quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Sobre homens e macacos


Sabe aquele lance lá dos tempos em que éramos macacos, quando a macaca procurava o macaco que lhe passava mais segurança? Podia ser um macacão grandão e peludo. Mas podia ser apenas um macaquinho muito seguro de si e que não deixava nenhum macacão chegar perto de sua bela símia e sua prole. O lance era: sentiu segurança? É ele! E os olhos da macaquinha brilhavam – e eu realmente acredito que os macacos já sabiam o que era amor.

Pois bem. Dentre muitas coisas na humanidade, essa aí é uma que não mudou muito. Mulher quer sentir firmeza. Quer ter certeza de que vai ter com quem contar, que tem alguém ao lado seguro o suficiente para lhe passar segurança. Mesmo a mais independente e guerreira das mulheres quer sentir que o apoio está ali. Fica até mais simples para dar o apoio em troca.
Do contrário, ouvir dois milhões de “eu te amo” não fará muita diferença. “Eu te amo” é uma delícia de se ouvir. Dependendo da hora então, hum, muda tudo. Mas “eu te amo” sem ação é palavra cheia de vazio.

Conto uma historinha fofa para ilustrar. Fui outro dia almoçar com um amigo muito querido que é pintor. De paredes mesmo, não de quadros. Ele é uma das pessoas mais puras e honradas que conheço. Ele está namorando à distância uma japonesinha. Do Japão mesmo, não da Liberdade. E mesmo com todas as dificuldades na comunicação – por causa da língua, do fuso e das falhas no Skype – eles estão se amando, se curtindo e fazendo planos.

Lá pelas tantas ela disse para ele que o pai dela está preocupado. O senhor japonesinho teme que ela venha para o Brasil e que ele não segure a onda. Que na primeira dificuldade de ela arranjar trabalho, ele dê um pé nela e a deixe ao Deus dará num país estranho. No que o meu amigo, muito honesto e de coração aberto, respondeu: você sabe que eu não tenho dinheiro, mas que sou muito trabalhador. Meu carro, você conheceu, ta caindo aos pedaços. Minha casa é longe. Mas lá você não terá que pagar aluguel. E eu não vou deixar você passar nenhuma dificuldade.

Eu interrompi nessa parte, peguei no braço dele, arregalei os olhos e disse:

- Você disse isso a ela mesmo? No duro? Do tipo: podemos passar um apertinho, mas eu seguro a onda?

E ele:
- Disse, claro. Quero ela comigo aqui.

Fiquei emocionada. Porque é isso mesmo. Tirando as “Maria” alguma coisa – gasolina, chuteira, etc – a grande maioria das mulheres tá nem aí para dinheiro. Só quer é sentir firmeza.
.
E pode passar o macaco que for dentro de uma Ferrari. A gente fica é com o macaco do fuquinha-bala. Cheio de amor, e proteção, para dar.
:-)
Débora - A Descasada

21 comentários:

glma05 disse...
Este comentário foi removido pelo autor. 27 de agosto de 2009 09:53
Gledson disse...

Pois bem,também concordo contigo,e digo mais,a maioria dos "homens" acha que mulher é tudo interesseira,são machistas.Conheço zilhões de homens assim,amigos por exemplo com aquela velha frase"mulher gosta é de dinheiro,quem gosta de homem é viado".Viemos de uma criação machista,de pais e avós machistas,mas ja a algum tempo isso vem sido mudado,pois vcs mulhers conseguindo espaço e sendo cada dia mais independentes,e isso nos passa insegurança,ou mudamos ou ficamos "sozinhos"

27 de agosto de 2009 09:55
Andarilho disse...

É, mas a maioria ainda associa segurança a segurança financeira.

27 de agosto de 2009 10:56
Erica Vittorazzi disse...

Queremos mesmo o 'macaco' que esteja no ponto de chegada da nossa corrida.´Não importa o lugar, é ótimo chegar de uma maratona e ver que alguém te espera. Só gatorade. Nem ferrari, nem fusca1

27 de agosto de 2009 12:00
Ana Paula Britto disse...

Concordo com o texto. Trabalho, pago minhas contas e me viro sozinha, com filhos para cuidar já tem um bom tempo. Não me interessa o carro que tem nem status social. O que eu quero mesmo é só uma mão para apertar e um ombro para chorar na hora do aperto. E saber que a pessoa está ali para o que der e vier: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Assim, ambos terão para onde correr no aperto.

27 de agosto de 2009 13:02
Tati disse...

Nós sabemos disto, só falta avisar para os macacos, pq eles não acreditam muito não..kkk
Fofo seu amigo!

27 de agosto de 2009 13:20
mulherpolvo disse...

É amiga, pelo menos eu to querendo isso e não encontro em lugar nenhum, nenhum mesmo.
Só encontro macaco de carrão, ou de moto, ou duro e á pé querendo ser filho, atrás da minha segurança, da minha guerreirice.
Eu quero um homem que me dê segurançaaaaaaaaaaaa!!!
Beijocas!!
Vou fzer um pequeno spam.
Coloquei no ar hoje um blog/propaganda sobre as minha profissão de cozinheira. Visite-me!!http://christinececchetti.blogspot.com/

27 de agosto de 2009 14:22
Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ disse...

Deb, é engraçado como a experiência nos ensina. O que importa mesmo é a inteligência emocional, daquela que não nos carrega no colo (afinal temos pernas), mas que diz com segurança: se cair, estou aqui para apoiar. Ai.. ai.. esse tipo de macaco fofo do seu texto é que me faz (voltar) a acreditar nos homens. Beijocas.

27 de agosto de 2009 15:01
André disse...

MNão é a toa que meu apelido é Murfy
http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2007/01/macaco-murfy.jpg

... e meu primeiro carro foi um fusca 83!

27 de agosto de 2009 15:31
Elen Kodama disse...

Nossa, Débora! Me emocionei demaaais com esse post.
Lá onde vc encontrou esse amigo tem mais assim???? rs...

Bjo!

27 de agosto de 2009 18:15
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Lindo, amiga, adorei. É assim que um homem de verdade age. Todo mundo merece.

Beijão,

Bela - A Divorciada

27 de agosto de 2009 18:40
♥ Driii ♥ disse...

Que post gracioso...
Meus olhinhos se encheram de lágrimas...
É isso mesmo que todas queremos : segurança emocional... porque financeira, corremos atrás...

Beijão!!!

27 de agosto de 2009 20:44
Vocês, Mulheres !? disse...

Otimo post!!!

27 de agosto de 2009 22:26
Gésica_GBB disse...

Sim, é isso mesmo. A psicologia explica porque temos esse comportamento. trata-se de um comportamento aprendido, com traços institivos.

27 de agosto de 2009 23:39
OMAR HAIKAL disse...

É TÃO BOM QUANDO CONSEGUIMOS PASSAR SEGURANÇA E CONFIANÇA PRA ALGUÉM, PQ É AIH QUE QUEREMOS MOSTRAR MESMO QUE TEMOS PALAVRA E ATITUDE...
EU AINDA NÃO SOU NINGUÉM, MEU PAI TEM DINHEIRO? TEM, MAS É DELE, NUNCA PEDI NADA, TUDO O QUE TENHO, QUE EH POUCO, MAS EH MEU, FOI COM MEU ESFORÇO E SEM APOIO, NESSAS CONDIÇÕES EU SOU AINDA UM PÉ RAPADO, MAS TANTAS E TANTAS "PATRICINHAS" JÁ SE APEGARAM, BASTOU MOSTRAR QUE DINHEIRO, QUE SER MAROMBADINHO OU BONITÃO NÃO É TUDO, AS ATITUDES MOSTRAM MUITO MAIS!

28 de agosto de 2009 08:35
Renatinha disse...

Pois é, eu tb acho que a maioria das mulheres pensam assim. Calro que em momentos de revolta a gente sempre solta um "dessa vez quero um cara rico", mas no fundo a gente quer mesmo um macacão que nos ame mesmo que tenhamos que pagar o sorvete e dividir por dois. Alguns homens machistas (a maioria que eu conheço) precisam ler esse texto.
Parabens!

28 de agosto de 2009 10:26
disse...

Essa é a grande idéia. Estar junto pelo amor, pelo sentimento que une, pelos ideiais, pela cumplicidade e pelo simples fato de ESTAR JUNTO.
Se tiver Ferrari, legal, ponto pro moço. Se tiver Fusquinha, legal, ponto pra ele tb, agora se não tiver amor, -2 pra todo mundo.

28 de agosto de 2009 11:36
Beta disse...

acho que é por isso que estou tão feliz...leve e corajosa...que estou me permitindo muito mais coisas...o meu "macaco" nem carro tem...mora em república...e daí...quando ele me abraça me sinto protegida...tem coisa melhor...

beijooos

28 de agosto de 2009 14:44
Karina disse...

Ahaaaaaaaaaaaaaaa que fofo!!! Como psicóloga, posso dizer que isso é a pura verdade...Nenhuma mulher gosta de homem que passa insegurança...Pode ser um carinha nerd, mas com atitude que vai ter uma dúzia de mulheres atrás...Algumas realmente associam segurança a dinheiro, mas logo percebem que uma coisa não tem nada a ver com a outra...Bju

29 de agosto de 2009 13:11
Patrícia Costa disse...

"a grande maioria das mulheres tá nem aí para dinheiro. Só quer é sentir firmeza."
Adorei e super concordo!!!!
Ótimo post...
abraço

31 de agosto de 2009 09:50
Letícia Volponi disse...

Dé, sua historinha disse tudo!
Não há aperto que ponha em crise um relacionamento em que se possa contar com o outro para resolver a situação

4 de setembro de 2009 11:43