Or... a day which it is impossible to enjoy... :o(
Tinha levado um pé na bunda daqueles. Estava fechada para balanço, nada a fim de ninguém, querendo ficar sozinha. Precisava digerir o revés, que tinha quase 1,80m, olhos azuis profundos e foi apaixonado por ela. É dose levar cartão vermelho de alguém que já pegou um avião por sua causa. Vamos chamar esta menina de Mafalda.
Mafalda tinha amigos bacanas. No entanto, as amigas gostavam de lhe dizer "que ela deveria sair mais", "conhecer alguém", discurso que sempre terminava do mesmo jeito: "
Tem que sair pra pegar uns gatinhos, Mafalda!" Ela, mesmo ainda aos vinte e poucos, já era ciente de que é coisa complicada traçar planos afetivos com dia, hora e data marcada para conhecer alguém. Enfim, fazia pouco caso dos conselhos de revista feminina das amigas.
Até que um dia, uma delas deu nome aos bois. Ao boi, melhor dizendo. Vamos chamá-lo de Bozo. Afinal, começa a se desenhar aí uma das maiores roubadas a que uma solteira pode se submeter: o
Palhacitos Date.
"Putz, tenho um amigo muito bacana, super gatinho, super inteligente, super fofo!!" Opa! Perigo! A amiga disse "fofo" e colocou "super" em todos os adjetivos sobre o cara. "
E ele tem uns olhos azuis maravilhosos. Não entendo porque está sozinho. O Bozo é muito gente boa! Eu adoro o Bozo! Aliás, falei de você pra ele e ele quer te conhecer", disse à Mafalda sua amiga empolgada.
Mafalda fez pouco caso. Em seguida o celular da amiga tocou. Era o Bozo. "
Ele quer falar com você!", decretou a amiga já metendo o celular na orelha de Mafalda. À nossa palhacita, só restava dizer...."
Alô?!?"Bozo: Oi Mafalda, sou eu, o Bozo!Mafalda: Oi Bozo, tudo bem? Tudo certo? Enquanto isso, dentro da cabeça de Mafalda:
Tudo alguma coisa? Puta falta de assunto...ok!? Acho que o cara fala meio fino, pensou Mafaldinha ao mesmo tempo. Neste momento, a intuição da palhacita apitava:
Vai dar merda! Acaba com esse assunto! Joga esse telefone na parede! Mafalda não deu ouvidos.
B:
Pôxa, Mafalda, só ouço falar bem de você. Vamos sair para jantar hoje?M: Jantar? Hoje?Imediatamente, a amiga empolgada começa a pular e a falar só com os lábios
"Vai! Vai jantar com ele! Anda, diz que sim!"
M:
Ok? Você me pega na minha casa então?B:
CLARO! TE LIGO PARA PEGAR SEU ENDEREÇO!!! QUAL O SEU TELEFONE???Sim, Bozo respondeu gritando, super empolgado. As pernas de Mafalda tremeram neste momento...
Palhacitos date marcado, Mafalda foi para casa. Bozo ligou pontualmente para pegar o endereço, e aproveitou para tecer mil elogios à pobre. Nossa palhacita achava tudo muito, muito estranho. Ele nunca a tinha visto mais gorda, como poderia estar tão "interessado"?!?!
"Acho que esse cara tá encalhado, só pode ser. Que desespero!", pensou Mafalda. Mas, agora, a Inês (ou melhor, Mafalda) já era morta. Não cometeria a indelicadeza de desmarcar o date. A voz do palhacito a incomodava profundamente. "
Pode ser o telefone", repetia Mafalda dando aquele descontão na situação.
Antes tivesse sido indelicada. Mafalda jamais esquecerá aquele par de faróis se aproximando, era um Chevrolet. Carro parando, parando, até a janela do motorista ficar exatamente diante de Mafalda. Um rostinho se aproxima da porta, o quadro da dor. Bozo tinha bochechas enormes, com plaquinhas rosadas, parecia um ursinho. Numa das orelhas, um pontinho luminoso de adorno. Chamou a atenção, pois a quebrada de cabeça do palhacito, para ver Mafalda, fez brilhar o tal pontinho como estrela no céu. Quase um farol, capaz de cegar. "
Oi, eu sou o Bozo!", exclamou empolgado. Sim, Bozo tinha a voz fina. Não era o telefone. Ferrou!
À Mafalda só restou entrar no carro e rezar para que aquilo tudo acabasse logo, e sem ela mandar o cara pastar. Já Bozo viu e gostou. Escolheu um japonês onde Judas perdeu as botas e lá Mafalda passou a noite fitando as carpas do aquário. Teve inveja delas. Na volta, Bozo botou Djavan. E logo a música que lembrava o ex. Nem sem querer, palhacito acerta. "
Mas porque a surpresa?!", perguntava-se Mafalda em pensamento...

Seguiu-se a este date, dias e dias de Bozo a ligar para Mafalda. A ponto dela deixar de atender o telefone por alguns dias em casa. As ligações transformaram-se em recados jamais retornados. Que grude! Recados jamais retornados se transformaram em um e-mail de Bozo. Mafalda agradeceu o interesse, mas educadamente declinou a proposta afetiva. Simplesmente, não dava.
De lá para cá, Mafalda já viveu histórias bacanas, já gostou de alguns garotos. De alguns mais, de outros menos. E nunca precisou lançar mão de um
palhacitos date para encontrar quem valesse a pena.
A Solteira