sábado, 10 de janeiro de 2009

Mulheres que amamos amar: Leila Diniz


Eu sempre quis saber mais sobre Leila Diniz. Mais do que todo mundo sabe: que ela foi um marco da liberação da mulher no Brasil porque falava palavrão, ficava com os homens que bem entendia e foi a primeira grávida a mostrar a barriga na praia (sinceramente, nunca vou conseguir entender como isso possa ter sido um escândalo, mas tudo bem). Foi quando ganhei de presente, da minha amiga Casada, o livro Leila Diniz – Uma revolução na praia, de Joaquim Ferreira dos Santos. Super recomendo a leitura e divido com vocês algumas razões pelas quais essa atriz de Niterói se tornou uma grande inspiração para mim.


Professora de uma escola para crianças na década de 1960, Leila admitiu, em sua turma, uma menina com síndrome de Down. Alegando pressões das outras mães, a diretora do colégio pediu que a menina fosse desligada do grupo. Diante do preconceito, Leila pediu demissão. E deixou a instituição ela também.
Era a rainha das tiradas deliciosas. Como essa aqui, dita depois de falar “caralho” na frente de Yoná Magalhães (e, claro, espantar a amiga, já que mulheres não falavam palavrão naquela época): “Você sabe o que é Yoná, só não está ligando o nome à pessoa”. Morro de rir imaginando a cara da Yoná Magalhães depois dessa...
Teve todos os romances que quis ter, sem nunca negar o próprio desejo. “Quebro a cara a toda hora, mas só me arrependo das coisas que não fiz, do que deixei de fazer por preconceito ou neurose”.
Disse, em sua mais famosa entrevista, ao Pasquim, que para ela amar e ir para a cama não necessariamente eram a mesma coisa. “Eu acho bacana ir para a cama. Eu gosto muito, desde que dê aquela coisa de olho e pele. (...) Você pode amar muito uma pessoa e ir para a cama com outra”.
Teve um affair com aquele gaaaaaaaaaato do Tarso de Castro, diretor do Pasquim, pouco depois da tal entrevista. Cubra-se de glórias por isso, Leila. Arrasou.
Como todas nós (todos, melhor dizendo, que nós também somos lidas por meninos), era forte, mas não de aço. E desmoronou no dia em que uma senhora olhou para a sua barriga de fora em Ipanema e a chamou de “vagabunda”. Naquela ocasião, ela entrou no atual Garota de Ipanema, ex-bar Veloso, e chorou muito por causa do preconceito.
Nas conversas com outras mulheres, sempre surpreendia pela leveza com que via as coisas e pela capacidade de olhar para a frente. Certa vez, num diálogo com Irene Ravache, que havia acabado de se separar, mandou o seguinte conselho: “Pára com esse número de infelicidade, seja você mesma e reconheça. Ficamos melhor com a separação”. Não é perfeito?


Grandes lições. De Leila Diniz para mim. Para nós.


Um beijo,


A Divorciada

11 comentários:

3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Pôxa, fiquei com vontade de ler esse livro. E com vontade de dar uns tapas na velhota que ofendeu a musa de maneira tão desleal. Mas, o que é o tempo: a musa ficou, e bruxa já deve ter virado pó há muito tempo.

beijos, amei o post!

A Solteira

10 de janeiro de 2009 12:08
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Hei, Dirvorced Girl, eu te dei esse livro de presente para vc me emprestar depois! hahaha

Adorei essas histórias!!

E lembrando que esse post marca o início da série "Mulheres que amamos amar". Muitas outras ainda virão :-)

beijossss

A Casada

10 de janeiro de 2009 16:37
mulherpolvo disse...

MUITO OBRIGADA!!!!

Hj em particular estou arrasada por causa desse tipo de preconceito (ainda existe!!)Foi bastante "terapêutico" ler este post e me lembrar de como e gostoso ser verdadeira e leal aos próprios sentimentos. E sempre haverá uma velhota recalcada e neurótica tentando transferir suas dores para cima de nós.
Como Já dizia Rita Lee, "toda mulher é meio Leila Diniz".
Que todas nós possamos despertar a Leila que mora dentro de cada uma de nós!!!

beijos!

10 de janeiro de 2009 18:52
Anônimo disse...

Gente, tem um filme biográfico sobre ela chamado...Leila Diniz, com a Louise Cardoso que pode acrescentar sobre a história dela. E pensar que ela morreu com apenas 27 anos...Em tão pouco tempo marcou tanto, né?
Um boa lembrança prá iniciar os trabalhos de 2009!
Abração,

Marcia A.

10 de janeiro de 2009 23:25
Fabíola Melo disse...

Ignorância. As pessoas temem o que desconhecem.

Acomodação. As pessoas preferem continuar a não entender o que desconhecem.

Disse-que-disse. As pessoas GOSTAM de dar opiniões cretinas sobre o que não conhecem.


Acho que todos nos deparamos eventualmente com situações semelhantes.

Pra mim, a solução é cultura NELES!!! E acreditar sempre no nosso taco!!

Bjo e ótimo 2009.

11 de janeiro de 2009 13:00
Anônimo disse...

Adorei mocinha, realmente Leila é um exemplo para todos, canalhas solteiros, canalhas casados, canalhas divorciados e mulheres em geral, principalmente pela sexualidade bem resolvida, realmente um exemplo.

Dá-lhe mulherada descontrolada!!!

Canalhus Forever (Chefe do fã clube Jesse Valadão)

11 de janeiro de 2009 14:11
Vaninha® disse...

Eu amo Leila Diniz...
Boa semana!!!!!!!!!

11 de janeiro de 2009 20:23
Paula disse...

opa!!
primeiro, obrigado pelo comentário no blog. tb adoooro isso aqui! hehehe! tou com quase 30 e solteira. rs

depois, quero dizer q adorei o post e já fiquei curiosa sobre Leila Diniz.

Me diga uma coisa, vc já leu sobre Chiquinha Gonzaga? Ela era mais ou menos uma Leila Diniz do começo do século!!! O livro é de Dalva Lazaroni: "Sofri, Chorei e tive muito amor!", ed. Nova Fronteira

12 de janeiro de 2009 09:30
Paula disse...

oi gente!! mt obrigado!!
olha, eu vou escrever o post sobre a Chiquinha sim!! O mais rápido possivel!! Obrigado!!
bjs

14 de janeiro de 2009 14:19
Paula disse...

Mandei meu texto por email!!
bjs

14 de janeiro de 2009 15:45
bruna disse...

esse filme é realmente incrivel, viciante, já li e quero ler várias e várias vezes.

beijos.

28 de junho de 2009 16:52