terça-feira, 11 de maio de 2010

Nordestina sim senhor


“Nossa, mas não tem quem diga”. “Jura? Mas você tem cara de paulista”. “Você é de Alagoas? Pois não parece de jeito nenhum”. “Nordestina? Sei...qualquer dia você vai revelar que nasceu em Florianópolis”. Essas são algumas das frases que eu já ouvi desde que me mudei para São Paulo, em 2001, sempre que me perguntam onde eu nasci: Maceió, Alagoas. São reações que costumam vir logo depois de um primeiro contato, já que o meu sotaque é fortíssimo. Que continue assim, gosto dele, é parte da minha identidade.

O mais triste é que, mesmo sem maldade ou sem querer, quem tenta me “elogiar” dizendo que eu não pareço nordestina age com preconceito. Como assim eu não pareço ter nascido do Nordeste???? Por que não? Nordestino é feio, por acaso? Tem uma cara pré-definida? Somos todos de um tipo só?

Não, não somos todos iguais. Nordestinos são brancos, negros, loiros, ruivos, mestiços, altos, baixos, magros, gordos. Ainda bem: o mundo seria um lugar muito chato se todo mundo fosse igual. Ou melhor, nós, os brasileiros, somos absolutamente variados, uma característica que eu adoro em nossa formação. Não é à toa que as quadrilhas internacionais de falsificadores cobiçam tanto os nossos passaportes: qualquer rosto cabe na nossa nacionalidade.

Por tudo isso, abaixo o preconceito contra o Nordeste. Eu não conheço um conterrâneo sequer que não tenha orgulho de suas origens. Amo São Paulo, é a cidade que eu escolhi para morar, onde quero ficar até o fim dos meus dias. Mas, me sinto privilegiada por trazer comigo na fala, no jeito, nos hábitos e na memória o legado de tanta coisa boa. Sem falar que, luxo dos luxos, tenho o privilégio de viver na maior metrópole do país e, quando quiser, a qualquer folguinha, voltar correndo para os braços de mainha e painho. Para a rede do terraço da minha casa alagoana, tendo a visão de uma mangueira enorme e daquele céu azul que parece ter sido retocado por photoshop para me fazer relaxar.

Beijos, gente. Aos meus conterrâneos que na terrinha estão, aproveitem essas belezuras aí por mim.

Isabela – A Divorciada e A Nordestina

PS: Acima, o quadro Paisagem Nordestina, do pernambucano Militão dos Santos.

26 comentários:

SAL disse...

EU SIMPLESMENTE AAAAAMO SER NORDESTINA!!!

Na verdade, eu nem entendo quando alguem se refere com certo preconceito porque sou do Nordeste, tenho sotaque, gírias, hábitos e toda uma personalidade construida no cenario do litoral nordestino... Não consigo enxergar o preconceito não! Juro que não!

No máximo, vejo ignorancia!
E aos ignorantes, meu silencio!

Assim como vc, Belíssima, mudei pra o sudeste... mudei por opção! Mercado de trabalho me tendenciou a chegar pra cá, e eu to amando muito fixar residência por aqui! Mas é bem como vc disse: o melhor de morar por aqui, é saber que qdo surge aquela folga... mainha e painho estão de braços abertos, juntamente com o aconchego que aquele verão o ano inteiro traz! Tudo isso, de frente para o mar de agua límpida e quente!

um XEEEERO, minha nordertina adorada!!!

12 de maio de 2010 01:44
Andarilho disse...

Esse preconceito de paulistano contra nordestino é secular, tem desde que eu me conheço por gente (eu nasci em Sampa).

Em especial, contra os baianos. Até é lugar comum falar que uma besteira é uma "baianada".

12 de maio de 2010 08:24
mulherpolvo disse...

semana passada assisti ao filme "Corisco e Dadá", e fui reparando em como a cultura nordestina é bacana, a coisa da sobrevivência na caatinga, até ligar à "feira dos paraibas" centro cultural de tradições nordestinas de São Cristovão, RJ. E velha a mania da gente de achar que é tudo "paraiba", ou "baiano" como se diz em Sampa. Eu gosto de ir na feira (o pessoal é realmente apegao à sua cultura!!), mas não gostei de morar no nordeste.
Mas eu tenho meu indulto: sou de Niterói, amo Niterói e não me daria bem em nenhum outro lugar do mundo.
Parabéns pelas suas origens!!
e vamos torcer pelo fim deste preconceito besta.

12 de maio de 2010 08:25
Flávio P. disse...

Bela, sei exatamente o que é isso!

Já vivi diversas situações em que as pessoas questionam onde eu nasci!

A mais engraçada, se é que podemos achar graça nisso foi a seguinte:

Uma certa vez estava em Florianópolis passeando pelo shopping e entrei em uma loja para comprar chocolates e depois de alguns minutos de conversa escutei o seguinte:

- Ela: "Você não é daqui não, né?!"

- Eu: Não! Sou Alagoano!

- Ela: Mas você só deve ter nascido lá, não é?!

- Eu: Achando que com essa pergunta ela insinuou que meus pais não eram nordestinos falei: Sou filho de pai alagoano e mãe pernambucana! 100% NE...

- Ela, para finalizar falou: Báaaa, mas você é tão grande e tão branquinho!!!

E como essa, já aconteceram tantas outras... e olha que eu moro em Salvador! e infelizmente para a maioria dos baianos a Bahia não faz parte do Nordeste Brasileiro!

Pois sempre digo e repito com orgulho: Sou Alagoano “cabra da peste” filho de pai alagoano e mãe pernambucana e já nasci com uma peixeira na cintura olhando nos olhos da enfermeira e ameaçando: ”bate, bate pra tu vê bichiguenta”!!!! rsrsrsrsrs

VIVA A DIVERSIDADE DO POVO BRASILEIRO.

12 de maio de 2010 11:26
Karina disse...

Sou filha de pai alagoano (made in Penedo), e para falar a verdade na minha infância e adolescência sentia um pouco de vergonha de falar isso...Até pq nessas fases estudei em escola particular e o preconceito era muito grande com os filhos de nordestinos aqui em Sampa...Hj em dia tem orgulho de dizer de sou filha de alagoano, cabra da peste...Homem lutador, que fez faculdade em SP, que criou 3 filhos e fez questão de pagar a faculdade de todos...mas ainda escuto coisas do tipo: nordestino tinha que ficar na sua terra, vc é tão branquinha como pode ser filha de nordestino. Respondo a todas essas peguntas sem constragimento e sem agressividade, pois só assim poderemos extipar esse preconceito.

12 de maio de 2010 12:15
Letícia Pacheco disse...

eeeeeeita eu adorei seu post! meu namorado tbm é nordestino alagoano de maceió, e não tem pessoa mais linda que eu já tenha conhecido!
acho que quem fica falando de nordestino com preconceito, ou é frustrado por ter passado a infância toda em caixinhas de concreto ou é maluco da cabeça. que terras lindas, que lugar mágico. eu se pudesse corria para lá!

parabéns pelo blog, conheci há uns dias e adorei!

beijos

letícia - a mãe solteira que depois de muito procurar achou o amor da sua vida lá nas alagoas dando sopa. :)

12 de maio de 2010 12:59
Nanda disse...

É muito bom ter o privilégio de poder voltar, sempre que se quer, ao nosso lindo Nordeste! Tb tenho esse privilégio de ter família no NE, em Recife (família do meu marido que agora é minha tb, hehe!).
E o nordeste não é maravilhoso só por causa das praias de águas mornas! Eita povo hospitaleiro! Eita macaxeira arretada de boa! Eita cultura bonita que só!

E mais! Essa história de nordestino retirante que vai pro Sudeste ser peão de obra já era! O Nordeste tem fortes e importantes empresas que estão levando inclusive paulistas pra lá! Além de ótimas universidades que exportam mão-de-obra pro mundo todo (vide tantos e tantos que saem das universidades nordestinas direto para a Microsoft nos EUA!)

Um xero!!!
A carioca com alma nordestina

12 de maio de 2010 14:27
Thalita Medeiros disse...

É isso ai Isa.
Ser nordestino é se despir de preconceitos.
E como uma nortista de nascença e nordestina de coração, tenho orgulho SIM! de estar morando hj no sudeste.

12 de maio de 2010 14:49
Roxana disse...

AMEEEEEEEI o post!!!
Quando comecei a ler, pensei exatamente como vc!!! Enorme preconceito achar que aqui só tem gente feia, baixinha, morena e analfabeta. Sou branquelíssima, tenho um irmão mais "galego" que muitos sulistas e o povo daqui é como em todo lugar do mundo: tem gente feia p/ car... e belíssimas, tenho até prima que parece top model (1,82!).
Não troco minha terrinha! AMO de paixão! E adoro quando ela é exaltada!!!
PARABÉNS!!!
BJOS TRIPLOS (meu e de seus sobrinhos! RS)!
SAUDADE DE TU!!!!

12 de maio de 2010 15:53
Marcos Aquino disse...

Também sou nordestino, nasci no Ceará e tenho muitas saudades de lá, toda vez que vou tenho vontade de não voltar pra SP.

12 de maio de 2010 16:10
Albuq disse...

NORDESTINA SIM SENHOR!!!

Me sinto muitíssimo feliz em ser NORDESTINA e ainda de quebra PARAIBANA.
Preconceito é uma das coisas que mais me entristecem, porque com ele, julgam-se sem entender, sem conhecer, sem enxergar.
Adoro o Brasil, gosto de sair daqui prá conhecer outros lugares, mas, voltar prá minha casinha de reboco... é o que me faz feliz!

Amei seu texto! aliás qual nordestino que num gosta! kkkk
bjs Bela.

12 de maio de 2010 16:34
Tati disse...

Eu sou paulistana e todo mundo diz que não parece..rs. Juram q sou do nordeste, vai entender. Meu pai paulistano, minha mãe paranaense e meu marido cearense.
Ui!! Só aqui para dar está mistura.

12 de maio de 2010 17:06
Anônimo disse...

Ser nordestina é maravilhoso. Eu sou filha de uma e AMOOOOOOO. Adoro.

Manda esse povo chato a merda.

Sonhadora

http://2010palavrasaovento.blogspot.com/

12 de maio de 2010 19:10
Marcos disse...

Nossa você escreve tão bem... nem parece nordestina!! rsrsrs.

Tenha compaixão desses que não sabem o que falam!

O povo brasileiro é um só, as regionalidades é que dão a beleza do nosso povo.

Os nordestinos tem uma cultura invejável, um coração brando. Orgulho por ser brasileiro!

Pobre daqueles que acreditam que Brasil é sudeste e subestimam outras regiões.

PRECONCEITO! É isso que tem.

12 de maio de 2010 22:10
Anônimo disse...

Há anos que passeio por outras regiões do Brasil e sempre faço questão de manter meu "sotaque carregado". As pessoas comentam: "Vc. fala arrastadinho, né?" E eu: "A-do-ro, não quero esquecer isto!!!
Comigo acontece uma coisa engraçada: aqui em Maceió SEMPRE me tratam como paulista ou estangeira, em Sampa eu sou nordestina e recentemente em Lisboa(antes de abrir a boca),me tratavam como americana. Pense!

12 de maio de 2010 22:19
Blog Sozinha ou Acompanhada disse...

Belinha querida....
Preconceito é uma das coisas mais estúpidas que existe, senão a mais!
Adoro seu jeito, sua fala, e ADORO meus muito queridos amigos nordestinos, que nos EUA foram vários, baianos, rio grande do norte, cariocas, e gaúchos, como vc mesma colocou, VIVA A NOSSA DIVERSIDADE!
E continue sempre assim com sua lindeza alagoana!!!!
beijocas,
Mari.

12 de maio de 2010 23:47
3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

É isso que penso. Preconceito é uma merda.

E dizer que isso é "preconceito de paulista contra nordestino" é tão preconceituoso quanto. Sou paulistanéeeeesima e não me vejo nesse tipo de frase. Ainda que uma imensa maioria de paulistas pensasse assim, uma minoria - ói eu aqui - não pensa. E julgar o todo por uma parte é burrice.

Assim tb como me chateia quem vem morar aqui e só faz meter o pau na cidade e em seus moradores. A cidade é dura sim, é verdade. É difícil. E tem uma gente chaaaaata - como em qq lugar do mundo. Mas aqui tem gente do Brasil inteirinho e isso que faz dela uma cidade interessantíssima.

Com tanta gente de fora, fica até estranho dizer que "os moradores originais da cidade" são isso ou aquilo. Eu nasci aqui, meus pais vieram do interior do estado, minhas amigas são uma de cada canto desse país. Para quem sabe aproveitar, essa é a cidade mais democrática que existe.

=D

Um beijo

Deb - A Paulistana

13 de maio de 2010 09:33
Ser como a fênix disse...

A mangueira de sua casa já nao existe mais
=/

13 de maio de 2010 13:19
Paloma, a mãe disse...

Imagine eu que sou baiana e tinha de conviver com as expressões coisa baiano e baianada sempre ditas de forma altamente pejorativas.
Fora que muitos têm inveja quando um nordestino chega em SP e se dá bem. Não acreditam que possamos ter uma formação igual ou melhor que a a deles, por exemplo.
Mas no fundo sinto que eles morrem de inveja da nossa cultura, das belezas naturais, do savoir-faire nordestino.
Se não fosse assim, por que é que correm pra a Bahia (ou outros Estados) nos feriados - e ainda pagam caríssimo por uns diazinhos à beira-mar?
Eu também amo SP e por mim não tinha saído daí, mas um pouco mais de respeito com nordestinos é bom, né?
Beijos

13 de maio de 2010 14:19
Tati disse...

A Dra.Debs, levantou uma boa questão. Eu já fui maltratada em outros estados por ser paulistana e já ouvi piadas também.

E tenho aqui todos os tipos de amizades.

13 de maio de 2010 15:08
Silvinha - a de sempre disse...

olá bela...
eu sou prima postiça da Débora e sou piauiense!
e tbm sofro com isso!
na escola já aturei mtas piadinhas, e fico revoltada!!!
adoro o nordeste com seus defeitos e suas qualidades!!

bjão meu povooo!!!!

adorei o post!!

saudades da minha mainha e da minha maninha giovana!

13 de maio de 2010 20:50
Decor e salteado disse...

Adorooooo os nordestinos, o Nordeste, o jeito carinhoso e amigo, o sotaque (especialmente o das crianças, falando mainha, painho...), as comidas, as cores, as festas, as paisagens...

Sinceramente, quem pode não gostar do Nordeste "pelamordedeus"????

Bjs

Lu
http://decoresalteado10.blogspot.com/

17 de maio de 2010 16:47
Alynne disse...

Beloca, sei que estou comentando super atrasada, perdão, mas não podia deixar de registrar minha modesta opinião. Assim como você estou morando aqui em Sampa agora e sei bem do que falas. Não posso dizer que sofri preconceito direto, graças a Deus fui bem recebida (maridão dá conta disto), estou num excelente emprego e sou respeitada como profissinal (fruto do esforço de toda uma vida dedicada à minha capacitação). Mas, lógico, ouço comentários sobre o nordeste que ainda me assustam. De todos o que mais me intriga é: "Eu sei como o povo nordestino é sofrido, a vida lá não é fácil, é tudo mais difícil". Olho para as pessoas e fico me perguntando se elas pensam que todos lá são tão pobres que não têm o que comer... Me pergunto se vale a pena dizer que, particularmente, tinha uma vida muito mais corrida lá do que tenho aqui, mas que ainda assim vivia melhor lá do que vivo aqui (a tal qualidade de vida!). Aí paro e penso: "Não... não vou falar nada", deixa o meu nordeste lá, tranquilo, do jeitinho que é. Não vale a pena tentar mudar o jeito de pensar de ninguém, então me contento em falar: "Quando puder vai lá conhecer, você vai gostar do que vai ver". Quem sabe vendo com seus próprios olhos as pessoas entenderão que o nordeste é lindo, mas que assim como qualquer região, cidade ou país também tem suas mazelas e que estas não diminuem em nada o valor das pessoas que lá nasceram e/ou moram. Enquanto isto eu continuo correndo para lá sempre que a vida me permite... Alagoas: Meu eterno porto seguro!

19 de maio de 2010 19:26
nina rizzi disse...

pois... eu não sou nordestina de nascença, mas vivendo em fortaleza há três anos, costumo dizer que o sou de feitura.

sinto igualmente esse preconceito. quando resolvi morar aqui perguntavam coisas do gênero: "mas será que lá tem água?", como se aqui fosse o fim do mundo, o mais puro matagal, enfim...

mas a pior foi esta: "olha, tudo bem, mas não vai deixar tua filha pegar aquele sotaque". e respondo na maior: o que não devo permitir é que ela pegue esses preconceitos. arre.

é isso aí, nordestina sim senhores ;)

beijos.

31 de maio de 2010 17:06
Ana disse...

Bem, sou curitiba. E digo, sou uma típica curitibana, fechada sim, mas por pura timidez. E me irrito constantemente quando escuto que Curitiba seria ótima se não fossem os curitibanos. Já me perguntaram de onde eu era, e quando falei que era daqui mesmo de Curitiba, a expressão de susto seria menor se eu tivesse dito de Marte. Acho que preconceito acontece em todos os lugares, e vem de várias formas.

Beijos

29 de junho de 2010 21:13
ludofinal disse...

Verdade, Ana. Sou Pernambucano, mas tem gente (na net) que acha estranho, só porque tenho a pele clara.

13 de junho de 2014 00:52