domingo, 22 de novembro de 2009

Um mau ano

E, finalmente, o terceiro lugar. Emílio Yamane e sua história de uma paixão não correspondida.

Devo começar dizendo que não foi um período de 365 dias muito agradável, afinal, não herdei nenhum vinhedo no sul da França. Algumas coisas aconteceram, marcantes pra mim, sem dúvida, mas que dependendo da definição de "especial", podem ser assim classificadas ou não.

Em outubro do ano passado eu era apenas mais um carinha mediano poraí. Ia pro trabalho, ia pra academia, fazia curso de línguas (japonês, só pra não dizer que era totalmente "padrão"). E mais importante de tudo: estava apaixonado. De verdade. Coisa rara pra mim (até agora, nesta vida, contam-se duas vezes).

Aí acabei passando em um concurso, mas pra outra cidade, Curitiba. Salário melhor, trabalho melhor. E eu não fui. O motivo "oficial" é que eu não quis mudar da pacata Floripa pra cosmopolita Curitiba. O motivo de verdade é que nessa época eu ainda tinha esperanças idiotas.

Nessa mesma época, acabei fazendo algo inédito (pra mim, claro, pra tanta gente é coisa tão banal...). Me declarei pra 'ela'. E como já esperado, levei um fora. Com aquele terrível papo de "você é uma pessoa especial", "vamos ser amigos" etc... Na época, até tentei. Como diria o Chaves, "que burro, professor, dá zero pra ele". Certas coisas simplesmente não funcionam.
Sabe, um pedaço de mim morreu naquela hora, mas eu só vim a ter consciência disso depois de uns tempos...

E assim, as coisas foram se tornando insípidas, sem graça nenhuma. Aos poucos, parei de fazer quase tudo o que era da minha antiga rotina, exceto ir trabalhar (afinal, preciso do dinheirinho todo mês). Ir trabalhar, se não era tão mal assim, se tornou um suplício, pois trabalho na mesma empresa que ela.

Me tornei (mais) mal-humorado do que de costume, nervoso, com raiva do mundo. Pessoas lidam com a tristeza de diferentes maneiras, a minha maneira é transformá-la em raiva. Como parei com a academia e de fazer qualquer outra coisa, engordei uns 10 quilos. Deixei a barba crescer,toda desgrenhada, assim como o cabelo. E principalmente, deixei de acreditar. Em esperanças, em tudo.

Nessa época, comecei a assistir o seriado do House. Me identifiquei muito com o personagem, especialmente pela infelicidade que o acompanha. Se bem que não considero 'infelicidade' a melhor palavra para tal, prefiro a palavra 'miséria', que em português geralmente as pessoas associam mais ao aspecto financeiro, mas que expressa melhor o que o House é (ou era): um miserável, no sentido mais amplo da palavra.

E assim como o House (spoilers!), uma hora a gente tem que deixar de ser (pelo menos tão) miserável. Não é fácil, e nunca vai ser como era antes.

Van Gogh disse, usando suas últimas palavras, que "a tristeza durará para sempre". Apesar de não ser acalentador, nem reconfortante, eu concordo com ele. Esse tipo de tristeza a gente leva pra sempre, mesmo que guardada numa caixinha escondida lá no fundo. Mas não, eu ainda não guardei a minha numa caixinha.

E chegando aqui, percebo que não sei como terminar esse texto. Queria poder dizer que tudo vai passar, que tudo vai melhorar, mas não acredito mais nesse tipo de palavra. Mas também não queria terminar o texto muito deprê (de deprê, basta eu).

Então, vou terminar o texto com um desejo: de que pra você, tenha sido um bom ano. Com ou sem uma boa safra de vinhos.

18 comentários:

Belly disse...

Emilio, como dizem, quem nunca teve um amor não correspondido q atire a primeira pedra. Mas, bola pra frente querido, estou torcendo por vc! E não é barbudo com cara de miserável que as coisas irão melhorar, certo?
Bjss e boa sorte.

22 de novembro de 2009 13:25
Graci disse...

Me identifiquei mt com esse texto!
Deveria ser o campeão! rs...

bjs

22 de novembro de 2009 14:23
Patrícia Costa disse...

Me identifiquei muito com o texto, primeiro pq como 99,9% da população tb vivi uma paixão não correspondida, tb aconteceu no ultimo ano e eu me entreguei por completo e tb ouvi o papo de "você é uma pessoa especial", "vamos ser amigos"... e eu tb tentei ser apenas Amiga e me machuquei muito com tudo isso. "Certas coisas simplesmente não funcionam." Vc tem razão...

Tive tb o momento de desleixo, de baixa auto-estima, vontade de sumir e me achando a mulher mais horrivel do mundo mas essa fase durou pouco pq como eu precisar continuar a vida, a primeira atitude era cuidar de mim e voltar a me olhar no espelho e ver algo agradavel...

"Esse tipo de tristeza a gente leva pra sempre, mesmo que guardada numa caixinha escondida lá no fundo." Eu concordo com vc, hj a minha fase de desleixo passou, a fase da desesperança tb passou... Cicatrizes, más lembranças ainda existem... mas aos poucos eu estou guardando minha tristeza numa caixinha bem escondida...

Ah, e depois de tudo, hj não me arrependo de nada... Pelo menos eu tentei, eu me entreguei e fui sincera com meus sentimentos... Pode ter certeza sufocar um sentimento é bem pior do que ouvir um "Você é muito especial mas..."

Abraço,(fiz quase um post, rs..)

22 de novembro de 2009 15:13
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Emílio Querido,

Vai passar. O importante é que emoções você viveu. Concordo com a Belly: não é barbudo e com cara de miserável que as coisas vão melhorar. Pode começar essa virada aí ficando gato, cuidando de você.

Arrasou com o texto, parabéns. Valeu por ter participado da promoção. E por ser o leitor fofo que você é.

Beijos,

Bela - A Divorciada

22 de novembro de 2009 16:18
Elaini disse...

Meu amigo, vá ao cinema ver "500 dias com ela"! A vida é assim mm!!
Força aí! bjs

22 de novembro de 2009 17:23
Rita H. Abematsu disse...

Emilio, viva essa fossa, chore tudo o que tenha que chorar, afogue essas mágoas, vá até ao fundo do posso (só não vá cavá-lo mais, ok?), encontre-se na lama, mas depois... LEVANTA SACOTE A POEIRA E DÊ A VOLTA POR CIMA, pois por mais amor (?) que a gente ache que sinta por alguém, quando não se é correspondido é o ponto final e pronto. A vida é preciosa demais para vivermos nessa miséria de vida, a vida tem que ser vivida! VIVA A VIDA E NÃO PASSE POR ELA, SIMPLESMENTE!

SUCESSO NESSE NOVO CAMINHO!

22 de novembro de 2009 20:20
Petitinha disse...

Emílio, neste mesmo momento uma grande amiga minha está passando exatamente pela mesma situação, tomo a liberdade de te dizer o mesmo que disse a ela: "você não é responsável pelas atitudes e reações do outro, mas é responsável por suas próprias atitudes. Você não escolheu levar um fora, mas daqui pra frente é com você!".
Como algumas pessoas disseram não vai ser desleixado que as coisas vão melhorar, começe daí seu próximo ano, acredite mais em você!
Desejo-te força e determinação.

22 de novembro de 2009 20:26
Sanzinha disse...

Se não o vinho, pelo menos uma coca-cola! ehehe
Vambora, Emilio! Dá um up! Troca de House pra Shepherd (o neurocirurgião gato de Grey's Anatomy) e vambora tocando em frente! Começa já 2010 com tudo!

Gente, adorei os textos! Parabéns aos 3. Andei um pouco longe dos blogs e voltei feliz com as histórias que li aqui.

Super beijo!

23 de novembro de 2009 09:14
Anônimo disse...

Cara, como você é down!!!! Quero distância de gente como você!!!! Consuma sozinho essa sua amargura!!! Deus me livre! Como diz o cara do filme Closer: "os depressivos não querem ser felizes, pois teriam que enfrentar os verdadeiros problemas do mundo, o que poderia vir a ser... depressivo!". Você é o típico cara cujo sonho é ser dono de pousada, com esse papinho de vinhedo... Na verdade você quer fugir do mundo, ou melhor, você diz que quer fugir do mundo, mas está fugindo de si mesmo. Olha no espelho! Não minta pra si mesmo! Veste calça, rapaz!

23 de novembro de 2009 12:08
Giovana disse...

Querido Emilio,
venha para São Paulo tomar uma breja com a gente. beijos, Gio - A Solteira

23 de novembro de 2009 15:14
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Anônimo,

Obrigada por ser nosso leitor e deixar comentários para a gente, mas não precisamos ser agressivos com o Emílio, que abriu o coração para a gente. Quem nunca ficou down na vida?

O importante é que ele vai sair dessa. Estamos aqui para dar força e torcer por ele.

Beijos,

Bela - A Divorciada

23 de novembro de 2009 15:24
Anita disse...

Eu sempre leio o blog, mas nunca comentei (tenho cá meus motivos para isso que não vem ao caso agora). Porém diante do texto, que eu considero de extrema profundidade, e do comentário do ressentido Anônimo, decidi falar, ou melhor, escrever.
Adorei os outros textos ganhadores do concurso, mas esse do Emilio me tocou de modo especial. Não por ter vivido algo parecido ou por me condoído de sua dor, mas pela coragem do menino.
Coragem não de tornar pública sua dor, mas coragem de assumí-la para si mesmo. É lindo quando ele diz que se afundou na dor e na tristeza. Poucas pessoas tem coragem para tanto, só as que vivem de fato conseguem tal proeza.
Então, Emílio, curta sua dor, viva-a, celebre-a. Ela te faz vivo e não "pretensamente" vivo. Não tenha pressa de deixa-la, um dia, de repente, vc se dará conta que ela nem existe mais e vc estará pronto para seguir seu caminho.
Talvez o mundo precise um pouco disso, de pessoas assumidamente tristes e verdadeiras quando todos tentam se mostrar felizes, sem nem ao menos saber o que isso signifique.

23 de novembro de 2009 15:34
Adriana David disse...

Emílio,
Passei por situação muito parecida!! A impressão que eu tinha era que o mundo acabaria. Eu chorava só de entrar no carro para ir trabalhar pois encontraria com ele.
Mas passou e reconheço que foi a melhor coisa que ele fez. Mas morri de raiva e sofri muuiiiiiiito!!!!!
Para sair dessa? Seja vc mesmo, ame a vida, curta seus amigos, fale bobagem, ria de vc mesmo!!!
Daqui a um ano, escreve uma história bem diferente aqui no blig!!
Ah! Eu tentei mandar minha história de um ano para a promoção, mas não deu tempo. Foram 365 dias ótimos!!! Muito bem aproveitados!!!!
bjks
Adriana

23 de novembro de 2009 16:03
Andarilho disse...

Sabe, Anônimo, eu até tolero (um pouco) os down, mas não tolero quem só fala escondido.

E eu não concordo com a Graci não, acho q deveria ter ficado com o 2o lugar (eu queria mais um livro, e não perfume, hahahah).

23 de novembro de 2009 18:00
Sissi disse...

Emilio, as dores são para serem sentidas, a vida para ser vivida.
Não há dor que o tempo não cure e quando menos você esperar, verá que tudo passou, e estará pronto para uma nova fase da sua vida, tenho certo que o próximo ano você será mais feliz.

23 de novembro de 2009 19:37
Anônimo disse...

Não se preocupe em me tolerar... o correto é me ignorar! Tolere a si próprio, com quem a convivência é inevitável, que será muito mais produtivo. E, de coração, SEJA FELIZ!!! Só cabe a você decidir se quer ser triste ou feliz! Lembre-se: a felicidade é a realidade confrontada com a expectativa. Espere menos e faça o seu melhor todos os dias que a recompensa virá de onde você menos espera...

Um grande abraço

23 de novembro de 2009 20:18
Fernanda Gomes de Sá Paulo Poli disse...

Não deixe a tristeza te dominar...Domine a tristeza e mostre que pode ser muito mais forte que ela!!! Vc será muito feliz ainda...Afinal, quem nunca sofreu por amor??? Beijos

24 de novembro de 2009 12:07
日月神教-任我行 disse...

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18 de junho de 2015 06:19