segunda-feira, 16 de março de 2009

A arte de ser bobinha

Eu sou uma pamonha. Não a de Piracicaba, mas quase. Apesar do meu sangue espanhol e das minhas respostinhas malcriadinhas, no fundo sou uma grande coió – roubando o termo das minhas amigas gaúchas. A verdade é que só sou brava e só sei por o “pau na mesa” com as pessoas que conheço bem e que gosto muito. Porque com as demais, sou besta até dizer chega. Sou aquela tonta que fica sorrindo na rua para os desconhecidos. E que morre de medo das pequenas autoridades como porteiros, seguranças de lojas de departamento e do marronzinho da CET (ok, esse pode ferrar a nossa vida de verdade).

E mais do que tudo isso: sou aquela pessoa que insiste em acreditar no ser humano. Desconfiar é verbo que não conjuga bem no meu almanaque das relações pessoais. Me aaaaabro toda com desconhecidos. Conto coisas que não carece. E pior – sempre acho que os outros vão ser bacanas comigo.

Eu já fui pior, é verdade. Quando adolescente, era tão transparente que acabava entregando não só os pormenores da minha vida, mas a dos meus namorados, amigos e parentes. Coitados. Hoje, estou aprendendo a ser mais ressabiada – amiga Divorciada e marido Charlie têm me ajudado nisso. Mas a frustração de me perceber enganada ou passada para trás ainda me deixa arrasada. É uma sensação de injustiça que me deixa prostrada por dias. Principalmente se é fogo amigo.

Por ser assim, sempre me ferro também ao negociar mal os trabalhos - sorriso nos lábios não garante aumento nem verba maior. Passo dias me dando chibatas mentais e me chamando de idiota quando sou incapaz de me impor.

Pois eis que lendo a Marie Claire de março (capa da Kate Winslet), quase chorei ao ler a entrevista com a atriz Bel Kutner. Ao falar do pai, o ator Paulo José, um dos meus preferidos, ela diz que ele sempre foi defensor da máxima de que “mil vezes ser bobo que esperto”. Afinal, conclui, o bobo dorme tranqüilo enquanto o esperto perde o sono pensando em quem ele vai sacanear.

Fiquei feliz. E me senti parte de um grupo de bobos especiais. Cheios de inteligência. Afinal, ser bobo gera certo sofrimento. Mas nesse mundão marcado por esperteza mesquinha, vamos combinar: ser bobo é uma arte.

Débora - A Casada

18 comentários:

Keyllita disse...

Estou de acordo com vc e se quiser a gente funda um club juntas! hehehe Beijos!

16 de março de 2009 19:16
Camila disse...

Adorei, estou de pleno acordo, tudo o que está escrito acontece comigo... haha... parabéns pelo post.

16 de março de 2009 19:29
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Solteira, de sangue italiano, acha que amizade é igual máfia: faz com amigo, faz comigo. Depois, me passa il nome ed indirizzo del imbecile, che lo prepareró una vendetta alla arrabiata!

Capisci, bella?

baci,
Gio - the single one

16 de março de 2009 20:04
Suelyn Morais disse...

"A bondade genuína é ameaçadora para aqueles que estão do lado oposto do espectro moral."
( Charles Spence )

BeijoooO

16 de março de 2009 22:02
Central Perk disse...

Débora, que a gente nunca se arrependa de ser inteira, de verdade. Adoro seus textos! Beijos!

16 de março de 2009 22:05
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Oi Amiga,

Adorei ter sido citada ao lado de Charlie, viu?

Uma prima minha costumava dizer que queria ser burra, pois assim sofreria menos. Será?

Concordo com as meninas: a gente tem que ser inteiro. E vc é, baby.

Beijão,

Bela - A Divorciada

16 de março de 2009 22:28
L e t í c i a * disse...

oi... novata por aki...
(e jah metendo o bedelho)
Retirando a parte do era pior quando adolescente, vc colocou em texto oq eu estou demorando quase 19 anos pra organizar no meu cerebro quanto ao conceito EU...

16 de março de 2009 23:05
Beta! disse...

deve ser um "pobrema do interiô"

olha...eu estou aprendendo o tar do meio termo(essa sim é minha sina)...

mas olha...eu ainda tento manter a pureza na mente e acreditar no ser humano e sei como dói esse tipo de traição...ô se sei!

mas graças a Deus eu também durmo em paz a noite...já sei de uns que nem o olho andam fechando...quem tem muito problema pra dormir é pq tem muito "problema na vida " pra lidar!

dá um abraço beeeeeeeeeeeem pertadim té esmigalhar e deixar roixinha!

Beijos Lindinha

17 de março de 2009 08:50
Camille Mollona disse...

Temos q ser bobinhas espertinhas...hehehe

Bjao e otima terça pra todas!

17 de março de 2009 09:49
Vera disse...
Este comentário foi removido pelo autor. 17 de março de 2009 14:22
Vera Helena disse...

Debs, quanto tempo! Essa máxima do Paulo José (maravilhoso como Macunaíma!) me lembrou muito uma crônica da Clarice Lispector, "Das vantagens de ser bobo". Alguns trechos pra você, Dé:

"_o bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar no mundo.
[...]
_O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não veem.
[...]
_O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes o bobo é um Dostoievski.
[...]
_[...]a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado.
[...]
_Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham vida.
[..]
_É quase impossível evitar o excesso de amor que um bobo provoca. É que o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo." Jornal do Brasil, 12 de setembro de 1970

Eu também sou uma pamonha, uma das minhas poucas qualidades!

Beijos,

Vera

17 de março de 2009 14:23
conversaatrevida disse...

Tem gente que confunde gente boba com gente troxa...
Assim como confundem alguém gentil com alguém servil.

Eu confesso que ler muito sobre a história das pessoas, sobre suas 'puxadas de tapete' me fez ser desconfiada...
MAS não confundir com alguém que espera sempre o pior dos outros mesmo sabendo que tem gente que passa o pior nas mãos de alguém que a gente cresce ouvindo que deve amar...E que sempre vai nos amar e nos proteger.
Como no tema do meu último post.

Enfim, só estou aberta...E alerta.

E me surpreendendo sempre com as pessoas, tanto pro bem...Quanto pro mal.

NORMAL..............rs

abraço

Atrê

17 de março de 2009 18:46
Carol Gonçalves disse...

Olá meninas primeiro quero agradecer por momentos de tanta descontração como os que tenho tido lendo o Blog de vcs.Meu nome é Carol, tenho 30 anos,solteira e moro em Recife, fiquei conhecendo o blog pela entrevista que vcs deram no Jornal do Comercio no dia internacional da mulher e de lá pra cá não parei de ler... tenho que confessar que li todos os posts desde o inicio do blog e que uma coisa eu senti falta de ser falada, sobre Sex and the City.Quando comecei a ler o 3x trinta só lembrei de Carrie Bradshaw e suas amigas.
Bem, amei conhecer esse blog (o primeiro que realmente tenho vontade de ler) e aguardo ansiosa por novos temas.
Bjs

18 de março de 2009 00:55
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Gente, tô me sentindo uma boba bem melhor agora! rsrsrs

Adorei os comentários todos! Eu esqueci de dizer nesse texto sobre a minha total incapacidade de dizer não, que faz parte desse pacote aí.

Vera, lindos os textos de Clarice! Não conhecia. Me iluminaram o dia :-)

Agora vou lá fuçar o blog de todas vocês!!!

bjsss

18 de março de 2009 12:09
Cris disse...

Debs! E isso aí. Eu também sou trouxa, mas com orgulho. Fico feliz em ser assim e desafortunatos aqueles se tiram vantagem dessa qualidade.
beijos

18 de março de 2009 15:18
jmgcastro disse...

Adorei o texto... me identifiquei muito nele... Parabéns!

19 de março de 2009 15:28
Vocês, Mulheres !? disse...

ViVa Os Bobos E Alegres Como nós!!!!

Bjus
VM

Ps: Tks pelo link!!Visitas Mil depois disso

20 de março de 2009 22:11
日月神教-任我行 disse...

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18 de junho de 2015 07:25