sexta-feira, 18 de março de 2011

Uma carta de despedida

O texto abaixo é uma carta de despedida. Ou não. São as palavras que o meu amigo Gabriel (nome fictício) escolheu para dizer como se sentia a uma mulher pelo fim do romance deles (gente, eu adoro a palavra romance. Não é o máximo dizer que você teve um romance com alguém?). Uma prova de como os homens podem ser sensíveis, cuidadosos, especiais. Sim, antes de escrever Gabriel já tinha tido uma conversa com a moça a respeito da situação deles. Um fofo, um querido, um coração bom. Leiam e me digam se eu não tenho razão.

Beijos, Gabriel. Obrigada por ter liberado algo tão seu para nós todos. Só o melhor procê!

Isabela – A Divorciada

Desde muito pequeno aprendi a lidar com despedidas. Houve um dia que meu pai decidiu sair da minha casa. Não me lembro desse dia, quais palavras foram ditas, ou se elas sequer foram ditas. Mas sei que houve uma despedida. E de alguma forma, mesmo sendo um bebê de um ano e meio, meu espírito sabia o que estava acontecendo.


Houve outras despedidas. Amigos, parentes, pessoas jovens que eu conheci e que se foram e eu não puder dizer adeus, mas tive que me despedir, sabendo que um dia posso reencontrá-las. A vida é feita de encontros e despedidas, a todo momento.


Houve um dia que eu me encontrei de uma maneira diferente, de um jeito que nunca havia conhecido antes. Esse novo encontro implicava numa despedida. Tive que dar adeus a uma pessoa em mim que já não mais me agradava. Caminhei. Mudei. Alguns não entenderam, outros se rebelaram e alguns preferiram se afastar. E eu cada dia mais me encontrava. Caçador de mim. Em paz. Me acostumando com essas despedidas. Entendendo que elas sempre fariam parte da minha vida.


É interessante como algumas situações na nossa vida moldam “a argila do nosso caráter”, como escreveu um andarilho. Desde pequenino eu sabia que fim de semana veria meu pai. Brincaria de coisas que só um menino brinca com o pai. Seria carregado pra cama e acariciado até pegar no sono. E domingo a noite, num clima melancólico, era deixado na casa de minha mãe. Ia pro quarto dormir e ficava algumas horas, quieto, chorando, com saudades dele. Até que a dor da saudade era tão grande que eu pulava pra cama da minha mãe e ela me afagava, quieta, sem poder explicar minha tristeza, porque minha pouca idade não entenderia. E duas semanas depois, lá ia eu de novo, pensando no que eu poderia aprender com ele, mesmo sabendo que depois de dois dias haveria a dor da despedida. Valia a pena. Sempre.


Isso me ensinou uma coisa valiosa, que eu carrego hoje e sempre carregarei comigo. Minha mala está sempre pronta, debaixo da cama. Estou sempre pronto pra partir. Minha casa é onde estou. Se estou sentado na sua cama, ouvindo sua voz, ali é minha casa. Se estou debaixo de uma chuva, caminhando numa trilha, no meio da mata, ali é minha casa. Fechar os olhos e lembrar disso me faz respirar uma liberdade nunca antes vivida. Foi uma coisa boa que aquela dor me ensinou. Meu porto seguro é o vento.


Te encontrar foi amar sabendo que a dor da despedida viria. Mas mesmo assim valeu a pena. Cada segundo. Cada concórdia e discórdia. Cada olhar, toque, beijo e palavra. Tão diferentes e tão parecidos. Acredito que espíritos se aproximam por afinidade em sua energia. Enxergamos a vida de forma semelhante. Mas caminhamos em trilhas diferentes, que levam ao mesmo rio. E no momento cada um usufrui do que essa trilha proporciona. Como diz uma bela música, “prefiro os caminhos que levam à mata, abrindo a porteira de sonhos por onde andei”.


Por que tem que ser assim? Acabou aqui? Não sei. Gostaria muito de saber. Busco a resposta. Remando em Silêncio, o barco da Paciência, pelo rio do Tempo. Silêncio, Paciência e Tempo.


Um beijo. Com amor e paz,


Gabriel

14 comentários:

Suelen Rauber disse...

Que coisa... A vida é mesmo assim.

Vou tentar me sentir mais em casa onde eu estiver, seja qual for o lugar. Tenho de ter a certeza de que é exatamente ali que devo estar.

Beijos

www.su-poucoacucaremuitosal.blogspot.com

18 de março de 2011 01:18
Inaie disse...

Gostei muito do texto. Eu concordo com ele, mas nunca penso nas despedidas, sei que elas vem, mas nao em concentro nelas!E nem me preparo para elas... deixoa contecer.

18 de março de 2011 04:48
laurolyra disse...

me identifico em boa parte com o texto do Gabriel (seja lá qual for seu nome real). Toda história possui uma enorme complexidade em seu desenvolvimento, com mil sobressaltos e variantes, mas seu fim resume-se a uma simples pergunta: valeu a pena?

18 de março de 2011 13:37
Márcia Albuq disse...
Este comentário foi removido pelo autor. 18 de março de 2011 13:40
Fabrícia Melo disse...

Ui!!!!
Gabriel, meu bem... que bom que permitistes esse compartilhar...

De um lado, fico feliz, não com tua infelicidade (?), e sim com a tua capacidade/coragem de se permitir viver a vida (e os sentimentos) com esta intensidade.
Já és feliz por isto.
Do outro lado, é muito bom saber que existem homens como você... renovastes minhas esperanças... rsrsrsrs

Xeros e fique bem. Como vc sabe, tudo passa.

18 de março de 2011 14:43
Mirys disse...

Isabela:

Também adoro a palavra romance!!! Não só a palavra: o romance, mesmo. A-do-ro!!!

Tanto que resolvi trazer diversão pra vocês e contar toda a história do meu romance. Comecei a postar a SAGA do antes (do acidente), do belo, do feliz, do divertido, do romântico, do engraçado.

Quem tiver um tempinho, passe por lá http://diariodos3mosqueteiros.blogspot.com/2011/03/era-uma-vez-1-oi-muito-prazer-diario-da.html

E não se esqueça de me deixar um comentário! O que faria no meu lugar?

Bjos e bençãos.
Mirys

PS: corajoso o seu amigo "Gabriel", não?

18 de março de 2011 14:54
Carol disse...

Lindo, lindo, lindo!

Cara admirável. A carta também. =)

Beijos

18 de março de 2011 16:13
Razinha Arruda disse...

Oiiiiiiiê!!!!!!!

Ahhhhhhhhhhhh, que post lindo!!!!!!! E que carta mais linda!

Gabriel, obrigada por compartilhar essa carta com todos nós!!! =)

Ah, vcs tão com quase 760 seguidores, que maravilha! Parabéns pela milésima vez! Kkkkkkkkkkkkkk!

Bom find, meninas!!

Beijo,

Ra

18 de março de 2011 17:00
Marta Melo disse...

Muito linda essa carta...Me fez pensar em várias coisas,inclusive como minha filha chega irritada da casa do pai ...Talvez ela sinta essa mesma dor e não sabe lidar com isso...Realmente o certo da vida é apenas o momento,o agora e muitas vezes nos despedimos das pessoas estando cheios (cheios de lembranças e presença) ,lotados delas por dentro.Lidar com os desencontros exige muita maturidade e realmente só o tempo consegue reverter essas despedidas em simples lembranças que não doem mais.Bjão e adorei a carta por mostrar q ainda existe homens sensíveis no mundo.Espero que dê tudo certo com o Gabriel!

18 de março de 2011 19:03
Kaísa disse...

Isabela, esse Gabriel tá dando mole no RJ ou SP?
hhahah
Gabriel, sinto sua dor! E desejo muito que vc seja feliz!
Vc é muito especial e merece alguém especial!
Isa, eu tbm conheço um "Gabriel", pessoa boníssima, a quem eu também desejo tudo de bom!
um bjo
Kaísa

18 de março de 2011 21:02
Alynne disse...

Amei. Sensível, sincero e delicado. Bjs

19 de março de 2011 11:22
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Lindo!!
Deve ser alguém muito especial mesmo =)
E que seja imensamente feliz.

Adorei o "silêncio, paciência e tempo".

beijo!

deb

19 de março de 2011 13:12
Anônimo disse...

Quero casar com ele. :)

Lidiane Dantas
Fortaleza- Ce.

25 de março de 2011 16:52
日月神教-任我行 disse...

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18 de junho de 2015 07:06