sexta-feira, 25 de março de 2011

Um homem de verdade

Sue: “Pai, sou eu quem resolve tudo, toca as coisas. Eu sou quase um homem”.

Tio Jatanael: “Não, filha, você não é um homem. Você é uma mulher de verdade.”

Tio Jatanael era um grande amigo dos meus pais. Psicólogo, generoso, bondoso, fofo, aquele tipo de pessoa para quem eu podia ligar à meia-noite para falar sobre a minha separação. Ou pedir uma luz a respeito da hora certa de mudar de emprego. Ou comentar o que bem entendesse. Aquele tipo de gente que devia viver mais de 200 anos, mas que, impossível entender por que, morre aos 60.

Aconteceu na semana passada e até agora a minha ficha não caiu. Me vejo colocando em prática, mais uma vez, um bizarro mecanismo de defesa que eu, não sei por que, nem como, inventei em relação à morte daqueles que vivem em Maceió, longe de mim, moradora de São Paulo: não assimilar a perda completamente. É como se, um dia, numa dessas minhas idas para lá, eu fosse encontrar quem se foi (Momento Conte seu dilema: leitores e amigos psicólogos, me ajudem. Lynne, vai que é tua). Pudesse ver Tio Jatanael novamente.

Não posso, eu sei. Mas fiz questão de dividir com vocês, aqui, um pouco de como as pessoas maravilhosas, como ele, não passam pela vida da gente em vão. Um homem de verdade nunca vive em vão.

Um beijo, Tio. Um beijo, gente. Viva a vida, ótimo finde para nós.

Isabela – A Divorciada

13 comentários:

Andarilho disse...

Bem, dependendo da crença, vc vai ver eles de novo. Provavelmente não em Maceió, mas em algum outro lugar.

25 de março de 2011 09:22
Anônimo disse...

Algumas pessoas não deviam sair das nossas vidas. As que não fazem a menor falta duram séculos. Mas é incrível os mecanismos de defesa que usamos para blindar nossa alma da dor. Eu sei o que é isso pois quando perdi meu pai, me blindei de todas as formas.
Beijos,
Helen.

25 de março de 2011 10:03
O Divã Dellas disse...

De algumas pessoas a gente não se despede.
Alimenta-se na alma a certeza de qeu um dia as encontraremos de novo.
E quem disse que isso não é possível?
O que sabemos, ao certo, sobre esse assunto?
NADA!
Beijos,
Cinthya

http://odivaadellas.blogspot.com

25 de março de 2011 11:58
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Isso que você fez aqui, de falar dele num blog, é uma forma de perpetuá-lo. O que fica na gente é o que eterniza as pessoas =)

boa sexta

bjs

deb

25 de março de 2011 12:42
Olívia disse...

Que saudade daqui... fiquei longe mto tempo...

Bela, amei o post! E fico sem palavras e incrédula como vc

=)

Bjsss

25 de março de 2011 15:58
Ácidas e Doces disse...

Ah Bela belíssima, que tocante.
Sabe que tenho o mesmo comportamento? Eu abstraio a ausência por estar acostumada a estar ausente, a ficar longe e tb tenho está sensação que lá as coisas continuam igual.
Beijo grandão e força aí
Kézia

25 de março de 2011 16:36
Anônimo disse...

Vivi isso semana passada, a diferença das nossas histórias são a idade (90 anos) e a cidade, Rio de Janeiro!
Sabe Isabela, ando tão decepcionada com as pessoas daqui, que desde que perdi esse ser "que não passa pela vida da gente em vão", me pergunto se valeu a pena ter saído de lá!
Tenho receio de no final descobrir que não.
Adorei o post!
Lembranças de todos que amo e que não mais estão ao alcance de minhas mãos.
Um grande bjo
Isa

26 de março de 2011 01:45
Evelin disse...

Vivo uma situação semelhante: de uns tempos para cá, somente visito a casa de meus avos (que morei durante muitos anos), mas nao consigo entrar e perceber que minha avó não está mais aqui, só percebo que ela não está mais quando ando pela casa a sua procura.

São coisas que só o tempo mesmo...

beijos

Evelin

26 de março de 2011 12:06
Anônimo disse...

Que lindas palavras, e as palavras são verdadeiras, foram mencionadas por ele...
Meu pai era um grande homem, me orgulho muito dele, principalmente de nos ensinar a compartilhar, rir dos momentos (tristes e alegres), de estar disponível a qualquer momento (e olhe que são pouquíssimas pessoas que se dispõe a isto), de conversar sobre qualquer coisa, de surpreender sempre. Tinha seu próprio jeito!
Agradeço a Deus pela oportunidade de tê-lo como pai e também da IMENSA FAMÍLIA que ele nos deixou, inclusive a sua, que amo tanto. Vocês sempre serão meus primos e tios.
Com certeza, a vida dele será lembrada ainda por muito tempo, pois ele fez diferença na vida de muita gente...
beijão. Sue Réginis

28 de março de 2011 21:14
Nancy disse...

Eu acabei de chegar da terapia... Estou tentando entender o luto. Parece tudo tão irreal, acho que tenho dificuldade de aceitar o fim (ele existe?). Prefiro acreditar no "Até breve!".
Sou uma das filhas do coração deste homem incrível que ama (amava?) as pessoas, todas elas.
Espero ter aprendido com ele, e ser quem sabe uma pessoa melhor, capaz de amar as outras pessoas dessa forma tão especial.
Força e fé, preciso crer num sentido maior...
Vai com Deus, tio. Descanse nos braços do Pai.

28 de março de 2011 21:31
Robson disse...

Seu Jatanael, era assim que eu o chamava. Eu sempre gostava de ir la ou ligar pra falar com ele, porque ele sempre me dizia que eu era importante e que eu não desaparecesse que eles (ele e Dona Nazaré)gostavam muito de mim. Quando eu ia la tinha que ter tempo pois nossas conversas eram sempre longas, mas sempre muito boas e nunca faltava assunto. E eu sempre aprendia algo novo com ele!
O céu hoje ta mais feliz e mais!

28 de março de 2011 21:35
Anônimo disse...

Não dá pra comentar a importância que esse homem, pai, irmão,tio, cunhado, amigo, psicólogo, Jatanael(Nael) foi, até hoje eu como sua irmã, amiga e confidente, estou sentindo com sua ausência.Nossa eterna gratidão por todas as homenagens e palavras de carinho. Obrigado senhor por nos permitir conviver com essa pessoa tão grandiosa e especial.
Nilze Regia
Irmã

30 de março de 2011 13:56
Dilma Serafim disse...

JATANAEL (Nael),como o chamava-mos,era aquele amigo com quem nós podia-mos contar a qualquer hora,gostava de telefonar pela madrugada,aconselhando,rindo,contando "causos".
Nael,era um amigo mais do que um irmão.
Nael,era um ser humano bondoso,sempre fazendo o bem,sem olhar a quem,humilde,carismático,bem humorado,sincero, honesto,atencioso,gentil,respeitador,carinhoso para com todos.
Nael fez diferença em nossas vidas nos momentos difíceis e alegres.
Nael, espalhou luz por onde passou,trouxe paz,alegria e força no olhar.
Nael,era FAMÍLIA, sempre esteve presente, atencioso com seus filhos,sua irmã,subrinhos e esposa.
Nael,soube viver intensamente.
Fomos vizinhos( eu e minhas filhas) durante anos em Maceió.
Em 1981,mudamos para Salvador,mais a amizade continuou,ele nos considerava como irmã e subrinhas.
E no dia 29/01/2011, dia do meu aniversário,Nael com sua irmã(Nilze) e subrinha(Susan),me fizeram uma surpresa!! fiquei emocionadíssima,vendo-os na minha frente,ele estava numa alegria incomparavel.
No outro dia passeamos bastante,converssamos,rimos,tiramos fotos,lanchamos,sempre com piadas maravilhosas,foi muito 10.
Hoje eu sei que ele veio se despedir de nós.
Muitas vezes nesta vida,nós somos o remédio da vida de outras pessoas.
Quantas vezes voce já curou uma pessoa com seu abraço,com uma visita inesperada, com um sorriso...e-mail enviado?
Sua presença alegra a vida das pessoas,é um poderoso remédio contra a tristeza, a depressão,contra a dor e o sofrimento da alma.
Estar presente na vida das pessoas que amamos é milagre poderoso,e que pode transformar-se em processos de cura absoluta.
Obrigada por voce(Nael),fazer parte da nossa caixinha de remédio!!!

Com carinho!!!
Dilma,Jane,Déa e Dani
Salvador,29/03/2011

31 de março de 2011 20:00