domingo, 8 de novembro de 2009

Expulsaram a loira da Uniban

Acabo de ficar sabendo que a estudante Geisy Villa Nova Arruda, de 20 anos, do curso de Turismo do campus da Uniban em São Bernardo do Campo, foi expulsa pela universidade. Para quem não lembra ou não ficou sabendo, Geisy é a moça do vestido vermelho, alvo de xingamentos e que se viu em meio a um tumulto generalizado envolvendo os cerca de 700 estudantes que se encontravam no prédio da instituição no dia 22 de outubro, só por ter ido à aula usando um traje curto. Quando a confusão veio à tona, escrevi um post sobre o assunto aqui.

Pois é, bem-vindos à idade média. Se a única coisa que poderia ter sido feita para encerrar esse episódio com um mínimo de dignidade, que seria a punição rigorosa dos agressores de Geisy (um grupo entre seis e oito alunos será suspenso apenas), foi ignorada, o que esperar da humanidade? A vítima foi a maior penalizada pelo caso. Além de ter sido hostilizada e ouvido gritos de “Pu-taaa, Pu-taa!” e “Vamos estuprar!” em plena faculdade, ela ainda foi expulsa!!!!!!!! Dá para acreditar???????

Os argumentos da Uniban? A aluna frequentava a universidade com “trajes inadequados”, “fez um percurso maior do que o habitual, aumentando sua exposição pública e ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos” e “buscou chamar a atenção por conta de gestos e modos de se expressar”.

Eu ainda não acredito que Geisy foi expulsa porque usava roupas curtas. E porque, na cabeça dos responsáveis pela instituição, isso dava o direito à manifestação dos “apelos dos alunos”. Em todas as faculdades que eu já frequentei, mulheres de diferentes idades usam saias, vestidos e shorts bem acima dos joelhos. E daí? Só para lembrar, estamos no Brasil, país onde, felizmente, temos uma relação muito saudável com o corpo, e reforçando o óbvio, faz calor.

O que não dá para aceitar é o uso de argumentos frágeis para esconder o caráter machista da coisa, a violência contra a loira do vestido vermelho. E, por tabela, contra todas as mulheres. O 3xtrinta repudia a atitude da Uniban, que terá sua imagem manchada para sempre por conta do episódio, os selvagens que ao invés de estudar foram para os corredores gritar contra Geisy e qualquer um que ache que uma jovem de vestido curto dê o direito aos outros de se voltarem contra ela.

Isabela – A Divorciada

21 comentários:

Anônimo disse...

Infelizmente a faculdade Unibam aderiu o coro e gritou junto com os demais alunos: "Puta, puuu-taaaa..."

Um lixo de instituição.

Ass: Canalhus sem graça nenhuma.

8 de novembro de 2009 16:16
Nina disse...

Pois é! Eu estou BEGE com essa notícia. Chocada mesmo.
Para mim, o pior parágrafo da péssima justificativa da direção da UNIBAn para explusar a moça é esse:

"A atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar."

Chamar agressão de reação coletiva de defesa é demais para mim...

E quanto a esse trecho também indecente abaixo,
"flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade",
só posso dizer aos retrógrados da UNIBAN que como disse H. L. Mencken, a "Imoralidade é a moralidade daqueles que se estão a divertir mais do que nós."

8 de novembro de 2009 16:42
Lili disse...

Por isso que eu chamo a faculdade de uniBANDO DE TONTO!!!

Olívia

8 de novembro de 2009 16:53
Adriano Espíndola Cavalheiro disse...

Escrevi sobre essa assunto também em meu blog sobre o assunto.

A violência contra mulheres continua impune...

Um pequeno inventário dos casos mais divulgados:
22 de outubro, uma aluna da Universidade Bandeirante (Uniban), do campus de São Bernardo do Campo (SP), região do ABC, foi à aula com um vestido curto. Nada demais. Em pleno século 21 centenas de alunos a perseguiram pelos corredores como animais raivosos. Aos gritos de “Puta! Puta!”, a aluna foi expulsa pela universidade, sob a alegação de ter provocado as agressões e ameaças de estrupo que sofreu.

Outubro de 2008, o assassinato da jovem Eloá, por seu ex namorado, após ser mantida sob cárcere privado em Santo André (SP), comoveu o país.

Lucimar Rocha, 36 anos foi encontrada morta dentro de sua própria casa, no bairro do Jaraguá, em Belo Horizonte (MG). O marido dela também foi ferido, mas é o principal suspeito pelo crime.

Carla da Silva, 25, grávida de nove meses. Uma gestante foi na porta de sua casa, no bairro Sarandi, em Porto Alegre (RS), conversava com parentes quando um homem que passava pelo local sacou uma arma e disparou vários tiros, um deles atingindo o pulmão da gestante. O assassino conseguiu fugir.

Aparecida Socorro Chaves, 41, foi encontrada morta a pauladas em Esmeraldas, município da Grande Belo Horizonte (MG). Segundo a Polícia Militar, que encontrou o corpo em uma fazenda na zona rural do município, ela apresentava ferimentos profundos na cabeça, o que indicava que ela teria sido atacada com pedaços de pau e pedras, o marido da vítima, Armando Hermógenes da Silva, 68, é o principal suspeito do crime.

Ana Maria da Conceição, 15 anos, foi morta no Ceará, pelo namorado de 21 que, com ciúmes, invadiu sua casa. Ele matou com um tiro e, em seguida, tentou matar a mãe da garota, de 37 anos, e sua irmãzinha de 6.

Muitas mulheres em uma só dor, a da violência, vivenciada pela maioria das mulheres do mundo inteiro, majoritariamente no espaço doméstico. Algo que tem sido bastante banalizado e considerada algo menor, sem importância.

A machista direção da Uniban ratifica essas cifras...

8 de novembro de 2009 18:29
Andarilho disse...

No futuro, aposto que pra moça vai ter sido melhor mesmo se desvincular de uma faculdade tão deplorável assim.

Se eu fosse aluno desse pardieiro, já tinha pedido transferência.

Mas, como uma instituição é grandemente feita por aqueles que ali estão, só resta lamentar que o bando não teve educação decente em casa, e nem tem na faculdade.

8 de novembro de 2009 18:40
Giovana disse...

Pois é, sobre a atitude dos caras, uma boa suspensão e multa seria o mínimo - explusão sumária a melhor pedida.

Mas, como a tal instituição não deve ser lá muito séria, e (todos) os alunos que estudam lá sabem bem disso, nenhuma surpresa de terminar em pizza, certo?

Quantos carnezinhos a faculdade perderia pingando na sua conta no final do mês?

Aliás, o que esperar de uma faculdade estilo pagou-passou, certo? O que esperar de pessoas que escolhem estudar numa instituição de quinta e pagam caro por isso???

Pra completar: vítima e advogado fizeram aquela peregrinação básica pelos programas mais sensacionalistas da imprensa marrom, caras indignadas e lencinhos brancos enxugando lágrimas.

Quanto mais ouço falar deste assunto, mais cabreira fico com tudo - e com todos, meus camaradas.

beijos, Giovana

8 de novembro de 2009 19:53
Aninha disse...

Nossa... fiquei chocada...
pensei que a faculdade seria no minimo cuidadosa pra naum fazer uma idiotice, mas pelo visto naum estao preocupados...
tbm repudio essa ação....
é revoltante e ultrajante...
espero que ela processe a todos!!!

8 de novembro de 2009 20:30
Ricardo Suman disse...

Erro atrás de erro!!! Na globo:

MEC diz que 'quer saber se aluna teve direito à ampla defesa'

MEC afirma que pode ser iniciado processo de supervisão da Uniban.
Perda da autonomia, no entanto, depende do que for apurado.

Será apenas mais um erro.

9 de novembro de 2009 00:19
Sanzinha disse...

Também achei absurda a atitude. Ela mesma admitiu que exagerou, mas, exageros à parte, não era motivo para a desordem que criaram e para essas medidas extremas.
Absurdo total.

Ótima semana pra vcs!

9 de novembro de 2009 01:33
Patricia disse...

E depois dizem que o mundo não vai acabar. Claro que vai. Com essas atitutes medievais o apocalipse é agora.
Medo de criar minha filha nesse mundo.

9 de novembro de 2009 09:33
Paloma, a mãe disse...

Absurdo total, né? A Justiça tem que agir e os verdadeiros culpados devem ser punidos. O falso moralismo do brasileiro é irritante. E São Paulo (incluindo o ABC), por mais que se ache cosmopolita, é provinciana de dar dó (prontofalei).
Mas o que dizer, né, se até hoje os "médicos" da USP que mataram o estudante coreano na piscina da Atlética ainda não foram presos - e devem estar clinicando por aí.
Contem com o meu total repúdio!

9 de novembro de 2009 11:06
Paloma, a mãe disse...

Ah, tem uma reflexão legal sobre o caso aqui: http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2009/10/uniban-qual-e-sua-responsabilidade.html

9 de novembro de 2009 11:14
Anônimo disse...

Bela;Amei os posts sobre a loira da Uniban...Saudades da palavra respeito!!!Marta

9 de novembro de 2009 12:40
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Ainda que ela tenha se comportado "mal", ainda que ela tenha vestido roupa curtinha, ainda que ela tenha se pintado toda, ainda que ela tenha dado em cima do colega ou professor, ainda que ela fosse mesmo uma puta...e daí?

Que tipo de procedimento é esse o da Uniban?

Eu não entendi não...e o MEC, pelo visto, também não.

Debbie

9 de novembro de 2009 12:51
falandosobretudo disse...

Atitude incoerente, hipócrita da Uniban!

Se a menina tava usando vestido curto, a escolha era dela. Se isso causa uma exposição, era a imagem dela! Se são valores dela, não cabem a mais ninguém.

O fato é que não há justificativa para a violência com que agiram os estudantes da universidade!

E qq ato de violência é repugnante, não interessa a causa!

9 de novembro de 2009 13:06
Vera disse...

“ Nós, mulheres de + de 60, estamos indignadas!”
" Estou pasma ! Acaso os princípios éticos,a dignidade acadêmica e a moralidade estarão sendo representados pela diretoria da Faculdade que, ao expulsar a aluna,justifica o comportamento de "grupo" (sempre perigoso e covarde contra uma só pessoa) que foi ofensivo e preconceituoso? Estarão os diretores desta escola e as meninas que participaram da atitude grupal, preparados para o que virá a seguir? Não percebem que dizer que uma mulher provocou e mereceu uma atitude grupal de chacota, ofensas e ameaça de estupro é “coisa de um passado” onde este ato criminoso era justificado? O que farão os dirigentes desta faculdade se amanhã, em suas dependências ou proximidade, atos covardes contra mulheres forem considerados, de antemão justificados, por quem os queira cometer?”
“ Gente, as mulheres de minha geração e as que já morreram, como minha mãe, estão ( ou deveriam estar) indignadas, pela atitude de desrespeito a nós, e à geração ainda anterior, que sofreu com o preconceito e machismo criminoso, lutou bravamente para sobreviver e para conquistar, passo a passo, o direito ao tratamento igualmente digno, a ambos os sexos! A luta foi árdua, lenta, sofrida, para deixarmos para sua geração, como herança, a colheita de nossos esforços.”
“ E não cabe aqui julgar se a moça “provocou” ou não.Ela, com sua atitude individual, poderia ter provocado atitudes individuais, de acordo com o caráter de cada um que se envolvesse. Não estou aqui tentando dizer que posso entrar nua numa igreja ou escola, evidentemente, pois é sabido que temos que respeitar as regras de cada local e instituição ( até que, possamos muda-las, usando o bom senso, se for o caso, quando as julgarmos injustas!). Entretanto, é inconcebível que a diretoria da Faculdade queira justificar o comportamento brutal de grupo, sem pensar nas conseqüências! Se queriam punir a garota, deveriam faze-lo apenas baseados no fato desta ter infringido suas regras, que deveriam ser bem claras a respeito do assunto. Igualmente teriam que punir o comportamento do grupo, que deve ter infringido alguma norma da Faculdade... ou não? Será que este comportamento é aceito como normal e corriqueiro? Na minha opinião, JAMAIS a diretoria poderia JUSTIFICAR aquele comportamento grupal.”
“ E, para as meninas que participaram deste momento, um recado : ACORDEM ! um erro não justifica o outro- ainda é tempo de voltarem atrás e reconhecerem que extrapolaram os limites e estão colocando em risco a herança que quisemos deixar p/ sua geração. Tomem uma atitude digna perante a diretoria e retratem-se, e exijam que eles também o façam, admitindo que a atitude isolada da moça, NUNCA poderia justificar a atitude preconceituosa que sofreu. Lembrem-se que as mulheres, antigamente, eram apedrejadas ou queimadas vivas! E já que falaram em punição( desculpe usar a palavra), mas, vocês acham que ficarão impunes ao que isto representa? O que vocês estão criando( sem nenhum sacrifício e responsabilidade) para deixarem para suas filhas, amanhã? Já pensaram nisto?”
“ Percebo claramente agora, que a luta ainda não terminou. Precisamos ainda nos unir, não contra os homens, mas contra o preconceito e martirização da mulher, e nos dar as mãos, para construirmos uma sociedade mais digna, justa e terna !”
Abraço, Vera.

9 de novembro de 2009 15:03
monisetonoli disse...

Já fiz questão de assinar o repudio à Uniban: http://bit.ly/2uLucQ.

9 de novembro de 2009 15:32
Anônimo disse...

Geeeeeeeeeeente, o resumo do caso é o de que a vítima é que foi punida com a expulsão!!!??? E os seus agressores com uma suspensão!!! E onde se deu tal evento? No centro economico, cultural e financeiro do país. Não foi nas regiões mais atrasadas e pobres, pelo contrário. Estamos mesmo no século XXI?

Marcia A.

9 de novembro de 2009 17:18
Catia disse...

Concordo com a Patrícia quando diz que tem medo de deixar um mundo igual a esse para sua filha. Pensei que nunca veria uma notícia como essa em pleno século XXI. Os alunos agressores da Uniban será que frequentam o curso de nazismo? Totalmente lamentável... Espero que o MEC faça alguma coisa contra essa faculdade retrógrada que é conivente com atitudes dignas da Idade Média.

10 de novembro de 2009 01:35
falandosobretudo disse...

Gente, não é Uniban, é UniTaliban, rs!
E estão providenciando os novos uniformes-burcas para as alunas, rs!
Tudo bem, fora a piadinha que escutei ontem, rs..... o fato é que agora a universidade está voltando atrás!
Previsível! Um tanto ridículo! Será que ela vai querer voltar a estudar lá?
Ai, ai, ai, sem mais comentários!

10 de novembro de 2009 10:12
Alice disse...

Paloma, generalizando e comparando Sp com a Uniban, infeliz comentário. Engraçado é qdo eu escuto a culpa é do Brasil e quem faz o Brasil? Vc, eu o vizinho..

11 de novembro de 2009 17:34