terça-feira, 21 de outubro de 2008

O divórcio: a perseguição continua

Amigas Solteira e Casada: depois de enfrentar bravamente todas as inconveniências das séries "quando vocês vão casar?" e "quando vocês vão ter filhos?", devo dizer que, infelizmente, as perguntas apenas mudam quando a gente troca de estado civil. E que o divórcio não poupa ninguém da bisbilhotice alheia. Muito pelo contrário. Por mais que você tente ser fina e passar o assunto adiante, sempre vai ter alguém disposto a organizar um seminário de pesquisa sobre as causas da sua separação. E isso inclui desde a sua tia predileta ao taxista gente boa que costumava levar você e o seu ex para o aeroporto.

A primeira (e mais mala) das perguntas: "mas o que foi que aconteceu?" No meu caso, a resposta padrão que resolvi adotar foi simplesmente "não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe". Até porque eu não sabia mesmo. Ou alguém tem alguma explicação racional para a atitude de um homem que, meia hora depois de entrar em casa com um bem-casado (essa é a melhor parte), uma garrafa de vinho e uma tábua de frios nas mãos, sai carregando uma mala para nunca mais voltar? E que, um dia antes, me disse, como dizia sempre, que me amava? Não, nem Nelson Rodrigues seria capaz de explicar o meu ex. Para mim, naquela hora, o mais importante era a sensação de que, em meio ao caos, alguma coisa fazia sentido. Estava tudo pelo avesso, mas, ali, eu me encontrei comigo. E disse para mim mesma que aquela separação me faria muito bem. Me faria ser melhor do que eu era. E assim foi. Mas sobre isso eu ainda vou falar (e muito) depois.

Passemos para a pergunta inconveniente número dois, feita normalmente pelas pessoas que já sabem que você se separou. E, claro, já te interrogaram sobre o que aconteceu. "E aí, você está bem, bem mesmo, se sente melhorzinha?" Resposta adotada: "nunca estive melhor. Pela primeira vez na vida consegui levar um regime a sério, nunca cuidei tão bem do meu humor, nunca mais fiquei em casa num sábado à noite. É ótimo fazer do meu tempo o que eu bem entendo, sem ter que negociar nada com ninguém. E tem mais: o mundo é muito grande para eu ficar pensando em gente pequena". A resposta que eu quis dar, mas me controlei para não ser chata com ninguém, afinal, o bom humor é para mim uma filosofia de vida: "não, estou péssima. Meu próximo passo, inclusive, é me jogar do nono andar. Fui educada segundo os preceitos de que o casamento é um laço sagrado indissolúvel, além do fato de que uma mulher é nada sem um homem do lado".

Enfim amigas, as perguntas passam e a gente continua. O importante é se divertir. E isso dá para fazer na solterice, no casamento e no divórcio. Palavra de quem já chegou lá, hahaha!!!!

A Divorciada

3 comentários:

Breno disse...

É isso aí, Nora Helmer!!! Parabéns pelo blog!!

21 de outubro de 2008 15:14
Alynne disse...

Amei amiga... vc bem sabe que já passei pelos três estágios: solteira, casada, divorciada e... casada novamente! rsrsrs. Definitivamente as perguntas nunca calam, é natural do ser humano querer saber!
Agora o blog vai ajudá-las a viver, reviver, antecipar, rir e/ou chorar de todas as históras postadas por vcs. Adorei, parabéns!

22 de outubro de 2008 16:37
Vivi disse...

adorei, adorei
você devia escrever mais, muito mais

22 de outubro de 2008 22:02