terça-feira, 20 de janeiro de 2009

As mulheres que eu penso que teria sido



Se eu tivesse nascido...

...no Egito Antigo, teria sido RP da Cléo(patra)

...na Grécia Antiga, teria sido uma ninfa

...na Roma Antiga, teria sido amiga de Maria Madalena

...na Idade Média, teria sido bruxa e morrido queimada

...no Renascimento, teria sido uma atriz rechonchuda que teria posado para Botticelli

...no Iluminismo, teria sido a secretária de Adam Smith e anotado suas idéias para A Riqueza das Nações

...na Revolução Industrial, teria sido uma operária agitadora contra as péssimas condições de trabalho

...no começo do século XX, teria sido uma comunista maleta e feminista. Ou o oposto: uma dançarina de cabaré

...nos anos 50, teria sido uma menina que sonhava com os Beatles e que teria se recusado a casar

Mas como eu nasci em 1979, vim ao mundo com a liberdade pela qual as mulheres que vieram antes de mim tanto lutaram. Moças da minha geração não conseguem entender, por exemplo, porque Leila Diniz causou tanto furor com seu barrigão na praia – como já escreveu a amiga Divorciada. Simplesmente não faz sentido. Claro que o mundo ainda deve muito às mulheres. Temos muito pelo que brigar. Mas nem se compara a vida que temos hoje com a que nossas avós tiveram.

Eu nasci no final da ditadura, sou filha de pai-preso-político. Por causa desse histórico e de mais alguns "defeitos" de criação, virei uma "discursadora". Sou mister em defender o amor livre, a opção sexual, em desconfiar da monogamia extrema e em condenar o modelo de casamento que nossos pais nos deixaram.

Mas na real, na real meeesmo – apesar de toda a liberdade que me cabe - sou é uma pacata cidadã, respeitada que ganha 4 mil cruzeiros por mês. Esposa dedicada, dona de casa exemplar, lavo louça, faço comidinha, faço supermercado duas vezes por semana. Gosto de tudo limpinho (descobri até que tenho TOC). E a-do-ro essa vida!

Por que eu acho que teria sido essas mulheres todas aí acima se, hoje, nesse mundo solto que Deus me deu (na verdade, que as mulheres me deram), sou mesmo é uma mulherzinha de trinta para lá de comum?

Será que, no fundo, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais?

A Casada - fazendo do blog o seu divã

PS: na foto acima, o trio do 3x30 em sua versão renascentista!

10 comentários:

3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Amiga Casada,

Na infância, em Maceió, eu fui a menina que falava para as outras crianças pararem de chorar por brinquedos.

Na adolescência, a feminista da sétima série.

Aos 20, a namorada que dizia ao namorado que não ia mudar o nome de solteira quando casasse.

Aos 28, a mulher que não fazia café para o marido. E que se recusava a largar tudo para ir morar na roça com ele.

Aos 30, a Divorciada alegre. O resto vc já sabe, hahaha!!!

Adorei o post.

Beijos,

A Divorciada

20 de janeiro de 2009 23:32
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Uau, adorei as formas rotundas. Até porque elas não fogem muito da realidade desta solteira de sangue carcamano. Ha ha ha... Gostei da brincadeira! Quem teria sido em diferentes épocas. Beijos,

The single one

21 de janeiro de 2009 09:59
mulherpolvo disse...

aCOREDEI HJ BRIGANDO COM MINHA MÃE.
E eu disse: " sabe o que é pior? saber que estou ficando igualzinha a vc"
Não somos os mesmos, mas somos, sim, os mesmos.
Ser mulherzinha é uma delícia, se com conciência e por opção momentânea.
Acho que nossas filhas (boa parte da geração do 3° milenio) serão educadas de forma mais verdadeira...
Vejo que, quanto mais a pessoa é fiel a si, mais consegue contribuir para uma humanidade sadia, livre das escravidões atuais, ou seja, outro post.
ADOREI!!!!!!

21 de janeiro de 2009 10:45
Paula disse...

amei o post, meninas. Sempre falo que, se eu tivesse nascido no início do século, seria uma prostituta com certeza! hehehe! não pelo ato em si, mas pela "liberdade" de não ter obrigada à casar por imposição.
post inspirador!!!!

21 de janeiro de 2009 14:00
Anônimo disse...

SABIA!!!

21 de janeiro de 2009 14:07
Vi disse...

Resolvi comentar neste porque é o mais recente, mas tenho a impressão que li todos os textos que vcs colocaram aqui...

Como sei que é interessante saber o perfil dos leitores, lá vai... Sou solteira, vintona e estou me formando e achei o blog muito bom, vcs são leves, fiz um blog para srvir de divã, nem o divulgo mas eu que costumava achar meus textos descolados começo a achar que minhas filosofic(ss)es podem cansar... rs

Parabens!

besos

23 de janeiro de 2009 00:41
Arara de Haia disse...

Gente, não sou muito de me manifestar na net, apesar de freqüentar com assiduidade um bocado de blogs. Mas esse aqui eu não podia perder. Pra começar também nasci em 1979 e, pra vc ter uma idéia da influência da Leila Diniz, fui batizada com o nome de sua filha. É verdade que, em face disso tudo e por ser uma aquariana, durante muito tempo achei que seria revolucionária, e acho que até fui um pouco, ao menos durante a adolescência. Mas às vezes me espanto com a vida pacata que levo, e me espanto mais ainda com a satisfação que isso me dá. Nunca pensei que eu fosse cultivar orquídeas e caducar com cada galhinho novo que brota. Que ia fazer comidinhas pra meu marido e deixar de fazer (espontaneamente) altos programas pra ficar com meus filhos. Talvez isso seja uma forma nova de ser livre. Se entendermos como "ser livre" como aquele viver orientado pela busca da paz espiritual, sem compromisso de romper com nada nem de provar nada para ninguém. Principalmente se levarmos em conta que de nada adianta queimar sutiãs, sem se livrar dos preconceitos e temores que assombram nossas cabeças, não é mesmo.
Valeu, beijim

23 de janeiro de 2009 18:03
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Paula,

esse post nasceu justamente de uma conversa que eu estava tendo com um amigo meu. Estávamos falando sobre as nossas avós e aí eu disse: cruz, credo! se tivesse nascido naquela época, seria puta com certeza!!! Daí eu comecei a pensar porque disse isso e pari isso aí, rsrs.

Arara de Haia, que lindo!!

Acho que vc respondeu a minha pergunta. É isso mesmo: optar por ter essa vida pacata, com direito a cultivar orquídeas, cuidar do marido, cuidar da casa e afins, é ser livre! Afinal, foi uma opção e não uma imposição.

Mas como convivemos com muitas mulheres que praticamente foram obrigadas a viver desse jeito - ou que ao menos não tiveram muita escolha - ficamos sempre com aquela sensação de que essa vida é "menor" ou "uma prisão". Ficou essa "herança" impregnada dentro da gente.

Acho que a Mulher Polvo tem razão. Talvez as próximas gerações de mulheres - as meninas de hoje -já não carreguem mais esse sentimento.

Manter a liberdade individual estando junto de alguém que amo é, para mim, o ponto de equilíbrio.

Aplausos, Arara, arrasou com seu comentário :-)

23 de janeiro de 2009 19:12
Vocês, Mulheres !? disse...

Adorei esse post...

Vc conseguiu mostrar o quanto os nossos ideiais são passíveis de mudança, e isso não demonstra que vc é fraca ou coisa parecida e sim o quanto não devemos nos preocupar em traçar metas longínquas porque o que vale mesmo é se estamos feliz vivendo da forma que vivemos o hj, se estamos realizados(as)sem se preocupar em agradar ninguém a não ser seu a si próprio

ViVa FeLiZ!!!
VM

26 de janeiro de 2009 23:25
Alexandre Reis disse...

Olha essa definição histórica do que vc queria ser no passado está simplesmente bela, eu acho que você está chegando à conclusão de que o mundo mudou e de que somos apenas o que os nossos pais não queriam que fôssemos. Mas, enfim eu sou assim também suuuper de casa, tento ser diferente mas acabo meio gato mesmo. E aí complica, pois quando eu quero ser mais danado, eu acabo percebendo que o bom mesmo é ficar calmo se ele não vem rápido.

28 de janeiro de 2009 19:45