sexta-feira, 11 de maio de 2012

Nossos pais estão morrendo

Quem tem mais de 30 já percebeu: nossos pais estão morrendo. Não o meu ou o seu especificamente. Os pais da nossa geração. Em dezembro, fui ao velório do pai de um amigo. Eu não o conheci, mas é sempre triste e tocante ir a um velório segurar a mão de um amigo. Você fica imaginando como foi aquela relação, como era a vida daquela pessoa que partiu. Hoje, vou abraçar uma amiga muito querida, mas de quem me afastei faz uns anos. É minha xará, minha primeira amiga no jornalismo. O pai dela faleceu ontem. Só o conheci de vista. Sei que essas últimas semanas foram um sofrimento para ela e para a família. Não há nada mais difícil de lidar do que com a morte. Nada. Separação chega perto. E é sempre um pouco constrangedor ir a um velório de alguém que você sequer conheceu, mas que é parente de alguém que você adora. A gente não sabe o que dizer. Eu só faço abraçar.

Em setembro, meu pai teve um troço e foi parar no hospital. Lá, eu e minha irmã mais nova ouvimos do médico que ele teria poucos meses de vida normal. Que em seis meses ele estaria usando balão de oxigênio e que, dali em diante, as coisas piorariam. Já se passaram oito meses e, apesar de evidentemente mais cansado e mais envelhecido, meu pai continua tocando a vida normalmente. De forma até mais estressante do que deveria. Cada vez que o pai ou mãe de um amigo morre eu penso que esse dia impreterivelmente vai chegar - a não ser que por obra do destino eu me vá antes. Pensar na finitude daqueles que me deram a vida dói, assusta e angustia. Mas me faz querer ter momentos de pura paz e felicidade quando estou com eles.

Débora - A Divorciada

6 comentários:

Carol disse...

Nossa, estava pensando isso, acredita?

Ontem estive com um amigo que contou como foi crescer sem os pais. Ele perdeu o pai quando tinha 10 anos e aos 15 perdeu a mãe.
Coisa mais triste. Só de imaginar, bate maior angústia.

A morte assusta. Muito.
Mas bora aproveitar a existência.

Beijo

11 de maio de 2012 16:30
Vanessa disse...

Eu não queria, mas tenho pensado muito nisso também. Eu sou a caçula, raspa do tacho, e me sinto até meio injustiçada porque sei que terei meus pais por menos anos que meus irmãos. E, como estou sozinha já há alguns anos, a iminência da morte dos meus pais traz também um medo absurdo daquela solidão aterradora, de não ter mais no mundo alguém que te ame acima de qualquer coisa. Enfim... Não há nada que possa ser feito. Também quero apenas aproveitar os momentos com eles da melhor forma possível. Beijos.

11 de maio de 2012 18:19
Giselle Mota disse...

Eh um processo natural, mas tao dolorido que prefiro nem imaginar como sera...

11 de maio de 2012 20:00
Bruna Angeli disse...

Perdi meu pai quando tinha apenas 1 ano e 8 meses, na adolescência sofria e as vezes sem saber por que...Em 1999 descobrimos um Câncer benigno de gargante na minha mãe, e foi operada. Em 2009 operou por duas vezes, e depois teve que usar sonda enteral, sua única via de alimentação...em julho de 2011 caiu e quebrou o fémur e nunca recuperou pela dificuldade da fisioterapia pois sentia muita falta de ar... e hoje vivo a morte dela todos os dias a cada crise de falta de ar...dói e muitooo..e pior saber que os outros irmãos pouco fazem em todos os sentidos... :(
É realmente angustiante...

11 de maio de 2012 21:57
Evelin disse...

Em um enterro tenho a sensação de que a vida não é nada, tanta vivência para terminar debaixo da terra? O que seria de nós se não existe as nossas crenças!

bjos

Evelin

13 de maio de 2012 11:02
Andarilho disse...

Eu sou egoísta e torço pra eu morrer antes.

30 de maio de 2012 15:16