Isabela - A Divorciada

Ele pegou minha mão e começou a beijá-la suavemente, depois foi subindo devagar pelo braço todo até chegar ao pescoço, nuca, orelha e finalmente nossos lábios e línguas se tocaram... Delícia! Senti um arrepio subindo pelas minhas costas, um friozinho na barriga e quando percebi estava dando um beijo longo, molhado e muito gostoso num policial do GOE (Grupo de Operações Especiais). Naquele instante saquei tudo o que poderia rolar entre a gente. O beijo sempre é um ótimo termômetro e a previsão para os próximos encontros era de temperaturas altíssimas.

Ele não estava de uniforme, nem de viatura, obviamente, mas estava de preto e estávamos em seu carro, grande e absolutamente preto. Eu tive que rir baixinho e disfarçar minha excitação e medo. Eu ainda achava que podia dizer não. Aquele beijo aconteceu depois de muitas mensagens via celular, ligações, recados via msn, cafés e até flores e uma bomba de chocolate deixados gentilmente na portaria do meu prédio. Ele me cortejou, me cercou, me seduziu.

Eu juro que tentei resistir e que nunca fui tarada por homens de farda. Voltemos ao começo: Nossos olhares se cruzaram pela primeira vez em plena Av. Paulista. Eu andando apressada depois do trabalho rumo ao cinema e ele andando de bicicleta na volta da academia. Passou por mim três vezes, sorriu, disse boa noite e perguntou se podia andar ao meu lado. O papo fluiu e telefones foram trocados. Mas logo fiquei sabendo que aquele interessante desconhecido era comprometido. Imediatamente decidi que nunca, jamais eu teria qualquer envolvimento além de amizade com aquele homem. Nunca saí com homem casado! Eu disse isso várias vezes em rodas de amigas. E era verdade. Justo eu que fui esposa fiel e dedicada por anos? Imagina. Rs!!!!

Tudo bem que agora eu era uma mulher solteira novamente e que isso simplificava algumas coisas, mas eu não queria admitir o quanto era bom ficar perto dele. Eu cheguei a falar na cara dele que não existia a mínima possibilidade de ficarmos juntos, que eu não queria confusão na minha vida. O problema é que quanto mais eu dizia que nunca ficaria com ele, mais eu imaginava algemas, botas, uniformes pretos e sexo selvagem com aquele homem sarado e com braços tatuados.

Depois daquele beijo eu perdi totalmente o controle. Química rolando, cheiro bom e sensações deliciosas ao mínimo toque de pele com pele... Naquela mesma semana saímos para jantar, bebemos vinho e fomos para o flat que ele já havia reservado. Sempre muito gentil , atencioso e discreto, claro.

Mulheres do meu Brasil varonil... ele é o homem mais dedicado na cama que conheci até hoje. Aquela noite de luxúria e prazer foi memorável. Foram três orgasmos durante o sexo oral, mais um durante a segunda etapa da noite e numa das minhas posições preferidas. Até isso ele parece ter adivinhado. Sou uma mulher mais feliz desde então. Já repetimos a dose muitas outras vezes e em vários lugares diferentes. Viramos Batman e Mulher Gato que se encontram na sombra da noite. Teve uma madrugada dessas que foi especialmente excitante e perigosa... mas isso é uma outra história. Quem sabe um dia eu volto pra contar.

Nunca diga nunca!

A Amante

Sábado, 11 de Julho de 2009

Não foi como o planejado


Hoje foi dia de tarefa árdua. Fui finalmente retirar as minhas coisas - livros, CDs, pastas, arquivos, fotos, peças de decoração etc - do meu ex-apartamento. Escalei a Cláudia para ir comigo. Porque além do carro e dos dois braços a mais, eu precisava de um ombro muito do amigo caso começasse a chorar e repetir a mesma lenga-lenga que venho repetindo para minhas amigas desde que me separei.

Passamos primeiro na Etna para escolher umas caixas bonitinhas. Minhas coisas merecem ficar bem guardadas. Escolhi uma de florzinha, uma de bolinha e uma de plástico muito feia, mas com rodinhas e alcinhas. Super prática. Chegamos lá e descobrimos que subestimamos a quantidade de pertences que eu ainda tenho. Faltou caixa. Mas demos um jeito. Joguei duas sacolas inteiras fora. A Clau me fez jogar fora lembrancinhas que não fazem mais sentido, as minhas 12 medalhas de corrida (dos tempos que eu tinha asas nos pés), fitas com entrevistas do passado e disquetes com trabalhos da faculdade. Até as minhas duas primeiras tábuas de madeira que eu quebrei com a mão (coisas do aikido) ela me fez jogar ("Coisa quebrada você joga fora!").

Quase todo o tempo eu fui firme e forte. Mas uma hora eu encontrei um papelzinho solto dentro de uma agenda antiga...era a minha lista de desejos/metas do meu aniversário de 26 anos (2005). Ali estava tudo o que eu gostaria de ter feito até os 30. E eis-me aqui com 30. Quando comecei a ler, desatei a chorar. Nada saiu como o planejado. Não fiz nada do que me propus. Na verdade, fiz sim: meu plano de previdência. Mas com quatro anos de atraso em relação ao proposto...E de fato aprendi a falar inglês com decência. E só.

Fiquei arrasada. Me senti um fiapo de gente. Uma pessoa mal planejada. Cheia de metas e ideias e de pouca ação. Comecei a chorar e maldizer o passado cheio de projetos e sonhos. A Clau me abraçou e disse: não tem problema que não saiu como o planejado. Mas saiu de outra maneira tão boa quanto. Mas foi um verdadeiro balde de água fria aquela listinha...

Respirei fundo e continuei a arrumação. Tentei esquecer aquele maio de 2005. Onde eu estava? Com quem eu estava? Onde trabalhava? Com o que eu sonhava? Nada disso importa mais. Quebrou-se, como as tábuas de madeira. E o que se quebra, me ensinou a Clau, a gente deixa para trás.

beijos e ótimo sábado de chuva (ao menos em São Paulo!)

Débora - A sem metas...
.
ps: a outra lição aprendida no dia foi - nunca mais compre a caixa de bolinhas. É bonitinha, mas ordinária.
ps 2: título e foto claramente inspiradas (roubadas!) de uma matéria que li na revista Sorria, da DrogaRaia e do Graac.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Dois novos blogs

Tem blog novo na praça. Dois, melhor dizendo. Duas ótimas novidades, que eu super recomendo.


O primeiro deles é o Confissões de uma divorciada, da minha amiga Nikita Ferraz. Descoladíssima e engraçada, ela promete contar tudo. Boas histórias não faltam. Não percam.


O outro é o Instantes Literários, feito por outra amiga querida, a jornalista Daniela Diniz, em parceria com a não menos chiquérrima Leda Balbino, ela também uma mulher da imprensa. Aqui, a proposta é apresentar os ótimos textos das duas, além de reflexões a respeito dos textos de terceiros e sobre a literatura de modo geral. Imperdível.


Divirtam-se. Sucesso, meninas.


Beijos,


Isabela - A Divorciada

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Abaixo o preconceito

"Ele tem 42 anos, é publicitário, baiano, bem interessante. Mas é separado. Tem isso, né? Separado....."


Ela me contava que estava entre dois affairs quando mandou essa. Logo para quem, né? Estou falando de uma querida, uma pessoa que eu adoro, mas que, seguindo o senso comum a muita gente, levantou esse "porém" na hora de dar a ficha do cara.


Gente, abaixo o preconceito, né? E daí o cara ser separado? Já pararam para pensar que alguém que enfrentou um divórcio pode ter aprendido muita coisa? Amadurecido? E, uma vez que decide entrar numa nova relação, o fará com muito mais vontade de acertar? Não dá para classificar as pessoas segundo o seu estado civil. Segundo critério nenhum, aliás. Existem homens e mulheres maravilhosos no time dos solteiros, casados, divorciados, viúvos...... Sem falar que discriminar um divorciado é como discriminar essa divorciada aqui, hoje uma mulher infinitamente superior exatamente porque passou pelo turbilhão do divórcio um dia.


Se liga, Lu. Tô torcendo por esse baiano aí.


Beijos,


Isabela - A Divorciada

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Uma carta de desamor

"Meu amor,

Preciso te dizer umas coisas que andei pensando. No começo eu não me perdoava por tudo isso. Mas agora decidi que a culpa foi toda sua. Passada a fase da culpa, veio a raiva. Tenho raiva, sabe? Muita. Porque você não percebeu os meus sinais. Não fui muito clara? O que mais eu precisava ter feito ou dito?

Tem umas coisas que você precisa saber sobre mim: eu sou uma farsa. Eu me moldei ao seu jeito. Banquei a durona, a antirromântica (essa nova regra ortográfica até me corta o raciocínio). Virei adepta do “assim tá bom, para que mais?”. Mas não tava bom. E eu menti para mim mesma. E eu queria bem mais.

Tem outra coisa que você precisa saber sobre mim. Eu sou romântica sim. Posso até botar banca de durona. Mas me derreto com as tradicionais demonstrações de amor. Eu sei, eu sei...já sei o que você vai dizer. Que o amor, e o romantismo, se expressam das mais variadas formas. Eu concordo. E você demonstrou muitas vezes. Mas aquele romance de filme-para-matar-diabético também é super bem vindo. Nós mulheres adoramos. E eu não sou diferente. Fingia que era, mas não sou.

Sabe quantas vezes você me deu flores? Quatro. Uma para me conquistar, outra para me reconquistar, outra de dia dos namorados (em uma década de dia dos namorados) e uma no meu aniversário. Ok, flor todo dia deve encher o saco. Mas quatro é muito pouco. Eu adoro ser surpreendida – e quem não gosta? E eu era mestra em deixar bilhetinhos fofos, cartas apaixonadas, montava altos kits de aniversário e dia dos namorados. E era só isso que eu queria em troca...

Por outro lado, as suas surpresas para mim eram sempre as coisas que você queria para você mesmo. Aquele quadro...sabe que naquele dia que você chegou com ele eu tive que ir ao banheiro chorar baixinho a minha decepção? Jurei que a surpresa era outra. Depois acabei gostando dele. E assim eu fui me adaptando ao seu jeito, à sua forma de demonstrar o amor. Mas, no fundo no fundo, eu queria mais. E ficou faltando a grande prova de amor. A máxima e suprema prova que você nunca me deu. Talvez isso tenha me deixado frustrada de vez.

Pensando bem, não estou mais com raiva de você não. Tô é com raiva de mim. Por ter sido tão incapaz de ter dito tudo isso enquanto ainda era tempo. Mas a gente aprende, não é mesmo? De agora em diante, não vou mais disfarçar nada. E nem ceder tanto assim.

Da sua pequena"

Débora - A grande