sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sabedoria de mãe

É engraçada a relação que nós mulheres temos com nossas mães. De um estado de completa dependência nos primeiros anos de vida, passamos a negá-las e até desrespeitá-las na adolescência. Mais tarde, e depois de algumas cabeçadas, somos obrigadas a morder a língua e voltar a dar razão para elas sobre um monte de coisa e, inevitavelmente, admirar a força e a sabedoria dessas mulheres. Com a minha mãe também foi assim. E a cada dia a admiro ainda mais, seja recapitulando coisas que ela me disse ou atitudes que teve no passado, seja pelo que ela diz e faz hoje.

Quando decidi ir dividir o mesmo teto com o meu então namorado, ela não me recriminou nem deu sermão, apenas disse com toda a sua simplicidade e experiência: “Olha, só quero que você saiba que não existe pressão aqui em casa para você casar. Você pode ficar aqui o tempo que quiser, eu vou sempre lavar e passar suas roupas, fazer almoço...”. Eu não dei ouvidos, no alto da minha arrogância de “mulher” de 25 anos. Só depois da minha separação fui entender o que de verdade ela quis dizer: “É cedo para você se casar”.

Quando descasei e voltei com o rabinho encolhido para casa, mais uma lição de sabedoria. Ela foi uma das únicas que não me fizeram aquelas clássicas e idiotas perguntas que todo mundo faz nestes casos, do tipo “Por que vocês se separaram?” e “Não tem volta?”. Sinto arrepios ao me lembrar da quantidade de vezes que ouvi esses questionamentos. Aliás, ela nunca me perguntou absolutamente nada, apenas disse: “Aqui continua sendo sua casa e por mais que a gente goste dele, minha filha é você”. Ao longo dos anos e a medida que as feridas se cicatrizavam, fui soltando a conta gotas a história do meu relacionamento com ela. Sem pressão, sem julgamentos ou ressentimentos.

Na minha atual “carreira” de solteira, ela tem reações que, na minha opinião, diferem das da maioria das outras mães por aí. Em vez de temer que sua única filhinha não construa uma família, fala de boca cheia sobre minhas vitórias profissionais, viagens, aventuras e rede de amigos. Não que ela não queira que eu me relacione, mas consegue ver felicidade numa vida diferente daquela que ela teve: vive até hoje com o pai dos seus filhos. Um dia, estava eu batendo papo animadamente com duas outras amigas à beira de uma piscina e ela vem com uma pérola que vale registro: “Que bom ver vocês três assim felizes conversando e dando risadas. Por que será que quando os namorados estão, as meninas ficam borocoxô, de bico, não conversam, parecem deprimidas?” Foi um coro de risadas.

“Prefiro te ver sozinha do que ao lado de um traste” é uma de suas frases favoritas. Garanto que muitos pais de mulheres de 30 prefeririam vê-las casando com qualquer um e até se envergonham de uma filha trintona caminhando para o cargo de “titia”. Para minha mãe não. “Quero que meus filhos sejam felizes, não importa como”, sempre repete. Esse jeito leve dela me torna uma pessoa mais tranquila com a minha vida também. Porque quando a pressão para se encaixar em modelos parte de casa, tudo fica ainda mais difícil do que já é. Dona Valdecy, o que você diz, eu assino embaixo. Te amo, mãezinha.

Patrícia - A Solteira

20 comentários:

Jú... disse...

LINDO!!! =)

7 de janeiro de 2011 02:10
Olívia disse...

Aiii que linda!!!

Amei D. Diguesona!

Que demaaaaaaaaaaais...

Minha mãe mudou o discurso dela comigo, e acredito muito que ela será igual a sua, se eu chegar aos 30 solteira ahhahahaha

É nozes!

.oLívia.

7 de janeiro de 2011 07:52
O Divã Dellas disse...

Na ultima terça-feira assistindo ao filme Divã, onde conta história de uma mulher que era infeliz num casamento monótono e reencontrou a felicidade após a separação, nós (eu, minha mãe e minha irmã mais nova) iniciamos um assunto em torno disso, relacionamento. Minha irmã tem 22 anos e está se ajeitando para casar e está super feliz, mas vira e mexe faz questão de passar na minha cara que ela vai casar e eu não, bobinha! Como se isso me encomodasse. Não encomoda e não me diminui, fui criada por uma mulher sozinha que foi abandonada pelo marido com 4 filhos para criar o mais velho tinha 9 anos e a mais nova apenas 2. Criou os quatro filhos com muita dignidade, garra e muita luta, seguindo esse exemplo eu vou levando minha vida, prefiro mil vezes estar feliz sozinha a estar acompanhada e infeliz. Minha mãe também é um poço de sabedoria e meu exemplo de vida. Já tive de casamento marcado e contei com o apoio dela desde o inicio até o final da relação, mas seus conselhos sempre foram para que eu priorize a minha indepêndencia financeira e minha felicidade. Relacionamento é consequência.
Viva a nossas sábias mães!
Beijos, meninas! Desculpem o comentário extenso.
Verônica.

7 de janeiro de 2011 09:24
Evelin disse...

É bom quando temos para onde voltar e com quem contar... parabéns pela sua mamãe.

bj

Evelin

7 de janeiro de 2011 09:40
O Divã Dellas disse...

QUE LINDO!
Lá em casa todos os filhos casaram, menos eu. Nenhum tem filhos, só eu. Ou seja, sou totalmente fora dos padrões. E meus pais me amam e me agradecem por eu ser assim. Somos todos felizes e isso é o que importa.
Ah! E por falar em pérolas. Minha mãe no casamento de um amigo nosso, ao cumprimentá-lo, disse: "Eita Maurílio, tu se lascou!" kkkkkkkkkkkkkkkk
Beijos.
Lindo texto. Lindo mesmo.
Cinthya

7 de janeiro de 2011 10:02
Ácidas e Doces disse...

Ah Patrícia, penso o mesmo da minha mãe. Felizmente na minha família todas as mulheres concordam que estar feliz independe de um marido (mesmo que todas sejam bem casadas). Então assim dá para estar solteira e ajeitar a vida tranquilamente até decidir como fará as coisas.
beijo
Kézia

7 de janeiro de 2011 10:07
Ana disse...

Pati,
Lindo demais!
Mãe é a melhor coisa que inventaram na vida! Lembro dos inúmeros conselhos que a minha mãe me deu. Hoje ela não está mais ao meu lado, mas ao lado dos anjos iguais a ela.
Adorei o texto!!!

7 de janeiro de 2011 10:52
Anônimo disse...

Lindo texto!!!
Adorei a frase: “Que bom ver vocês três assim felizes conversando e dando risadas. Por que será que quando os namorados estão, as meninas ficam borocoxô, de bico, não conversam, parecem deprimidas?”
E acho que é muito melhor estar só do que estar mal acompanhada!

Bjs! Giu!

7 de janeiro de 2011 11:07
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Dona Valdecy é tudo!!!

Maravilhosa te dando apoio incondicional, acima de quaisquer preconceitos e referências de outros tempos.

Mande um beijão para ela por mim, adorei.

Beijos,

Bela - A Divorciada

7 de janeiro de 2011 12:32
Carol disse...

Patrícia, que texto massa. Linda homenagem e que mãe fofa!

Adorei, quanta sabedoria.

Um beijo para ela e outro para você!

7 de janeiro de 2011 14:22
Gabi de Davi disse...

Ao lado de D. Valdecy quero colocar o nome de D. Adelaide, ou Lady como tds a chamam.

Essa mulher (sorte a minha em tê-la como mãe) me viu nessa rebeldia de morar com namorado aos 18, engravidar aos 20 e separar aos 21. Tb voltei com o rabicó entre as pernas, e ela? Ah, ela acolheu a mim e meu pimpolho com o amor quintuplicado. Só hj entendo suas entrelinhas q me soavam como implicância aos 18. Mas o importante é reconhecer o erro né? Faz parte da vida.

Sábias essas mulheres e parabéns para nós por temos essas preciosidades dentro da nossa própria casa!

7 de janeiro de 2011 17:39
*** Cris *** disse...

Olá,td bem? Vim parar aqui através de outro blog. Interessante , solteira,casada e separada depndendo do momento,né..rs.Muito bom, adorei!
Ótima a relação com sua mãe.
Bjs e feliz 2011!

7 de janeiro de 2011 20:28
Jussara Gehrke disse...

Sempre dou uma passadinha por aqui e toda vez gosto do que leio. Meuito bom este texto sobre mãe, uma relação nem sempre fácil.

Há um tempo vcs me convidaram para enviar um texto, e só hoje me lembrei quando entrei aqui, para onde posso enviar?

Parabéns pelo blog, meninas!

beijo
Ju

7 de janeiro de 2011 21:00
Andarilho disse...

Sábia mainha.

7 de janeiro de 2011 23:38
disse...

Ih, meninas, eu sofro tanto com isso...
Minha mãe partiu na minha infância, mas meu pai e o resto da família fazem as vezes das mães mais chatas do universo nesses assuntos.
Completo 30 esse ano e não casei ainda. Meu irmão fez o favor de estar no 2o casamento e partindo para o 3o filho aos 32 anos, o que só aumenta a minha pressão...
E para piorar mais ainda, namoro há 14 anos um digníssimo que não quer nada com a hora do Brasil (em relacionamentos, pq ele é super direitinho na vida dele). Todo início de ano é a mesma coisa: "-será que esse ano sai esse casamento???"
Uma chatice sem o menor respeito...ninguém merece!
Salve a sua mamãe especial!!
bjs

8 de janeiro de 2011 09:52
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Ju,

manda para o 3xtrinta@gmail.com

bjo!!

O trio

8 de janeiro de 2011 15:51
Desbaguncando disse...

minha mãe me pega mais no pé por causa da minha profissão do que vida sentimental...se tou namorando ela acha bizarro...isso sim...

haha

10 de janeiro de 2011 13:47
Michele Singh disse...

Diguê!!!!!rsrsrs
Lendo seu texto, posso até lembrar da voz da sua mãe, fiquei imaginando todas as cenas, como se eu tivesse lá...Adorei o texto, realmente a relação mãe e filha, geralmente em algum momento da vida é tumultuada mesmo...pena que perdi a minha e na fase melhor da nossa relação. Beijo querida, da melhor amiga da sua infância Michele Singh

13 de janeiro de 2011 11:23
Patricia Digue disse...

Mi, fiquei emocionada de te ver por aqui. Espero que esteja bem. Também tenho saudades da Dona Maria, principalmente das comidinhas :-).

Muitos e muitos beijos...

Diguê

16 de janeiro de 2011 21:43
日月神教-任我行 disse...

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17 de junho de 2015 22:59