quinta-feira, 4 de março de 2010

Capital marital

Outro dia eu entrevistei a antropóloga Mirian Goldenberg para uma matéria que estou fazendo. Entre suas muito teorias sobre mulheres, homens e sexo, ela me contou uma tese que foi elaborada após uma pesquisa feita com alemãs e brasileiras na faixa dos 50 anos. A primeira grande diferença que ela notou foi o alto valor que as brasileiras dessa faixa etária dão ao corpo. Se lamentam muito porque não são mais chamadas de “gostosa” nas ruas. Sentem-se invisíveis. Já as alemãs se sentem plenas e realizadas nessa fase da vida. Valorizam suas realizações profissionais, afetivas, intelectuais e culturais. Acham meio infantil querer ser sexy como uma menina aos 50.

Mirian concluiu que, no Brasil, o corpo é um dos capitais mais valorizados pelas mulheres.

Outro ponto que chamou a atenção dela durante a pesquisa foi o valor dado ao marido pelas brasileiras casadas. E pelas não-casadas também – que lamentaram o fato de não terem marido. “A partir dos depoimentos das minhas pesquisadas, constatei a existência de uma riqueza extremamente valiosa para as brasileiras: o marido. Ter um marido, um casamento considerado sólido e satisfatório, é considerado um verdadeiro capital para as brasileiras pesquisadas”, explica Mirian.

Mirian deu a isso o nome de “capital maridal” ou, mais elegante, “marital”.

“Uma mulher pode ser extremamente bem sucedida profissionalmente, ganhar R$ 40 mil por mês, ter viajado o mundo e ter feito tudo o que quis. Mas se ela não tem um parceiro, e de preferência um marido, ela é vista como uma coitadinha. E, no geral, se sente como tal”, disse ela. “Uma mulher solteira no Brasil mal se atreve ir a um cinema num sábado à noite”.

Soa como exagero, mas me parece verdadeiro. Nesses meus meses de solteirice, percebi olhares piedosos e recebi e-mails de gente confiando que eu certamente encontrarei "alguém" logo!

Quando leio ou ouço isso, sempre penso: será que em vez de “alguém” não pode ser um amor mesmo?

Capital por capital, fico com o “capital amoroso”.

Débora – A Descasada

14 comentários:

Paloma, a mãe disse...

Graças a deus há mulheres de todo o tipo e eu conheço algumas na faixa dos 50 e 60 que não estão nem aí pra isso. Já tiveram maridos, filhos etc. E agora querem (e estão fazendo)) curtir a vida, viajar, sair com amigos, ter vida cultural e intelectual ativa, namorar sem compromisso, cuidar e investir em si. Admiro muito!

4 de março de 2010 10:10
Madame disse...

Tem mulher que fica num desespero por um companheiro que so arruma lixo.
Antes so que mal acompanhada.
Concordo com as pesquisas,minha sogra vive querendo provar pra si que nao ta ficando velha.
É a vida...
bjk

4 de março de 2010 11:03
SAL disse...

"existência de uma riqueza extremamente valiosa para as brasileiras: o marido. Ter um marido, um casamento considerado sólido e satisfatório, é considerado um verdadeiro capital"
...
e "Uma mulher solteira no Brasil mal se atreve ir a um cinema num sábado à noite”.


Isso me remete muito a fragmentos de emails em 14 de outubro de 2009: "A conveniência, a carencia, a convenção e idéia vazada de 'envelher juntos' é dominante na maioria das relações! E assim vivem a maioria das mulheres casadas (pelo menos, as que conheço!) cheias de si quando entram de mãos dadas com o marido em um restaurante, mostrando-o como um troféu! Muitas vezes, ao sentar na mesa eles mal se olham... E eu penso como elas vão dormir sem beijo nem na testa e com tamanha hipocrisia?? Outras são tão adeptas ao comodismo (típica mulher do Zé) que sequer percebem que não tem mais marido e sim dividem a vida com um grande amigo, irmão e companheiro! Mulheres assim são "auto-egoistas" e não se permitem viver além do que manda o figurino!!"


Bjooooo

4 de março de 2010 11:06
Transitório disse...

Achei interessantíssimo! As diferenças de cultura realmente são gritantes!Ainda mais hoje em dia em que "relacionamento" se tornou um subproduto barato, adiquirido com "facilidade" em qualquer esquina, mas com pouca qualidade.
Enfim!
Parabéns pelo artigo.

4 de março de 2010 13:00
Alicinha disse...

Nossa, belo texto! Concordo com tudo!

4 de março de 2010 13:57
Andarilho disse...

Ah, mas amor geralmente é por alguém. Pelo menos é isso que todo mundo diz.

Afinal, se apaixonar por uma profissão ou por uma atividade não conta. Ou não. ;)

4 de março de 2010 14:01
Silvinha - a de sempre disse...

Bom isso é verdade, mais eu acho que a vida não precisa ser necessariamente assim!
Mesmo porque, marido a gente arruma em qualquer esquina, mais homem de verdade, que vai fazer a gnt feliz é outros quinhentos...
A mulherada vai envelhecendo e ficando desesperada, como se o tempo estivesse passando a perna nela, o que não é verdade!

Concordo com vc Dé: um amor é melhor do que qualquer marido!

Mais uma vez Parabéns pelo texto!

bjão

4 de março de 2010 14:46
Ricardo Bueno Suman disse...

Excelente e realista post. Tento ser o mais moderno possível, juro que me esforço, mas faço parte da sociedade que empurra "quando casa?", "quando terá filho?". E tb as vezes caio pensando, "será q ela pode ser feliz sozinha mesmo?"

ÓBvio que pode, oras!!! Mas é difícil lutar contra tudo que foi imposto pelas informações que recebemos desde pequenos

4 de março de 2010 14:59
mulherpolvo disse...

Eu me sinto sozinha. Queria um amor, mais que um marido. Porque marido, isto eu já tive. Duas vezes...
Agora eu quero mais é ser eu mesma, fazer exatamente o que eu quero e do jeito que acho melhor. Um amor, qualquer dia chega.

4 de março de 2010 15:15
As primas disse...

Meu, as pessoas realmente pilham a nossa cabeça com prazos...isso é detestável!

Quando a gente namora "querem" que a gente case. Quando a gente casa, "querem" que a gente tenha filho, e quando tem "querem" que logo venha o segundo.

PRESSÃO não leva a nada...e mulherada: não se enganem nÃo, a vida é uma só (viníciusss).

4 de março de 2010 16:09
Albuq disse...

Oi Débora, adorei a entrevista, e refletindo sobre o que você escreveu penso que por mais que temamos em não acreditar, a questão do "casamento" é algo tão enraizado que a gente não percebe, vem de raízes muito antigas. Aqui mesmo no Brasil, no início por volta do século XVIII-XIX, fazer um bom casamento da "filha" era uma negociata e tinha de ser logo, porque depois dos 18 elas começam a perder a "formosura".
Soa até engraçada pensar assim, mas, nossos pais, de certo ainda pensam.

Ainda bem que várias mulheres lutaram e fizeram história, para que hoje nós ainda lutando, possamos ter o direito de ser "livre", livre para escolher e poder viver e ser feliz com sua escolha!

bjs e ótima tarde!

4 de março de 2010 16:16
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Adoro a Miriam Goldenberg e adoro as alemães!!!!

Liberdade já, vamos nos amar, gente!!!! Com ou sem marido do lado.

Beijão,

Bela - La Divorciada

4 de março de 2010 23:18
Luciana disse...

Vale lembrar que, no mercado de hoje, o capital marital quase sempre é de giro... E, quando está presente, não significa, necessariamente, lucro. O risco é alto, mas há quem valha a pena!

5 de março de 2010 00:58
Curumim disse...

Pode ser um amor sim. E o melhor deles é o amor próprio. Pleno. Não no sentido narcísico. Tá bom vai, um pouquinho de narcisimo num faz mal a ninguém... hehehe

Bjo,
E

6 de março de 2010 14:37