segunda-feira, 6 de julho de 2009

Em ser um homem feminino

Lembram daquela música do Pepeu Gomes? “Em ser um homem feminino, não fere meu lado masculino...” E não fere mesmo. Aliás, reforça, encanta e desperta admiração. Há pouco tempo testemunhei dois exemplos bem próximos desta máxima. Os dois homens foram pais pela primeira vez recentemente. Um aos 30, outro aos 40. Ambos tiveram um menino.

Um deles quase ficou histérico no dia do parto tamanha era a ansiedade, parecia ser ele quem daria a luz. Na verdade foi quase, pois o futuro papai ficou na sala de parto segurando a mão da esposa durante todo o tempo. Da quase histeria para a determinação na hora certa, acompanhou tudo sem vertigens, sem medo, sem tremedeiras, sem desmaio. Ficou ali dentro da sala num claríssimo “tô contigo e não abro” como poucos que já vi.

Já o outro me contou que é capaz de ficar vendo seu filho dormir por horas seguidas e nem sequer notar o tempo passar. Fica lá, assumidamente babando, curtindo cada movimento da respiração, do rosto e das mãos do filhote... Enfim, corujar tem sido o seu esporte favorito nestes tempos. “Se soubesse que era assim, teria tido filhos antes.”, resumiu.

Queridas leitoras: ficaram espantadas? Pois é, foram dois homens que fizeram e disseram essas coisas. Sim, eles estão por aí e sempre estiveram. Vocês nunca perceberam? Num primeiro momento também me surpreendi nos dois casos. Só que, em seguida, percebi o quão infundada esta surpresa era. Eu simplesmente repetia neste espanto um padrão de comportamento que muitas mulheres adotam por ser este o mais fácil. Afinal, não tem nada mais moleza na vida que seguir o senso comum. “Ah, mas isso é exceção. Ah, mas isso não existe. Só mesmo fulano para ser assim”. Quanta bobagem...

Num português bem claro, o espanto é taxativo de quem adora categorizar. Colocar os homens num saco, e as mulheres no outro, por exemplo. Como se a vida fosse um armazém de secos e molhados. Que tal acordar e olhar para os lados sem preconceitos? Antes do gênero, vem a personalidade e o temperamento. E, principalmente, vem a sua escolha. Aconteça o que acontecer, uma escolha foi feita lá atrás.

Será que nada de bom resta de uma relação que terminou? Eu duvido. Sair melhor depois do fim é um grande lucro. E porque espantar-se quando homens dizem, com todas as letras, que pensariam mil vezes antes de sair de casa quando há filhos em jogo? Ué, pensaram que eles não estavam nem aí para as crianças? A realidade não é bem assim não.

Os homens não são todos iguais. Muito menos as mulheres. E então, vamos deixar de ver a vida em preto e branco?

Giovana – A Solteira

** Boletim da Solteira avisa: em breve, mais um episódio de “O Manual do Matador” – tchan, tchan – e a entrevista com um solteiro! Sim, finalmente encontrei um que curtiu a idéia de falar aqui.

9 comentários:

Lu Giusti disse...

Pois é, eu concordo com você Gio.
Acredito muito no "estar ou não estar" das relações. E faz parte deste "estar" participar do que faz sentido para o "casamento", como ter frutos, no caso filhos.
E por que os homens não podem viver isso na plenitude?
Existem maneiras diversar de expressões, cada um mostra seus sentimentos como pode, ou ainda como convém. Cabe ao parceiro entender, interpretar e aceitar. E viver plenamente o que as relações de gênero trazem.
Não aceito muito um final ruim. Tive dois relacionamentos muito longos, claro, mágoas sempre nos assombram, reciprocamente, mas o que realmente fica é a sombra de todos os sentimentos bons. Fiz um post no meu blog sobre isso. E realmente acho que se houve amor um dia, é dele que devemos lembrar e nos apropriar, se não for assim, talvez não tenha valido a relação. Enfim.
Rotular as pessoas é péssimo, é raso, mas, infelizmente é o mais fácil. Acaba explicando e finalizando processos. "Ah...o fulano é assim...., nunca faria isso...." e por ai vai.
Na verdade, acho que um homem que consegue dar vazão aos seus sentimentos e participar efetivamente da relação de gênero, não é feminino não. É homem mesmo. No sentido literal.
Beijão.
Lu

6 de julho de 2009 09:10
Andarilho disse...

O título do post reflete bem essa mentalidade preto e branco. Por que o homem é feminino se demonstra emoções, se estas não são exclusividade do sexo feminino, mas apenas parte do seu estereótipo?

=P

6 de julho de 2009 09:34
Anônimo disse...

Que post bacana!
Não consigo conviver com a idéia de que "homem é tudo igual" e/ou de que eles são nossos inimigos. Que horizonte limitado. Conheço homens capazes de uma delicadeza ímpar e sensíveis. Amigos, carinhosos, verdadeiros presentes. Infelizmente existem mulheres que não aguentam um cara assim, pois seu modelo é outro (apesar de no discurso ser o contrário) e elas simplesmente surtam quando encontram um rapaz que não lhes perguntam porque chegou atrasada, não lhes proibem de viajar, etc e tal.
Abração a todos,
Marcia A.

6 de julho de 2009 09:51
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Oi Andarilho, tudo bem? Homem feminino é exatamente o cinza desta visão em preto e branco. Feminino sim, por ser mais subjetivo, mais sensível e mais observador. Feminino também no sentido de mostrar claramente o que sente.

beijos,
Gio

6 de julho de 2009 10:07
Paloma, a mãe disse...

Tamabém nunca achei que homem era tudo igual e sempre dei preferência aos sensíveis. Feminnos não, sensíveis!

6 de julho de 2009 10:42
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Nunca achei que os homens fossem todos iguais. E acho para lá de normal um homem perder-se no respirar de seu filho recém-nascido. Estranho são os que não se encantam por isso!

Talvez seja porque, como a Palomita, a mãe, sempre gostei dos sensíveis e não tive muito contato com os brucutus. Eu dou risada com os brucutus, mas não me relaciono com eles, rsrs.

Gosto de pensar que se tive três namorados (e um deles virou marido), cada um foi incrivelmente diferente do outro,mas todos igualmente sensíveis.

E todos são-paulinos...hum...daí tamanha sensibilidade? HAHAHAHA

Brincadeirinha...(perco namorado e marido, mas nunca a piada)

beijosss

Deb

6 de julho de 2009 11:14
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Oi Gio,

Sim, sim, thanks God não faltam homens sensíveis e maravilhosos nesse mundo. Tive o privilégio de aprender isso desde sempre, em casa, com painho, um homem com H maiúsculo, parceiro como poucos. Por ele, eu ainda acredito em homens e duendes, hahaha!!!!

Aliás, ainda vou escrever sobre ele aqui, tô guardando a deixa para o Dia dos Pais.

Beijos,

Bela - La Divorciada

6 de julho de 2009 15:35
Luciana (vulgo Frô) disse...

Sensibilidade faz bem pra qualquer um, homens e mulheres.

;)

6 de julho de 2009 20:46
Melanie Brown disse...

Sempre acreditei nessa de que os homens não são todos iguais, dificil são eles me provarem isso, mesmo assim, "tô a espera" do meu diferente...

7 de julho de 2009 09:14