sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ao maestro, com carinho


O João Carlos Martins não me conhece.
E eu não entendo patavinas de música clássica.
Mal sei diferenciar um instrumento de sopro de outro.
E não consigo entender como funciona a interação maestro-orquestra.

Ainda assim, sou sua discípula.

Admiro, demais, o pianista e maestro. Não só pela sua história de
superação – ele diz que é teimosia – como por sua generosidade. Os
movimentos de suas ágeis mãos foram lhe traindo ao longo da vida, ora era
acidente no futebol, ora era L.E.R. e até uma pancada na cabeça durante um
assalto (leiam essa entrevista feita na ISTOÉ no ano passado). Ainda assim,
ele foi descobrindo maneiras de lidar com a dor e as limitações e, mesmo com
as mãos recolhidas, é capaz de reger orquestra e tocar música ou outra ao
piano.

Mais que suas capacidades técnicas, admiro seu sorriso, seu acolhimento e
sua bondade. Poucos músicos clássicos entendem que nem todo mundo entende de
música clássica. Ele sabe disso e ajuda sua audiência. Cita nomes de
compositores, dá créditos, mostra a hora certa de bater palma. Recupera um
maestro de 86 anos já esquecido e o coloca para reger uma menina de 13 anos,
uma revelação lírica. Coloca em uma mesma apresentação Mozart, Bach,
Adoniran Barbosa, Vila Lobos e o novo compositor do momento. Leva seus
meninos e meninas da sua Fundação Bachiana e da Orquestra Filarmônica
Bachiana de São Paulo para tocar no Lincoln Center, em Nova York. Leva o
samba para o palco. Abraça causas, abraça gente, abraça a música.

Existe o lado sombrio de sua trajetória de 71 anos. Ele chegou a ser condenado à prisão
por ter feito Caixa 2 para a campanha do Maluf, coisa que até hoje ele se
lamenta e se vê obrigado a se explicar.

Mas, honestamente, isso não reduz minha admiração por ele. Ele é honesto com
sua trajetória, com sua história e até com seus tropeços. Demasiado humano.

Ele costuma resumir toda sua incrível história dizendo que “A música
venceu” – tema da Vai Vai desse ano, que o homenageou e também venceu.

A vitória, na verdade, é a de um homem. Que mais que um maestro, é um
mestre. Que inspira muita gente e que fez eu, o primão e centenas de pessoas
chorarem na última terça, na última apresentação do ano da sua orquestra.

Obrigada, maestro.

Débora – A Divorciada

7 comentários:

Carol disse...

Mais um ponto pra ele: Tocou Evidências, com Xororó e Chitão. Rsrs.

Eu assisti uma apresentação dele com os meninos da Fundação, tb não entendo muito, mas achei linndiuu. É emocionante.

Beijo

25 de novembro de 2011 10:27
Olívia disse...

Me fez chorar de novo =D

Lindo o texto e acho que ele merece ler... =D

Foi lindo vê-lo na terça-feira... me renovou antes mesmo do ano novo hehe

Bjs primaaa

25 de novembro de 2011 13:02
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Que post lindo!!!

Concordo!!!

Também admiro demais o maestro.

Beijos, beijos,

Bela - A Casada

25 de novembro de 2011 13:16
Leila Nobre disse...

Eu tbm não entendo nda de música clássica, mas admiro muito a sua história de vida! Ele tem um brilho nos olhos que me cativa e me faz ficar encantada assistindo toda e qualquer entrevista que ele esteja dando.

Muitas palmas para o mestre \o/

Abraços

http://fortalezanobre.blogspot.com

25 de novembro de 2011 14:42
Anônimo disse...

É maravilhoso, continue conosco por muito tempo maestro.
Obrigada,
Beliza

25 de novembro de 2011 15:18
Marta Melo disse...

Sabe admiro pessoas que superam problemas e que aproveitam a chance para se superarem tb (para torna-se melhor).Acho que a força e alegria que esse maestro transmite o fez vencer esses obstáculos e ser exemplo e inspiração para todos aqueles que carregam a vontade de vencer.Espero um dia poder me emocionar vendo-o se apresentar.Lindo texto!

25 de novembro de 2011 20:39
Evelin disse...

Admiro o maestro. Admiro que vive de música clássica. Adoro música clássica. Cada dia procuro saber mais sobre esse universo grande e lindo. E, Bach, sempre me faz chorar...

Legal o texto.
Beijos

Evelin

26 de novembro de 2011 11:21