sábado, 1 de agosto de 2009

A família Doriana e a família Delícia

Adoro ouvir a história dos outros. E dia de salão de beleza é dia de ouvir a história das outras. Manicures e depiladoras são insuperáveis. Uma tem uma história mais “de novela” que a outra. A de hoje é a da Lu. Enquanto mandava ver na cera quente, me contava sobre sua família, sua rotina puxada, sobre a vida no geral. Casada há quase 20 anos, mãe de três filhos, depiladora, manicure e o que mais puder agregar valor monetário à sua carteira, Lu é mais uma dessas mulheres guerreiras que a gente vê por aí – mas que são invisíveis para a grande maioria das pessoas.

Depois de muitas puxadas de cera daqui e dali, ela me conta que a filha mais velha, na verdade, não é filha dela, mas de um dos seus irmãos. Ele morreu quando a menina tinha seis anos. A mãe da menina surtou, sumiu e não deu mais notícias. Antes de sumir, ligou para a mãe da Lu, a avó da menina, e disse: “se vocês não quiserem, vou deixá-la num orfanato”. Nessa época, a Lu tava grávida de dois meses. E não teve dúvida: se ofereceu para ficar com a criança. Um dos irmãos disse: mas você já tá esperando um filho! É muita coisa para você. E ela soltou o clássico “onde come um, comem dois”.

Dois meses depois, ela perdeu o bebê. O tempo passou e ela engravidou de novo. E depois de dez anos, mais uma vez. “Fiquei até meio apavorada, achei que já tinha passado da fase, mas aí veio o meu menino”.

Curiosamente, tinha ouvido uma história parecida ontem. Mas um tanto mais “hardcore”. Em vez de abandonar uma criança, uma mãe surtou deixando OITO filhos para trás. O marido, aos quarenta e algo, ficou a ver navios com oito boquinhas para alimentar – sendo o filho mais novo de oito meses. Algum tempo depois, começou a namorar uma moça quase vinte anos mais nova. Apaixonada, ela praticamente adotou os oito. E vivem juntos até hoje. O mais novo tem vinte anos.

Essas duas histórias me fizeram pensar sobre o sonho da família perfeita que as pessoas, no geral, perseguem. O casal sem crises (onde? onde?), com dois filhos fofos e educadinhos, que adora fazer tudo em família aos finais de semana. A família da Lu tá longe de ser Doriana. E a do casal com os oito filhos, mais ainda. Não existe um único modelo de vida, de família. E não existe um único caminho para a felicidade. Afinal, como a própria Lu me disse:

“Essa é a minha trajetória, dona Débora. E quer saber? É uma delícia!”

E viva a variedade de margarinas!

Débora – A manteiga derretida

13 comentários:

Elen Kodama disse...

De fato, o amor supera toda e qualquer barreira, e essas mulheres provam isso todos os dias... Que elas possam inspirar muitas e muitas mulheres com suas histórias... Força e paz para elas!!!

Grande beijo, meninas!!!

1 de agosto de 2009 16:41
Si Collet disse...

as propagandas sempre falam d "familias do tipo doriana"!! mas o q mais se vê por ai são familias do tipo mulher guerreira e chefe do lar! relmente Elen o amor supera tudo! bom fds meninas

1 de agosto de 2009 17:32
Andarilho disse...

Eu tb gosto de ouvir a história dos outros. Por isso que eu venho sempre aqui tb ;)

1 de agosto de 2009 18:11
leoseoldo disse...

Poxa... belas histórias! Que lindo é o amor... Quão interessantes os instintos materno e paterno. A vida real é linda!

1 de agosto de 2009 23:48
Rita H. Abematsu disse...

A vida não é um mar de rosas, mas pode ser se VOCÊ permitir. Nada é perfeito, mas cabe a nós ver a perfeição em tudo ao nosso redor.
Lindo texto!
Bjs

2 de agosto de 2009 09:43
Judith disse...

Conheço uma história parecida com essa dos 8 filhos. Só que, ao invés de ir embora, a mãe morreu e o pai ficou com 7 filhos. A nova esposa criou todos como dela.
Acho lindas essas histórias.

2 de agosto de 2009 11:05
Mulherpolvo disse...

Os verdadeiros laços não se formam pela carne, e sim pelo espírito...
e não é mesmo um delícia, a trajetória desta novela que é a vida de cada uma de nós?!
beijos e boa semana...

2 de agosto de 2009 13:06
Paloma, a mãe disse...

Eu acho que as mulheres são as campeãs em compreensão. Claro que muitos homens assumem filhos de casamentos anteriores, mas estas histórias com oito, sete, dez etc. são muito mais comuns com mulheres.

2 de agosto de 2009 14:37
Ricardo Suman disse...

Parabéns pelo excelente texto, Deda. Sempre é bom sonhar com a família Doriana...

2 de agosto de 2009 21:36
Lesma de sofá disse...

Cada família funciona de uma maneira, numa vibe, numa velocidade, num decibel.
Não é fácil pra ninguém.
Essa percepção de que de perto todo mundo pena, é valiosa!
bjs

2 de agosto de 2009 23:46
Clévia Sales disse...

Qdo me separei, meu filho menor tinha 2 meses, e o outro 2 anos. Não foi fácil, amamentar e sofrer (apesar da escolha q fiz!)

A fase mais difil já passamos, apesar de do ex marido n ter deixado nunca de ser pai.

Mas hj tá tudo LINDO mesmo. Eu e meus filhos somos uma familia perfeita, saudável completa e feliz!

Agradeço a Deus por isso! E agradeço a sábia escolha q fiz!

Bjs

3 de agosto de 2009 08:58
Camille Mollona disse...

Com a loucura do nosso dia a dia...deve ser muito bom chegar em casa e ter uma familia doriana nos esperando!!!

Bjao e otima semana!!!

3 de agosto de 2009 09:49
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Boa história. Boas, melhor dizendo. Histórias de amor, acima de tudo, gostei.

Beijos e boa semana procê,

Bela - A Divorciada

3 de agosto de 2009 15:10