sexta-feira, 23 de março de 2012

Meu casulo tem vista para o mar

Aprendi isso no meu grupo de meditação. O casulo. Esse lugar igualmente confortável e tenebroso. Mais popularmente conhecido como “zona de conforto”. Quem não tem seu próprio casulo? Desde que me joguei na deliciosa jornada de tentar conhecer a mim mesma, comecei a criar consciência de quais seriam os meus casulos.


Tenho, e tive, vários. Já tentei me esconder neles várias vezes. Por puro medo, claro. No livro “Shambhala – A Trilha Sagrada do Guerreiro”, do monge budista Chögyam Trungpa (nossa referência constante na meditação), há um capítulo todinho dedicado ao casulo. Diz o autor: “O caminho da covardia consiste em nos embutirmos num casulo, dentro do qual perpetuamos nossos processos habituais.


Reproduzindo constantemente nossos padrões básicos de conduta e pensamento, jamais nos sentimos obrigados a dar um salto ao ar livre ou em direção a um novo campo”. O casulo traz, como ele mesmo diz, aquela sensação gostosa e segura do ventre materno. Estamos protegidos dos perigos do mundo, sem perceber o perigo disso.


Creio que foi com medo de “encasular” que criei o hábito de me jogar por aí: pedir demissão, ficar sem dinheiro, ficar sem casa, ficar sem rumo. Só que nossa mente, zás-trás, cria casulos sem a gente nem perceber. Outro dia me peguei caindo da cilada do ciúme, do medo da perda, do apego, das certezas reconfortantes. Que ingênua. Ali estava eu de novo, tão corajosa e igualmente medrosa.


A verdade é que os casulos sempre hão de pintar por aí. Assim sendo, tá decidido. Meus casulos sempre terão vista para o mar (ou para a Serra da Cantareira, como de fato tenho), que é para eu jamais esquecer do horizonte, da brisa, do cheiro de sal e do desconhecido.


Débora – A Encasulada

6 comentários:

Anônimo disse...

lindinha :)
B. a, tambem encasulada

23 de março de 2012 11:53
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Lindo!

Besos,

Bela - A Casada

23 de março de 2012 12:53
João do Espírito Santo disse...

Uau! Um tempo que não passo aqui e parecem que houveram muitas mudanças na vida dessa pessoinha querida.

Enfim, esses seus posts me lembram um texto feliz de um rapaz, comentando sobre o budismo, que disse:

"Nós sofremos porque:
1) desejamos coisas ou fatos que não temos;
2) não aceitamos coisas ou fatos que temos e
3) pela ilusão de ter ou viver algo que não é real.

O apego a esses três fatores – anseio, aversão e ilusão – nos leva a um círculo vicioso. Quanto mais insatisfeita está a mente, mais ela tenderá ao devaneio, gerando mais ilusão e consequentemente mais sofrimento.

A solução é aceitar as coisas como são, resolvendo o que for possível, e viver intensamente o aqui-agora, pois não temos o poder de mudar o passado nem de controlar o futuro, mas podemos viver com profunda alegria o momento presente."

Seja feliz!

23 de março de 2012 14:49
Diguê disse...

Linda reflexão.

E apoiada. A inércia do medo normalmente é mais prejudicial do que o perigo da mudança.

Bjos da Solteira

23 de março de 2012 17:47
Jana disse...

Eu sempre vivi num casulo... literalmente....
Quando morava com minha mãe...meu quarto era meu mundo...Agora que sou casada... continua sendo....rsrsrsrs
Após minhas obrigações ele, é meu lugar de refúgio, é minha zona de conforto... é nele que paro, penso, reflito, e revejo minha vida....


BJO

24 de março de 2012 00:06
Andarilho disse...

Ultimamente quero ficar quietinho no meu casulo.

24 de março de 2012 10:55